O propósito desse ensaio é uma revolução política. E eu não quero dizer uma ?revolução? na teoria política libertária, ou uma nova estratégia política revolucionária, ou o tipo de ?revolução? que consiste em eleger um novo quadro de novos e melhores políticos para os postos de poder existentes. Quando eu digo uma ?revolução?, eu digo literalmente: eu espero que esse ensaio contribua para derrubar o governo dos Estados Unidos, e de fato todos os governos ao redor do globo. Vocês poderiam pensar que o argumento de um ensaio acadêmico é um cipó muito frouxo para se sustentar; porém, toda a revolução precisa começar em algum lugar, e de qualquer forma o que eu tenho em mente pode ser um tanto diferente do que imaginam. Por hora, será suficiente dizer que eu lhes pretendo dar alguns motivos para se tornarem um anarquista individualista [1], e enfraquecer alguns dos argumentos para dar preferência a um governo mínimo em favor da anarquia. No processo, eu argumentarei que a forma de anarquismo que eu defendo é mais bem compreendida a partir daquilo que Chris Sciabarra descreveu como sendo uma orientação dialética na teoria social [2], como parte de um esforço superior para compreender e desafiar sistemas de opressão unidos, mutuamente reforçadores, do qual o estatismo é uma parte integral ? mas apenas uma parte em meio a outras. O libertarianismo não só é parte de uma política radical de libertação humana, é de fato o companheiro natural do Esquerdismo revolucionário e do feminismo radical.

Meu argumento tomará toda uma teoria de justiça ? teoria libertária dos direitos [3] ? mais ou menos como dada: ou seja, alguma versão do ?princípio de não agressão? e a concepção de direitos ?negativos? que ela implica. Também que um método particular para a investigação moral ? individualismo ético ? é o método correto, e que alegações comuns de obrigações coletivas ou direitos coletivos são, portanto, infundadas. Apesar de estar discutindo algumas das bases intuitivas para essas visões, eu não pretendo dar uma justificativa compreensiva para elas, e aqueles que possuam alguma objeção às minhas visões podem da mesma forma objetar com relação às bases que ofereço para elas. Se você possui uma concepção fundamentalmente diferente de direitos, ou de relações éticas, esse ensaio provavelmente não o convencerá a se tornar um anarquista. Por outro lado, poderá ajudar a explicar como um comprometimento fundamentado a teoria de direitos libertária ? incluindo uma defesa robusta do direito a propriedade privada ? é compatível com lutas para a igualdade, apoio mútuo e justiça social. Também pode ajudar a mostrar que o individualismo libertário não depende de uma figura atomizada da vida social humana, não requer indiferença a opressões e explorações distintas daquelas governamentais, nem incita nostalgia quanto aos grandes negócios nem conservadorismo para com mudança social. Assim, ao mesmo tempo em que meu argumento possa não convencer diretamente aqueles que ainda não são libertários de alguma variante, ele pode ajudar a remover alguns dos obstáculos que impedem Esquerdistas bem intencionados de aceitar princípios libertários. De qualquer forma, ele deveria mostrar a não libertários que eles precisam de outra linha de argumentação: o libertarianismo não possui conexão necessária com a ?economia política vulgar? ou o ?liberalismo burguês? que sua crítica focaliza.

A estrutura de três partes do meu argumento vem das três demandas feitas pela Esquerda revolucionária original na França: Liberdade, Igualdade, e Solidariedade [4]. Eu argumentarei que, caso bem compreendidas, essas demandas são mais interligadas do que a maioria dos libertários contemporâneos percebe: cada uma delas contribui com um elemento essencial para um desafio radical a qualquer forma de autoridade coercitiva. Consideradas juntas, elas enfraquecem a legitimidade de qualquer forma de autoridade governamental, incluindo o ?governo limitado? imaginado pelos miniarquistas. O miniarquismo eventualmente requer um abandono ao seu comprometimento com a liberdade; mas o dilema é obscurecido quando os miniarquistas fraturam a tríade revolucionária, e buscam ?liberdade? abstraída da igualdade e da solidariedade, os valores interligados que conferem à demanda por liberdade sua vida, seu significado e seu radicalismo. A liberdade, compreendida sob a luz da igualdade e da solidariedade, é uma doutrina revolucionária demandando anarquia, sem espaços para misticismos autoritários e sem desculpas para domínios arbitrários, não importando quão ?limitados? ou benignos.


Anarquia Cotidiana

Stefan Molyneux

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As Engrenagens da Liberdade

David D. Friedman

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Teoria do Caos

Robert P. Murphy

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Vícios não são crimes

Lysander Spooner

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