Inovação & PI tecnologia

Publicado em 22 de janeiro de 2015 | por Alberto Mingardi

A razão pela qual eu amo os mercados – e não somente a tecnologia

Picture_technology

Eu tirei a foto acima porque ela explica a razão pela qual eu amo os mercados. Desculpem-me pela qualidade: eu sou ainda pior como fotógrafo do que como escritor. O que você vê é uma máquina interessante que encontrei em um escritório da FedEx em Washington. Estava viajando e precisava imprimir a minha passagem para o trem Amtrak de Washington para a Filadélfia, onde visitaria um amigo.

A máquina da FEDEX possibilitou que eu conectasse meu pendrive com saída USB, onde havia salvado previamente uma versão PDF da minha passagem, imprimindo-a diretamente. Todo esse processo gerou uma cobrança de US$ 0,12 no meu cartão de crédito, por uma impressão preta e branca (não é necessário que as passagens saiam coloridas). Eu poderia, também, ter imprimido diretamente do meu DropBox ou do meu próprio celular.

Sou tão velho que a primeira vez que visitei Washington acabei passando por uma crise, porque, aos 18 anos, eu não tinha um cartão de crédito, mas somente um cartão de máquina ATM. O primeiro Blackberry tinha acabado de ser produzido, e eu como um garoto de 18 anos, não tinha dinheiro para comprar. Eu verifiquei meus e-mails em cafés com acesso a internet (você se lembra deles?). Hoje, iPads são usados como notebooks no jardim de infância.

A tecnologia não é fantástica? Certamente. Mas aquela máquina muito útil da FedEx não é produto somente da tecnologia. Ela foi um produto genuíno do sistema de livre mercado. É claro, ela não teria sido possível 14 anos atrás: sim, máquinas de impressão já existiam há algum tempo, mas smartphones e armazenamento na nuvem, não. O que essa máquina faz é combinar diversas tecnologias, cada uma focada em um fim específico, para atender demandas particulares não necessariamente previstas por seus desenvolvedores. Para construí-la, foi necessária toda a inventividade humana para prever uma necessidade potencial dos consumidores (uma pessoa de outra cidade que precisa imprimir sua passagem), e propor soluções técnicas para responder a tal necessidade.

Defensores das intervenções estatais têm recentemente afirmado que o governo é muito mais responsável pelos avanços tecnológicos do que os defensores do livre mercado estão dispostos a reconhecer. Esse é um debate complexo: frequentemente, experiências particulares são expressas na forma de generalidades pretensiosas e infundadas, além do fato de que os subsídios e o envolvimento governamental na pesquisa possuem um custo de oportunidade o qual é esquecido muito facilmente pelas pessoas.

Não é tanto a capacidade técnica de fazer algo que importa: mas o fato de que alguém identifica um uso para tal capacidade para atender a uma necessidade humana – talvez uma que as próprias pessoas não estão ainda conscientemente cientes. Essa é a contribuição única / especial dos mercados: não a tecnologia em si, mas o desejo de utilizá-la em benefício dos consumidores. Os mercados dizem respeito a seres humanos, não a brinquedos hi-tech – embora os brinquedos hi-tech também sejam legais.

// Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Terceiro. | Artigo Original


Sobre o autor

Alberto Mingardi

É diretor geral do think-tank italiano Istituto Bruno Leoni. Recebeu seu PhD em Ciência Política pela University of Pavia, se especializando no estudo do antitruste e de sistemas de saúde. Também estuda a história do pensamento político e atualmente escreve uma monografia sobre Thomas Hodgskin.



Voltar ao Topo ↑