Anarquismo de Mercado quebramola

Publicado em 6 de agosto de 2014 | por Adriel Santana

“Moradores constroem…”

Não importa o dia ou horário em que você leitor estiver lendo esse texto, faça o seguinte experimento: selecione o título desse artigo (incluindo as aspas), cole-o no no buscador de sua preferência e veja quantas notícias relacionadas ao assunto aparecerão em sua tela. Resolvi fazer isso hoje (06/08) apenas por curiosidade. Me foram apresentados 332.000 resultados no Google, sendo a aparente maioria de links de sites e blogs de notícias. Seguem algumas dessas “curiosas” matérias de várias regiões e estados do Brasil:

Moradores constroem barreira para evitar alagamentos

Moradores constroem muro para evitar assaltos

Moradores constroem galerias pluviais

Sem previsão para obra, moradores constroem desvio em rodovia

Moradores constroem cisternas em Messejana

Moradores constroem praça

Em Paraisópolis, moradores constroem casas de até sete andares

Moradores constroem quebra-molas por conta própria

Moradores constroem rede de saneamento improvisada

Moradores constroem calçadas em quadras pavimentadas com bloquetes

Moradores do Agreste juntam dinheiro e constroem ponte sobre rio

Com as próprias mãos: moradores constroem bancos em pontos de ônibus

Todas essas notícias sobre o assunto, inclusive no exterior, indo desde grandes cidades como Rotterdam na Holanda até um vilarejo isolado na Índia, apenas servem para reforçar o que os representantes e defensores da filosofia libertária vem afirmando há muito tempo: não precisamos de governantes ou burocratas para construir e prestar serviços considerados “públicos”. A maioria das pessoas já pensam assim quando se trata de grande parte dos serviços privados atuais. Não há dúvida, por exemplo, no Brasil, de que, apesar dos pesares, a desestatização da telefonia foi benéfica a grande parte da população, ao menos quando se compara os serviços corporativistas atuais com o estatismo puro pré-anos 2000. Claro, ainda está bem longe do nosso ideal enquanto libertários, mas foi um avanço parcial, e ninguém em sã consciência deseja realmente, pensando especialmente no lado do consumidor, o retorno do monopólio da Telebras.

O fato é que estamos presenciando, com cada vez mais intensidade na população comum, em especial de baixa renda e na classe média, a conversão da pura indignação com a qualidade e eficiência dos serviços públicos geridos pelos governos municipais, estaduais e federal, em uma vontade e disposição movida pela ideia do “se eles não fazem, façamos nós mesmos”. Essa “tomada de consciência” é benéfica para todos aqueles que almejam uma sociedade cada vez menos dependente do poder político e é um pesadelo real para todos os que vivem de favores governamentais, tanto entre os políticos de carreira como empresários lobistas.

Essa revolução social silenciosa continua firme e forte, ganhando força graças a ineficácia inerente ao ente estatal. Mais e mais pessoas, individualmente ou coletivamente, vão adotar, pelos meios que puderem, alternativas não-estatais para solucionar seus problemas diários. Como saber se isso é verdade? Basta conferir, de tempos em tempos, a quantidade de resultados por “moradores constroem” em sites de busca. Acredite: no fim, o voluntarismo vencerá o estatismo.

 


Sobre o autor

Adriel Santana

Advogado no Rio de Janeiro. Formado em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), no estado da Bahia. Conselheiro e colaborador do Instituto Liberal, e articulista dos sites Liberzone e Spotniks. Colaborador, entre 2010 e 2012, do blog cultural Série Maníacos.



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