2 seat: Bill Maher and Christine O'Donnell

Publicado em 11 de janeiro de 2015 | por Adriel Santana

Bill Maher versus Reza Aslan: O Islã é um mal a ser combatido?

Na noite de 7 de janeiro (quarta-feira), o apresentador de  TV Jimmy Kimmel recebeu em seu programa o também apresentador, comediante e famoso ateu americano Bill Maher. O assunto da entrevista foi, como nem poderia ser diferente, o ataque em Paris ao escritório do satírico jornal francês Charlie Hebdo no mesmo dia. Maher, que costuma dedicar várias horas do seu programa Real Time With Bill Maher na HBO, para, entre outras coisas, criticar religiões e seu papel nas sociedades e na política, como já tinha feito com maior contundência em seu “documentário” Religulous (2008), onde atira pedras em todas as religiões possíveis, fez o que se esperava dele: Atacou não apenas os terroristas que realizaram o ataque, mas toda a religião islâmica e seus praticantes. Veja você mesmo o resultado da entrevista:

E, novamente, na sexta-feira (9), Maher repetiu em seu próprio programa sua argumentação contrária a toda religião islâmica, defendendo que os liberais (a esquerda americana) deveriam se envergonhar de ficar em silêncio ao não criticar os muçulmanos e o Islã. A parte do programa dedicada a abordar o assunto contou com a participação do escritor indiano Salman Rushdie, da empresária americana Carly Fiorina e do consultor político Paul Begala:

Como era de se esperar, as reações quanto a suas declarações logo começaram a surgir em todos os lugares, tanto favoravelmente como contrariamente. Um dos que reagiram em oposição a fala de Maher foi Reza Aslan, historiador iraniano-americano, professor da University of California. Numa rápida entrevista realizada no telejornal da CNN, Aslan critica não apenas a noção de que a religião islâmica é intrinsecamente má e violenta, como o perigo de se defender como uma verdade tamanha generalização e simplificação quanto a um problema que é de fato sério e precisa ser combatido: o terrorismo.

A questão é que, como bem Aslan sinaliza, o grande problema dos países não-ocidentais, com maioria muçulmana ou não, é a necessidade urgente de secularização de suas religiões (Sempre bom lembrar: na Índia, de maioria hindu, o sistema de castas, apesar de banido pela Constituição de 1950, continua a ser praticado pela considerável maioria da população, tratando milhões de pessoas como “cidadãos de segunda classe”), além do respeito aos direitos individuais mais básicos, as quais incluem a liberdade de expressão.

O fato importante aqui é que tratar 1,5 bilhão de seres humanos, ou estatisticamente mais de 20% da população mundial, como fanáticos irracionais e violadores dos direitos fundamentais não é apenas incentivar o ódio religioso gratuito contra o Islã, é atestar a própria ignorância e promovê-la sobre um assunto cada vez mais crucial, e que precisa, ou melhor, necessita, cada vez mais de argumentos racionais.


Sobre o autor

Adriel Santana

Advogado no Rio de Janeiro. Formado em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), no estado da Bahia. Conselheiro e colaborador do Instituto Liberal, e articulista dos sites Liberzone e Spotniks. Colaborador, entre 2010 e 2012, do blog cultural Série Maníacos.



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