Publicado em 23 de junho de 2014 | por Editorial J

Ilha das Flores: depois que a sessão acabou

O Editorial J foi até a Ilha dos Marinheiros, local onde o curta-metragem a Ilha das Flores foi realizado, e conversou com moradores que foram personagem do filme há vinte-e-dois anos. A equipe entrevistou também especialistas em cinema para investigar o legado da produção que ganhou prêmios nacionais e internacionais pela linguagem inovadora e crítica social.

Confira abaixo um comentário sobre essa reportagem:

por Leonardo Tavares Brown

Eu me lembro na minha antiga escola, entre a 5a e 7a série, quando alguns professores cancelaram a aula pra exibir esse documentário que todo mundo já deve ter visto. Isso é o que está por trás desse documentário.

Essa história tem um paralelo interessante. No começo do século passado, um livro — “The Jungle” — ficou bastante conhecido nos Estados Unidos por relatar em tom jornalístico a indústria de processamento e embalagem de carne, descrevendo condições sanitárias e de trabalho grotescas. Depois disso tornou-se leitura corrente nas escolas, derrubou as receitas de exportação de carne, mudou drasticamente a perspectiva que as pessoas tinham do mercado e culminou na aprovação de uma nova legislação. Só um pequeno detalhe foi omitido: era tudo mentira. O autor, Upton Sinclair, nunca tinha pisado em uma usina de processamento na vida, mas depois admitiu ter fabricado uma falsificação pra instigar uma revolta de trabalhadores, um projeto dele e de outros membros da Intercollegiate Socialist Society.

Podemos dizer, então, que Jorge Furtado é nosso Upton Sinclair. Mas com uma diferença — o original condenou publicamente o Meat Inspection Act, a legislação que sua obra pariu, quando percebeu que ela estava causando uma concentração sem precedentes na indústria de processamento alimentício. O nosso, por outro lado, tentou esconder a merda que fez comprando a população da ilha com dinheiro público. A gente sempre acaba saindo mal nessas comparações.


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