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Publicado em 23 de fevereiro de 2014 | por Daniel Coutinho

“Depusemos nosso governante autoritário. E agora?”

É atribuída a Thomas Jefferson a frase: “A árvore da liberdade deve ser regada de quando em quando com o sangue dos patriotas e dos tiranos. É o seu adubo natural.” As manifestações na Ucrânia vieram para adubar a árvore da liberdade. Depois de um mês de protestos, o presidente fugiu e foi (devidamente) destituído pelo parlamento, que convocou eleições. Os defensores da liberdade comemoram, com razão. Mas a pergunta que fica é: e agora?

O trabalho não acabou. Foi dado um importantíssimo primeiro passo. Mas qualquer país que sai de um regime autoritário tem muito que fazer, e não existem exceções. Leis que permitiam “poderes extraordinários” para o chefe do executivo, leis anti-protesto, prisões arbitrárias por motivos políticos, tudo isso tem que ser mudado. Talvez esses não sejam os casos específicos da Ucrânia, mas sem dúvida alguma será necessário realizar reformas nas leis e nas instituições do país, para evitar que novos protótipos de ditador apareçam. O desafio na Ucrânia talvez seja ainda maior, uma vez que o país foi controlado por muito tempo pela União Soviética, e tenha sofrido com a implementação das corruptas instituições socialistas, que ainda assombram os países do antigo bloco soviético*.

Liberais – especialmente aqueles que não defendem imediatamente o fim do governo – provavelmente gostariam de assistir a leis que favorecessem a livre iniciativa em todos os campos da ação humana: a política, a economia, a cultura, o comportamento, e uma interminável lista de outros temas. Além disso, muitos liberais defenderiam instituições fortes e independentes, o poder dividido entre as três esferas e a subsidiariedade, como formas de garantir a livre iniciativa. Se isso vai ser feito é um mistério, mas seria extremamente interessante e, ao que tudo indica, bom para os próprios ucranianos.

Outros países estão assistindo as suas pequenas, mas crescentes, manifestações. A Venezuela é o melhor exemplo. Depor o atual governante não é suficiente, em nenhum caso. Novas leis e instituições serão necessárias para as verdadeiras mudanças acontecerem. A pergunta que fica é: o que os ucranianos – e com um pouco de sorte os venezuelanos – farão com esta oportunidade de ouro?

* – Um vídeo curto sobre o tema: http://www.youtube.com/watch?v=YowkN8m9QPE


Sobre o autor

Daniel Coutinho

Daniel Coutinho é apenas outro libertário nas horas vagas.



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