Lola Aronovich

Publicado em 8 de julho de 2014 | por Ivanildo Terceiro

Uma resposta a Lola Aronovich

Recentemente Lola Aronovich, uma personalidade qualquer da extrema-esquerda, teve a audácia de disparar que libertários são conservadores defensores do status quo. Algo que qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento histórico e filosófico sabe que é uma estupidez, mas sabendo quem e o quê Lola defende não é de se esperar que saia algo diferente dos seus dedos. Deixe-me lhes explicar o porquê.

Quando eu conheci o movimento libertário, poderia dizer que uma reunião com todos os simpatizantes da liberdade do país mal lotaria uma kombi. Movido por apenas um único sentimento: Combater o status quo e os privilegiados por ele, o movimento cresceu de forma exponencial, fundou think-tanks, lançou escritores best-sellers, criou um movimento estudantil, vem se estruturando e galgando degraus dentro da academia de forma muito rápida.Combater o status quo é profissão antiga dos liberais. John Locke mostrou como o direito divino dos reis e nobres sobre à terra era simplesmente mentira, a terra pertencia a quem trabalhava nela. Adam Smith denunciou o mercantilismo como uma política de privilégios para os amigos do rei. Os liberais americanos não aceitaram a tirania imposta por um monarca do outro lado do oceano e pegaram em armas para acabar com os privilégios reais em sua terra. Van Bauren, Frederick Douglass, Joaquim Nabuco, entre outros inúmeros liberais foram as cabeças que lideraram o movimento pela abolição da escravatura.

Ser liberal sempre foi defender os mais fracos e oprimidos dos privilegiados e do estado. Claro que quem detêm privilégios não ficaria parado diante da sua perda de poder. A velha ordem oligárquica reagiu a todo e qualquer progresso levado adiante por liberais; Nos EUA foi necessário mais uma vez pegar em armas para que a escravidão tivesse e fim e mesmo assim o objetivo maior de trazer justiça e reparação para aqueles que sofriam agressões diariamente não foi alcançado.

Apesar de todo o reacionarismo, ser liberal ainda era moda. O progresso era notável. A velha ordem quando literalmente não perdia a cabeça, perdia privilégios. Mandar matar, prender já não surtia mais efeito. Era preciso uma estratégia cultural, algo que transformasse por completo o panorama político da época. E o fizeram muito bem. A velha ordem ressurgiu dizendo que era a defensora do progresso, da igualdade, da liberdade e que isso só seria conseguido enquanto a velha ordem estivesse no poder. Contraditório? Isso não importa, a verdade nunca foi objetivo.

O pior ainda estava por vir. Da forma mais ardilosa possível os defensores do status quo passaram a chamar quem os combatia de reacionários. Foi o incrível a forma como tudo se deu: quem demandava o fim de privilégios foi pintado de privilegiado, os que rompiam com o status quo eram chamados de conservadores.Como a Lola de forma cínica fez questão de explicar: “Pelo menos essa batalha cultural a esquerda ganhou — ser de esquerda é ser revolucionário, é querer mudar o mundo.” Enquanto os liberais são notadamente responsáveis por todos os progressos civilizatórios da humanidade (fim da escravidão, fim da sujeição das mulheres, fim da visão coletivista e racista perante indivíduos, entre outros), o principal teórico do socialismo científico, Karl Marx, quando indagado sobre a escravidão respondeu: “A única coisa que requer explanação é o lado bom da escravidão. Eu não me refiro à escravidão indireta, a escravidão do proletariado; eu me refiro à escravidão direta, à escravidão dos pretos no Suriname, no Brasil, nas regiões do sul da América do Norte. [...] Sem escravidão não haveria nenhum algodão, sem algodão não haveria nenhuma indústria moderna. É a escravidão que tem dado valor às colônias [...] A escravidão é consequentemente uma categoria econômica de suprema importância. Sem escravidão, a América do Norte, a nação mais progressista, ter-se-ia transformado em um país patriarcal “Lola não é diferente da velha ordem. Ela sabe que é reacionária, sabe que defende o status quo e é por isso que grita tanto que os outros é que são reacionários, é a armadura dela, é o que ela usa para não ser identificada como privilegiada pelo estado que é.

Quando os liberais acabarem com o protecionismo que protege os industriais da FIESP da concorrência quem é vai estar lá reagindo? A Lola. Quando os liberais acabarem com o bolsa-rico chamado BNDES, quem vai reagir? Lola. Quando os liberais fizerem com que os pobres, sobretudo os negros, parem de pagar a universidade de uma elite que prefere brincar de revolucionária à estudar, quem vai reagir? Lola!

A Lola sabe que o estado é a pior coisa que pode ocorrer na vida de um pobre. Ela sabe que é o estado quem toma o veículo do pobre que se arrisca a quebrar o cartel dos ônibus, ela sabe que é o estado que destrói a barraquinha dos ambulantes, ela sabe que é o estado que desapropria a casa dos pobres para fazer suas obras megalomaníacas.

Ela não é burra. Ela só defende a sua classe: a velha ordem. Nem que para isso seja necessário inventar que Milton Friedman é o inventor do libertarianismo (se ficarmos calados podemos ouvir o Lew Rockwell gargalhando direto do Alabama) ou que libertários são financiados por corporações (Sim, o mesmo libertarianismo de Rothbard que propôs expropriar as grandes corporações e entrega-las para os seus empregados).

Lola Aronovich é só a velha ordem fazendo o que sabe fazer de melhor: mentindo e reagindo ao progresso. Não se desespere, Lola. A vida tem dessas coisas. Chegou a hora de você perder os seus privilégios.

 


Sobre o autor

Ivanildo Terceiro

Coordenador Regional do EPL/PB; Gerente Executivo do Portal Libertarianismo, também é um moleque insolente nas horas vagas.



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