liberdade

Publicado em 1 de fevereiro de 2014 | por Daniel Coutinho

Abra os seus Olhos

Libertários são, muitas vezes, pessimistas em relação aos próprios objetivos: liberdade, para muitos, é algo distante e quase impossível de ser alcançado. E se trata de um problema sério. Se nem nós mesmos, que defendemos a liberdade, somos capazes de ver exemplos do que defendemos no dia a dia, e pior, só conseguimos reclamar a cada vez que o estado inventa uma nova lei ou intervenção nas nossas vidas, como convencer as outras pessoas que o nosso objetivo é tangível?

Portanto, segue uma sugestão que serve para todos – libertários, comunistas, apolíticos. A sugestão pode ser resumida em uma simples frase: abram os seus olhos. Explico: a liberdade está inevitavelmente associada a maior parte das atividades humanas. Por exemplo, uma ida a sua cadeia favorita de fast food. Banal. Mas é uma experiência única de ver a liberdade humana em prática. Primeiramente, observe que você pode escolher entre diversas cadeias: se a sua favorita te atende mal, vá para a concorrente! E, nenhum planejador central precisou mandar criar as duas empresas, construir os dois restaurantes, ou até mesmo mandar você se alimentar. É graças ao planejamento individual de cada indivíduo que isso ocorre. E é o mercado que coordena todas essas ações.

Mas ainda não acabou. Você chega no balcão e pede. Chega o seu hambúrguer, batatas e refrigerante. Perceba que o atendente não foi posto ali por ordens de um planejador. Ele precisava de um emprego, o restaurante precisava de um empregado. Foi graças à liberdade de mercado que eles puderam trocar, voluntariamente, o trabalho de um pelo dinheiro do outro. Talvez o atendente saia assim que ele tiver uma oportunidade melhor.

E ainda, veja que nenhum planejador mandou plantar o trigo, criar o gado e todos os outros ingredientes que foram necessários para fazer o seu hambúrguer. Nem as batatas. Nem deus-sabe-o-que que faz o refrigerante. Nem as embalagens. Empreendedores viram a chance de lucrar produzindo estes produtos. Por quê? Porque você, um ser humano livre, escolheu consumir estes produtos.

E nós não estamos nem perto do fim. O empregado que te atendeu gasta o salário em produtos que ele escolhe, que pertencem a uma cadeia produtiva tão complexa quanto a do seu hambúrguer e as batatas fritas. Nem todos os maiores cérebros da terra reunidos seriam capazes de decidir por ele o que consumir, ou decidir pelos milhares de empreendedores – desde um dono de uma cadeia de supermercados até o vendedor de pipoca – o que eles deveriam fazer para servir ao próximo. Somente em um ambiente relativamente livre todas essas peças se encaixam.

Ver isto, no entanto, requer um pouco de atenção. Possivelmente porque nós damos como certo e consideramos banais essas ações cotidianas. Mas é exatamente por isso que precisamos prestar mais atenção nelas. O que nós damos como certo e natural dependem de diversos fatores, como o respeito à propriedade privada. E a primeira etapa para uma defesa forte e apaixonada da liberdade é perceber todos os pequenos milagres que ela é capaz de nos prover.


Sobre o autor

Daniel Coutinho

Daniel Coutinho é apenas outro libertário nas horas vagas.



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