Anarquismo de Mercado Futuro

Publicado em 30 de julho de 2014 | por Russia Today

O futuro apagará da história a instituição do Estado

É difícil imaginar um mundo sem Estados, especialmente neste período em que as agências estatais em muitos países tratam de ter mais e mais controle sobre a população, mas toda a história do século XX mostra uma lenta agonia da instituição do Estado, afirma o responsável em economia do jornal de negócios russos “Kommersant” Dmitri Butrin na revista “Esquire“.

As instituições “históricas” na realidade são recentes

“O Estado em sua forma contemporânea é conhecido somente há algumas dezenas de anos: a maioria das instituições de poder não existem a mais de um século”, relembra o economista.

O sistema monetário existia em várias formas, mas desde o fim da Primeira Guerra Mundial as moedas começaram a se basear na “autoridade” dos países e nas ações de seus bancos centrais, perdendo seu vínculo com a economia real. Aliás, nos últimos 30-40 anos o dinheiro como uma instituição de poder quase deixou de existir: os bancos comerciais exercem uma influência grande no sistema financeiro capaz de levar a crises que o Estado não pode prevenir, aponta o expert.

O papel importante do Estado na economia também é um aspecto de recente evolução. No início do século XX a carga tributária do Estado na estrutura econômica dos países avançados era de 6% ou 7%. Antes do auge dos impostos, todo negócio era separado do Estado como se fosse um paraíso fiscal. Mas desde os anos 1934-35, o Estado multiplicou várias vezes sua presença na economia devido ao sistema de expansão dos impostos, afirma Dmitri Butrin.

As agências de saúde universal, de educação centralizada e de pensões tampouco são estáveis e “históricos”, segundo o economista: ganharam sua forma conhecida depois da Segunda Guerra Mundial.

“Tudo o que percebemos como ‘eterno’ na realidade se formou há menos de 100 anos e anteriormente funcionava de maneira muito diferente – sem Estado – ou não existia”, afirma o analista.

Imitar o mercado é o papel do Estado

A tendência universal a longo prazo é fazer um Estado mais eficaz, mais flexível e mais moderno. “A maioria das reformas estatais não se baseiam em uma ideia fixa do que fazer, mas buscam imitar os processos de mercado”, afirma Butrin.

Depois de obter um papel importante na vida de um país através dos impostos, as agências estatais buscaram desenvolver diferentes setores da sociedade, mas estão bem atrás das inovações do setor privado. Aliás, a responsabilidade do Estado neste desdobramento produz um sentimento de paternalismo na população, opina o economista. As pessoas esperam que o Estado se ocupe da melhora de sua vida através de grandes projetos e reformas em larga escala: junto com os impostos, isto diminui os estímulos para criar e inovar.

Contudo, a mudança mais importante é a perda da iniciativa intelectual por parte do Estado. “Sua agenda não tem nada a ver com o Estado”, relembra Butrin. Os desafios anteriormente considerados como tarefas para um Estado, agora são desenvolvidas por iniciativas privadas como é o caso do espaço, a eficácia energética ou a ajuda às pequenas empresas.

“No século XX, o Estado buscou solucionar vários problemas da sociedade. No século XXI, já se nota que o Estado não conseguiu fazê-lo, e a maioria dos problemas existentes serão solucionados por nós mesmos”, concluiu o economista.

 

// Tradução de Adriel Santana. | Artigo original.


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