Liberdade Cívil Proibição

Publicado em 2 de agosto de 2014 | por Luis Alberto Pazos

Quem se beneficia com a proibição das drogas?

Há um maniqueísmo entre quem está a favor da legalização das drogas e os que afirmam que se deve manter o atual modelo de proibição. Legalizar o uso de uma droga, como é o caso do álcool, não quer dizer que se venderá a menores e em todos os lugares, tendo sim suas limitações. No caso do cigarro, outra droga que tem matado milhões de pessoas, sua venda legal tem limites: altos impostos e a proibição de consumi-lo em prédios, aeroportos e lugares públicos onde prejudique terceiros.

Se a proibição do álcool, droga que destrói a vida de milhões de pessoas e desintegra famílias, reduzisse seu consumo excessivo e acabasse com seus danosos efeitos, eu seria defensor da proibição e de fechar todos os estabelecimentos, bares e depósitos. Mas sua proibição nos anos 20 nos EUA só gerou violência, corrupção e deu um grande poder as máfias.

Direito Corpo

É necessário uma mudança na regulamentação das centenas de drogas proibidas, de tal forma que se criem canais legais, onde os usuários da classe média e baixa, que constituem sua maioria, encontrem uma fonte legal de oferta de droga, que tire este mercado das máfias e evite que os viciados se vejam obrigados a roubar e delinquir, que as mulheres se prostituam e um grande número se converta em distribuidores em troca de acesso às drogas.

Os canais legais devem se limitar em princípio a hospitais, clínicas e centros de reabilitação, que lhes proporcionem as drogas proibidas ou substitutos aos viciados para tirar-lhes a dependência do crime organizado e, consequentemente, sua principal fonte de financiamento.

Respeitamos e aplaudimos o trabalha da Marinha, o Exército, a polícia federal e o DEA [Força Administrativa de Narcóticos dos EUA] na captura dos mafiosos, ainda que em questão de dias seus lugares sejam ocupados por outros. A luta contra o crime organizado pelas Forças Armadas tira-lhes a impunidade, impede seu aumento de poder e de controle social, mas em pouco ou nada reduz a oferta de drogas aos usuários, além de aumentar seu preço. É necessário lutar contra o crime organizado que sequestra, extorque, rouba e assassina, mas é importante buscar novas vias para lhes retirar suas principais fontes de financiamento e o monopólio da venda de drogas proibidas que causam o vício.

 

// Tradução de Adriel Santana. Artigo original.


Sobre o autor

Luis Alberto Pazos

Luis Alberto Pazos de la Torre é um economista, formado pelo Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Monterrey, advogado, graduado pela Escuela Libre de Derecho, professor de Economía Política na Universidad Francisco Marroquín, e político, membro do Partido Acción Nacional. Possui um doutorado em economia pela Universidad Nacional Autónoma de México. Desde 2003 é diretor-geral da BANOBRAS, o Banco Nacional de Obras y Servicios Públicos do México. É autor de diversas obras sobre economia política, especialmente a mexicana.



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