Cultura & Humor Mike Rowe Trabalho Sujo

Publicado em 3 de maio de 2014 | por Ivanildo Terceiro

Uma fã pede a Mike Rowe um conselho… e sua resposta é brilhante

Carta de um fã para Mike Rowe (do programa “Trabalho Sujo”), seguido da resposta perfeita dele.

Olá Mike!

Eu passei o último ano tentando encontrar a carreira certa para mim e ainda não consigo decidir o que fazer. Eu sempre fui o tipo de cara ambicioso e que coloca a mão na massa. Eu nunca aguentaria trabalhar em um escritório. Eu preciso de mudança, movimento e aventura na minha vida, mas em um lugar que o pagamento seja certo. Eu cresci na construção civil e meu primeiro emprego foi num projeto de restauração. Eu amo tudo ao ar livre. Toco música para conseguir um dinheiro extra. Eu gosto de tentar praticamente tudo, mas me entedio facilmente. Quero uma carreira que sempre me faça feliz, mas que me permita ter uma família e tempo para viajar. Eu percebi que, se alguém conhece empregos é você, e imaginei que poderia me ajudar nisso se tiver tempo. Obrigado!

Parker Hall

E a sua resposta:

Olá Parker,

Meu primeiro pensamento foi o de que você deveria aprender a soldar e ir para a Dakota do Norte. As oportunidades são muitas lá, e com o seu perfil, você é qualificado para o trabalho. Mas após ler seu e-mail uma segunda vez, me ocorreu que suas qualificações não são a razão para você não conseguir o emprego que quer.

Noite passada fui tomar uns drinks com uma mulher que conheço. Vamos chamá-la de Clara. Clara fez 42 anos há pouco tempo. Ela é bonita, esperta e bem-sucedida. Mas também é frustrada por não conseguir nenhum homem. Eu ouvi a noite toda sobre como sua busca tem sido difícil. Sobre como todos os “bons partidos” já estavam comprometidos. Sobre como todas suas amigas já haviam encontrado suas almas-gêmeas, e sobre como não era justo que ela ainda não tenha encontrado o seu.

- Olha pra mim – disse ela – Eu cuido de mim mesma. Eu estou disponível. Por que isso é tão difícil?
- Que tal aquele cara no fundo do bar? Ele não para de olhar para você.
- Não faz o meu tipo.
- Mesmo? Como você sabe?
- Só sei.
- Já tentou um site de relacionamentos?
- Você tá brincando? Eu nunca sairia com alguém que eu conheci online.
- OK. Que tal uma mudança de cenário? Sua companhia tem escritórios em todo lugar. Talvez se mudar para outra cidade?
- O que? Deixar São Francisco? Nunca.
- Que tal o outro lado da cidade? Você sabe, se misturar um pouco mais. Visite lugares novos. Novos museus, novos bares, novos teatros…

Ela me olhou como se eu estivesse louco. “Por que diabos eu faria isso?”

E essa que é a questão Parker. Clara não quer um homem de fato. Ela quer o homem “certo”. Ela quer uma alma gêmea. Especificamente, uma alma gêmea do mesmo CEP que ela. Ela criou esse cara em sua mente anos atrás e, diabos, ela está cansada de esperar.

Eu não contei isso a ela, pois ela tem a propensão a surtos de violência. Mas é verdade. Ela reclama por estar sozinha, mesmo que as regras dela quase que garantam que ela vai permanecer assim. Ela construiu um muro entre si e seu objetivo. Um muro feito de condições e expectativas. Seria possível que você tenha construído um muro parecido?

Consideremos suas próprias palavras. Você não quer uma carreira – você quer a carreira “certa”. Você quer “agito” e “aventura”, mas não às custas da estabilidade. Você quer “mudança” e “liberdade para viajar”, mas precisa da certeza de um “pagamento seja certo”. Você fala sobre ficar “facilmente entediado” como se o tédio fosse algo fora de seu controle. Não é. Tédio é uma escolha. Assim como atrasos ou interrupções. É uma coisa “amar o ar livre”, mas você leva isso um passo adiante. Você jura “nunca” aceitar um serviço em um escritório. Você fala sobre as necessidades da sua família, mesmo que esta família não exista. E, por último, você clama que o seu trabalho “sempre” tenha que te fazer “feliz”.

Isso é o que eu acho. Você pode escolher ignorar e eu não o culparia – principalmente após ser comparado a uma mulher de 42 anos que não consegue encontrar um amor. Mas já que você perguntou…

Para de procurar pela carreira “certa”, e comece a procurar um emprego. Qualquer um. Esqueça do que você gosta e se foque no que está disponível. Consiga uma contratação. Chegue cedo e saia tarde. Seja voluntário para fazer o trabalho sujo. Se torne indispensável. Você pode sempre pedir demissão mais tarde, e não estar pior do que hoje. Mas não gaste outro ano procurando uma carreira que não existe. E principalmente, pare de se preocupar com sua felicidade. Felicidade não vem de um emprego. Vem de você saber o que você realmente vale, e de comportar-se de uma maneira consistente com suas crenças.

Muitas pessoas hoje ressentem a sugestão de que elas estão no controle de como elas se sentem. Mas acredite Parker, elas estão enganadas. Esta foi uma grande lição que aprendi com o Trabalho Sujo, e eu a aprendi algumas centenas de vezes até que ficasse claro. O que você faz, com quem você está e como você se sente em relação ao mundo que o rodeia depende completamente das suas escolhas.

Boa Sorte!

- Mike

// Tradução de Rafael Andreazza. Revisão de Ivanildo Terceiro. | Original


Sobre o autor

Ivanildo Terceiro

Coordenador Regional do EPL/PB; Gerente Executivo do Portal Libertarianismo, também é um moleque insolente nas horas vagas.



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