Sacolas plásticas e medidas autoritárias

Vamos analisar o que é visto e o que não é visto?

Basta analisar sob a otica da propriedade privada, da praxeologia e da economia. Vamos usar pitadas de conceitos como lei da escassez, lei de oferta e demanda, teoria do valor subjetivo, utilidade marginal decrescente, custo de oportunidade. Vamos lembrar de Mises, Bastiat, Hayek e Say.

Toda intervenção coercitiva na economia gera resultados não previstos e contrários aos objetivos originalmente desejados. Privilégios não acabam com privilégios. Iniciação de agressão não diminui a iniciação de agressão. E por ai afora.

O humano é imperfeito, o seu conhecimento é limitado. Se o indivíduo quer atingir um objetivo, um mundo bonito, limpo e com grande diversidade de especies de seres vivos, ele pode usar diversos meios, e o mais racional é escolher aquele meios que ele acredita serem os mais eficazes e eficientes. Reduzir o consumo de bens escassos é o meio aparentemente mais eficaz, porém é completamente ineficaz, como vou demonstrar.

Eu posso diminuir hoje meu consumo de algum bem escasso para, entre outros fins:

- porque acredito que estarei evitando um mal imaginado, estarei garantindo um mundo melhor;
- para poupar e ter mais bens disponíveis no futuro;
- para acomodar esse consumo em uma nova ordem de preferências;
- ou para obedecer uma imposição coercitiva do estado.

Em todos os casos, NADA É CONSERVADO.

Se eu uso uma sacola de pano, além das mudanças comportamentais exigidas para isso (levar a sacola no carro, ou na mochila, ou passar a usar uma mochila para poder usar a sacola, use a imaginação), o supermercado não tera gastado esse dinheiro e usara para outros usos, talvez gastando em mais anuncios de jornal, ou folhetos promocionais, usando tinta, que vem do petroleo, usando papel, que vem das arvores, usem a imaginaçao.

Eu vou ter economizado o dinheiro da sacola plástica, e talvez usarei esse dinheiro economizado comprando um outro produto, talvez feito de plástico.

Se eu compro a sacola plastica do supermercado, nada é conservado. Talvez o supermercado acomode os novos lucros vindos das sacolas e reduza os preços dos outros produtos. Talvez não. Talvez eu precise reduzir o consumo de outros bens escassos para poder pagar as sacolas plasticas. Talvez eu precise trabalhar mais para pagar por isso. Talvez eu seja um lenhador, e vou cortar mais arvores para poder pagar pelos custos adicionais das sacolas.

O governo vai coletar impostos com essas sacolas pagas, e vai usar esse dinheiro para todos os tipos de consumo de bens escasos, e em todos os tipos de intervenções na liberdade das pessoas.

Toda a cadeia produtiva das sacolas plásticas precisarão se acomodar com a nova imposição governamental. Milhares, milhões de agentes econômicos precisarão reduzir a venda de sacolas plásticas para os supermercados, e direcionar as sacolas restantes para novos compradores. Fabricantes irão pensar em novos usos para o plástico, criando novos mercados para a materia prima.

Prospectores de petróleo não irão mudar em nada sua produção de petróleo, o mundo continua e continuará usando o petróleo, pois a combinação de sua facilidade de obtenção e variedade de usos faz dessa matéria prima é uma das coisas mais onipresentes na vida humana. Pense em algum objeto ou em alguma atividade humana e você verá que o petróleo está lá em muitos elementos e etapas.

Não se pode refinar petroleo e não ter os seus subprodutos. Toda vez que se refina petróleo, todos os seus subprodutos serão obtidos, por exemplo diesel, gasolina e plástico.

O plástico não usado nas sacolas sera inevitavelmente usado em alguma outra coisa, ou seja, NADA É CONSERVADO.

A melhor maneira de garantir que os bens sejam usados de forma eficiente e eficaz, que os bens sejam usados de forma racional e econômica, é deixando cada agente econômico ter a liberdade de tomar as decisões espontâneas e momentâneas que ele pensa serem as melhores para atingir seus objetivos em uma lista de preferências individuais. Assim ele ira aprender se suas preferencias sao boas para ele e para as pessoas ao seu redor. Os outros agentes econômicos irão responder às escolhas e açoes dele, gerando uma infinidade de pequenas informações e novas decisões que irão enfim possibilitar o planejamento de ações cada vez mais a longo prazo.

Nada é mais eficaz à conservação de bens e territórios que a propriedade privada, e nada é mais devastador que a tragédia dos comuns, como demonstra a história.

Conclusões:

- essa medida é ridicula, burra, ineficaz e autoritaria.
- nenhuma medida autoritária é isenta de resultados negativos.
- escolher ou ser obrigado a não consumir não resulta em conservação.

Por Raphael Moras de Vasconcelos

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Vlogueiro do canal "Nota Libertária" e editor do blog.

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