Brasil Pylon[1]

Publicado em 14 de março de 2014 | por Daniel Coutinho

Promoção no setor de energia: pague três, leve um

Depois de acionar quase todas as termelétricas do país – que, como repetido a exaustão pelos jornais, são mais caras do que as hidrelétricas – o governo anunciou que não vai repassar imediatamente os custos para o consumidor. Pelo o contrário o governo, sempre solidário com os problemas do povo, decidiu que vai pagar a conta por enquanto. O tesouro vai realizar aporte de 4 bilhões de reais, e depois os consumidores terão de pagar 8 bilhões.

No fundo, o governo está dizendo: vocês pagarão toda a conta. O dinheiro do tesouro é dinheiro proveniente dos impostos, sejam eles impostos diretos, ou o “imposto inflacionário”, que afeta especialmente os mais pobres. No fim, quem paga são todos os brasileiros. Pior: ao invés de estabelecer um sistema racional, em que cada um paga a fração que gasta, o governo tira o dinheiro de uma caixa mágica, que muitas pessoas acham que não foi tirado de ninguém.

Mas ainda não acabou. O governo, realizando mais um malabarismo, vai permitir com que as distribuidoras peguem um empréstimo de 8 bilhões de reais junto aos bancos, e quem vai pagar isso são os consumidores… e detalhe que ainda vamos pagar os juros, segundo o G1. Uma pequena observação, que foge um pouco ao tema: é difícil falar de “liberalismo” ou “livre mercado” em um país em que até para conseguir empréstimo, se precisa de autorização do governo.

Como se ainda não bastasse nós pagarmos a conta, com juros, e o governo tentar sair como “bom moço” simplesmente pagando com dinheiro do tesouro – que, não é demais repetir, é dinheiro tirado de nós mesmos – e “parcelando” o pagamento por parte dos consumidores, o governo ainda anunciou que vai aumentar impostos para compensar o aumento dos gastos. Como se o país já não tivesse imposto o suficiente sendo muito mal gasto, desde coisas de mau gosto como escalas não programadas com direito a refeições em restaurantes de luxo, até a escolha de campeões nacionais através do BNDES que, no fim, são nocauteados pela realidade.

Se o sistema atual, pesadamente regulado pelo governo, está falhando miseravelmente, qual a solução? Deixar as pessoas agirem! Podemos ter soluções diversas, que podem ser coisas extremamente banais – como instalar painéis solares em residências para gerar energia e vender o excedente para a rede elétrica – ou novas ideias que podem mudar todo o setor. Ninguém sabe o que a criatividade humana pode criar.

O intervencionismo do governo sempre vai gerar distorções cada vez piores no mercado. No setor de energia, não é exceção: a tentativa de planejamento por parte do governo gerou o caos, sistemas ineficientes (a quantidade de apagões recentes são prova disso) e problemas seríssimos. As correções, como sempre, vão sair caras. Nesse caso, três vezes mais caras: pagamos pela ineficiência do planejamento do governo, pelos juros para financiar uma “solução” para o problema, e ainda em impostos para “ajudar a pagar os custos”. Hora de deixar a inventividade humana, a criatividade e a livre cooperação criarem soluções.


Sobre o autor

Daniel Coutinho

Daniel Coutinho é apenas outro libertário nas horas vagas.



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