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Publicado em 13 de janeiro de 2015 | por Roger Scar

Jornal pega mais leve com agressor depois de saber que ele era policial

O New York Daily News é um jornal famoso e tradicional não só na Big Apple, mas nos Estados Unidos inteiro. Fundado em 1919 foi a primeira publicação a usar o formato de tabloide na terra que o Borat visita ao sair do Uzbequistão. No começo desse ano o diário publicou o caso de um homem que, deliberadamente, agrediu uma mulher na estação de trem do Bronx. O caso, aparentemente, teria ocorrido de forma totalmente gratuita, sem nenhuma justificativa plausível. Na matéria publicada é dito que “um brutamontes agarrou uma funcionária de 28 anos do metrô, jogou-a contra a plataforma,  começou a estrangulá-la e saiu sorrindo após o incidente em um ataque sem motivação, de acordo com as autoridades . Até aí, uma notícia normal como qualquer outra e seguidora das boas regras de jornalismo. Mas a história consegue ficar ainda mais bisonha.

Algum tempo depois, a publicação descobriu que o agressor era um policial de nome Mirjan Lolja. E fazuma estranha retificação em outra reportagem. O “brutamontes” virou “o policial Mirjan Lolja” todas as certezas da matéria anterior se desfizeram. Se antes tudo era afirmado com convicção, cada crime ganhou um “supostamente“, ou um “alega-se”.

É natural que se apresentem os dois lados da história. Isso é jornalismo. Mas, mudar toda a direção de uma publicação apenas por causa da profissão do agressor é, no mínimo, estranho.

Este caso faz-nos lembrar que, às vezes, os tratamentos dados para os agressores de crachá é diferente daquele que é dado aos agressores comuns. Infelizmente, alguns membros da imprensa e até da sociedade civil costumam legitimar os atos de agente dos Estado. Isso é fruto de uma mentalidade institucionalizada, pois acredita-se que quando um policial faz algo, por mais abominável que seja, deve sempre haver uma motivação nobre por trás. Nós sabemos que isso quase sempre não é verdade.

O policial está suspenso e passa por uma investigação interna, e como sempre o tratamento é diferenciado para os governantes e os governados. Um cidadão comum, se cometesse tal ato, estaria preso ou respondendo um processo criminal, no mínimo. Enquanto o policial, que vai ser julgado pelos seus chefes, tem regras especiais para apurarem sua conduta.

(com informações de Reason)


Sobre o autor

Roger Scar

Escritor desde os 12 anos. Atencioso, dedicado e ácido. As melhores definições são estas.



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