Imigração nenhum ser humano é ilegal

Publicado em 24 de março de 2014 | por Charles W. Johnson

Contra todas as nações e fronteiras

Libertarianismo não tem nada a ver com interesses nacionais. Libertarianismo é sobre liberdade individual. A liberdade para viver sua própria vida, para buscar o seu meio de sobrevivência, para ir e vir como lhe convier para qualquer lugar que esteja aberto para você ou que o tenha convidado. As implicações disso para a política de imigração são óbvias: Todos – não apenas os americanos, não apenas os “cidadãos”, não apenas as pessoas que o governo permitiu, mas todos – têm direitos. Têm o direito de possuir ou arrendar propriedades, arrumar empregos, conseguir o próprio sustento, onde eles quiserem e da forma que os satisfaz na medida em que eles não infrinjam nenhuma liberdade idêntica de outrem. Isso significa imigração livre, fronteiras abertas, e imediata e incondicional anistia para todos os imigrantes “ilegais”.

Se alguém aluga um apartamento para um imigrante, ele tem todo o direito de viver ali, independente do país que ele veio. Se um imigrante compra um pedaço de terra, ele tem todo o direito de viver ali, independente do país que ele veio.  Se um amigo o convida para dormir no sofá ou no seu quarto para convidados, ele têm todo o direito de permanecer ali pelo tempo que o amigo deseja. Claro que eles têm. Nações não tem nada a ver com isso; governos estaduais não tem nada a ver com isso; prefeituras não tem nada a ver com isso; vizinhos intrometidos e fanáticos por controle de fronteiras que querem impor seus preconceitos nas propriedades dos outros não tem nada a ver com isso. Se você não quer imigrantes na sua casa, você é livre para não os aceitar. Se você não quer imigrantes na casa de seu vizinho, pode ser difícil para você, mas, cara, você tem que manter os seus preconceitos dentro da sua propriedade.

Recentemente um articulista do Libertarian Realist – Libertário Realista – (na verdade, eles não são nem libertários, nem realistas) diz que viu vários problemas com a defesa de livre imigração do Sheldon Richman. A postagem é um exemplo surpreendente de sofisma, começando com um longo ataque ao argumento do Sheldon que todos temos o “direito de viajar e se estabelecer em qualquer lugar”. Eles reclamam que em uma sociedade livre, donos de terras deveriam ser livres para evitar pessoas indesejadas, assim não poderia existir tal direito. Convenientemente eles negligenciaram o resto da afirmação do Richman: “o direito de viajar e se estabelecer em qualquer lugar conquanto o direito de ninguém seja violado”. É claro, todos tem o direito de fechar sua própria porta para indesejados. Mas as suas próprias portas, não as de seus vizinhos.

Como a maioria dos nacionalistas anti-imigração, o Libertarian Realist não está interessado no que os princípios libertários implicam; eles apenas procuram de alguma forma encaixar o discurso anti-imigração com os princípios da liberdade (Algo impossível). Aparentemente, eles pensam que a afirmação abaixo encerra toda a discussão:

O que estamos lidando no campo de fronteiras abertas são… puristas morais cuja crença é um humanismo altruísta e igualitário.

Para ser justo, isso realmente é basicamente no que eu acredito. Já que a alternativa é a corrupção moral, ou o anti-humanismo, ou uma ética de controle e subordinação, eu estou bastante confortável com o que defendo.

Eles também acham estranho que libertários acreditem em coisas como isso:

 … Eles acreditam que é moralmente errado para as pessoas de uma nação perseguirem um programa anti-imigração baseado em seus próprios interesses.

Bom Deus, é claro que é moralmente errado para nações buscarem o “próprio interesse” em alguma coisa, especialmente quando querem controlar as fronteiras. Pessoas tem interesses próprios; nações não. Nações são lugares tóxicos e infernais, além de fornecedores de monstruosa violência política. Nações não são pessoas racionais; elas não são associações livres ou acordos contratuais; elas não são escolhidas, são coletivos montados coercivamente, cujos interesses são tipicamente um aborto, quando não uma guerra, contra os interesses morais dos indivíduos que realmente deveriam ser cultivados, praticados e respeitados. Para qualquer um dedicado à liberdade individual, os “interesses” nacionais não merecem importância nenhuma, a não ser quando se quer combatê-los.

Fronteiras são uma marca triste na Terra. Temos que acabar com todas elas.


Sobre o autor

Charles W. Johnson

Charles W. Johnson é desenvolvedor web, anarquista individualista e ativista político. Já publicou diversos artigos além de colaborar em institutos libertários. Seu blog pessoal é http://radgeek.com/



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