Drogas guerra às drogas oriente médio

Publicado em 19 de janeiro de 2015 | por Ivanildo Terceiro

A Guerra às Drogas deu certo no Oriente Médio?

Com o recente assassinato do brasileiro Marcelo Archer pelo governo da Indonésia, um extrato substancial da população que comenta em portais de notícia passou a afirmar que países muçulmanos/árabes (é um erro comum falar como se ambos fossem a mesma coisa, mas esse não o ponto aqui) não tem problemas com drogas graças às penas draconianas impostas aos comerciantes de entorpecentes. Para bem ou para o mal, essa é uma afirmação que não resiste a uma rápida análise.

Apesar do Irã concentrar 30% das apreensões de heroína do mundo, ainda assim é descrito no relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) como um dos países em que o uso de opiáceos, particularmente a heroína, é mais alto que a média mundial. Antonio Maria Costa, ex-chefe da UNODOC, afirmou queO vício no Irã é dez vezes maior do que nós conhecemos em outros países.” Uma versão mais barata da heroína, que os iranianos apelidaram de crack, é tão difundida que por algo entre 70 e 100 dólares é possível comprar um curso de como fazê-la em casa.

Apesar do país ter menos de 1% da população mundial. a Arábia Saudita concentra 30% das apreensões de anfetaminas do mundo. Boa parte da droga vem na forma de comprimidos de Captagon, o nome comercial da fenethylline, um estimulante originalmente criado para tratar TDAH e depressão nos anos 60, que foi colocado na lista de drogas proibidas pela Organização Mundial da Saúde em 1986, após ser considerada muito viciante. Abdulelah al-Shareef, membro do Departamento de Controle e Prevenção do Vício em Drogas do Ministério do Interior do Reino, estima que os 70 milhões de comprimidos apreendidos sejam apenas 10% do que entra no país anualmente. Ainda de acordo com al-Shareef, metade das pessoas atendidas em clínicas de reabilitação são viciadas em Captagon. A fala do funcionário do governo corrobora a conclusão da ONU de que a terra do rei Abdallah é a que mais faz uso de estimulantes na região.

Por sua vez, o Afeganistão é o maior produtor de ópio do mundo, sendo responsável por 3/4 da produção mundial da droga. O combate aos entorpecentes no país conta com uma ajuda das forças de ocupação dos Estados Unidos que estão estacionadas no país, apenas no ano passado elas foram responsáveis por apreenderem 41 mil quilogramas do entorpecente, uma quantia ínfima comparado aos 5,5 milhões kg que são produzidos todos os anos. O órgão do governo dos EUA responsável pela reconstrução do ex-reduto de Osama Bin Laden estima que em um país com 30 milhões de habitantes, 1,3 milhão seja viciado em heroína. O Brasil tem o mesmo número de viciados em crack, mas conta com uma população quase sete vezes maior.

William Patey, ex-embaixador do Reino Unido no Afeganistão, acha que a situação está tão fora de controle que não há mais nenhuma opção além da legalização. De acordo com ele, a produção de drogas é a maior fonte de recursos do Talibã, e pior, vem corrompendo todas as instituições do país e impedindo que ele consiga firmar bases sólidas e democráticas. Para Patey, fazer com que o grupo terrorista enfrente uma concorrência internacional em um mercado que domina quase como um monopólio ajudará não só os afegãos, mas também os britânicos.

Recentemente uma reportagem do The Telegraph, afirmou que o Paquistão era o país que, proporcionalmente, contava com mais viciados em heroína na sua população. Estima-se que 44 toneladas da droga seja inalada ou injetada todos os anos, um uso que, per capita, é três vezes maior do que nos Estados Unidos. O compartilhamento de seringas faz com que 40% dos usuários sejam HIV positivo.

Mohammed al Zadjali, um czar anti-drogas de Omã, afirma que a situação de abuso de drogas no país só vem piorando com os anos.

No Iêmen, 90% da população é viciada em uma droga chamada qat.

Todos os países acima tem pena de morte em seu ordenamento jurídico para quem for pego traficando drogas. Seja aqui, ou no Oriente Médio, a guerra às drogas continua sendo algo irracional e pouco produtivo.


Sobre o autor

Ivanildo Terceiro

#estagiário e moleque insolente do Portal Libertarianismo



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