O Liber: Direita, esquerda ou centro?

O Brasil sofre de um problema sério no campo político: todos os partidos tem propostas muito parecidas. Pegue, por exemplo, os arqui-inimigos PT e PSDB: ambos querem continuar os programas sociais; ambos querem criar ministérios novos; ambos querem criar leis que restringem mais a liberdade individual; ambos dizem querer cortar impostos, mas no poder somente aumentaram os gastos. As únicas discordâncias são como fazer cada uma dessas coisas e as privatizações. De fato, nem as privatizações são um ponto polêmico: a própria presidenta* já aceitou que é necessário privatizar, e esta “privatizando a brasileira” os nossos aeroportos decadentes.

Os outros partidos são ou de centro esquerda, ou de esquerda. O DEM ainda pode ser considerado de direita, mas o partido vive agora do passado, já que perdeu muito poder em tempos recentes. O último golpe que acertou o partido com força foi a saída do senador Demóstenes Torres devido a denúncias do envolvimento do mesmo com um contraventor.

Nesse cenário dominado pelo pensamento de esquerda, no qual os partidos estão sempre exigindo mais intervenção estatal, surge alguma reação. Essa reação é protagonizada por três partidos: o Partido Federalista, o Novo, e o Liber. Todos querem, de alguma forma, mudança. No nosso cenário político, os três estão sendo considerados os partidos da “Nova direita”.

Mas, pasmem: o Liber não é de direita. Repito para o leitor desatento: o Liber NÃO é de direita.

Pensem nos valores da “direita moderna”, como o Partido Republicano nos Estados Unidos, por exemplo. Os republicanos são considerados militaristas e conservadores: as guerras do Iraque foram iniciadas por eles; a maioria dos pré-candidatos pelo partido republicano apoiam uma guerra contra o Irã.

Alguns pré candidatos republicanos são claramente contra liberdades individuais: todos – com a exceção de Ron Paul – são a favor da guerras às drogas. Rick Santorum chegou ao ponto de se declarar abertamente contra os gays e até contra o “heavy metal”. O governo Bush cercou as últimas liberdades individuais e direitos básicos como o de Livre Expressão com o Patriotic Act.

No campo econômico, os republicanos apoiam mais o livre-mercado do que os democratas. Porém, foi o Presidente Nixon que acabou com qualquer ligação entre o dólar e o ouro – o que grandes nomes do liberalismo,como Ludwig von Mises, eram contra – e o mesmo estabeleceu um controle de preços temporário nos Estados Unidos. Todos os pré-candidatos republicanos – novamente, com exceção de Ron Paul – apoiam a existência do FED, que é a instituição mais criticada por alguns defensores do livre mercado.

Como um partido que é contra a guerra as drogas, pacifista, que defende o fim da emissão do papel moeda por parte do governo pode ser colocado ao lado de um partido que apoia a guerra as drogas, apoia diversas guerras e apoia a emissão de papel moeda por parte do governo?

Pior que as diferenças não param por ai: os republicanos são a favor de manter ajuda financeira à Israel; o Liber apoia “Eliminar toda forma de auxílio militar, econômico, técnico e científico, sustentada através dos impostos, a governos ou organizações estrangeiras.”. A maior parte dos republicanos não apoia Ron Paul; o Liber já se posicionou a favor de Ron Paul. Há tantas diferenças que eu poderia passar o resto do texto falando sobre elas.

Retomando a questão: se o Liber não é de direita, ele é de esquerda? Um partido que apoia o livre mercado realmente não pode ser classificado junto com PSTU, PCO e tantos outros. Centro? Também não: as propostas do partido são muito radicais para ele ser considerado de centro. Então, seria o Liber uma aberração?

A resposta é: não. O que está errado é, defintivamente, o modelo esquerda, centro e direita. O correto é usarmos algo não muito conhecido no Brasil: o Diagrama de Nolan. Segue um exemplo do diagrama abaixo:

O Diagrama de Nolan relaciona tanto a liberdade individual com a econômica. O Liber está na ponta dos Libertários: muita liberdade individual e muita liberdade econômica. A “direita” tradicional é a direita do diagrama: pouca liberdade individual, mas muita liberdade econômica.

Concluindo: o Liber é da “Nova direita”? Não. Ele simplesmente foge a essa classificação esquerda, direita e centro, por justamente defender o máximo de liberdade, e não apenas liberdade individual ou apenas liberdade econômica.

* – Apesar de presidenta não existir no dicionário, a própria assinou um projeto de lei no qual todas as profissões passam a ter masculino e feminino.

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