Politica Externa A terra é de todos Sem fronteiras

Publicado em 3 de fevereiro de 2014 | por Bryan Caplan

As externalidades das fronteiras abertas

“Como pode o autor do livro The Myth of the Rational Voter (O Mito do Eleitor Racional) apoiar fronteiras abertas?”. Eu ouvi tal questionamento dezenas de vezes. Uma vez que você admite que a) a democracia faz o que os eleitores desejam, b) os eleitores irracionalmente se opõem aos mercados e à liberdade, e c) os eleitores de territórios menos a favor do mercado e da liberdade são provavelmente ainda mais irracionais do que nós somos, não seria automaticamente lógico o argumento em prol de estritas restrições à imigração?

Não. E eu já expliquei o porquê mais de uma vez. Contudo, dado que o que temos aqui é uma falha de comunicação, irei agora manifestar minha posição da forma mais rápida e direta possível:

1) Fronteiras abertas são um componente extremamente importante do livre mercado e da liberdade humana. O mercado de trabalho representa aproximadamente 70% da economia, sendo o trabalho o principal produto que a maior parte das pessoas ao redor do mundo tem para vender. As restrições à imigração distorcem massivamente o mercado, privando literalmente bilhões de pessoas da liberdade de vender seu trabalho a empregadores dispostos a contratá-los. Então, mesmo se as fronteiras abertas tornassem todas as outras políticas muito menos a favor do livre mercado e da liberdade, o pacote (fronteiras livres somadas a seus prováveis efeitos colaterais) certamente, constituiria um ganho líquido para o livre mercado e para a liberdade.

2) O efeito político dos imigrantes sobre os mercados e a liberdade é, na pior das hipóteses, modestamente negativo. O americano médio não é libertário, e o imigrante médio não é stalinista. Nós estamos falando sobre desacordos marginais entre social democratas, nada mais. A pequena participação dos imigrantes nas eleições e o viés do status quo diluem ainda mais o efeito político negativo dos mesmos.

3) Imigrantes têm negligenciado os efeitos positivos dos mercados e da liberdade. Os eleitores ressentem-se a apoiar estrangeiros: essa é a explicação padrão do porquê os Estados Unidos, etnicamente diverso, tem um estado de bem estar (assistencialista) menor do que, digamos, a Dinamarca. Então, mesmo se todos os imigrantes desejassem um maior estado de bem estar, sua própria presença reduz o apoio nativo à distribuição. Os imigrantes são também marcadamente mais a favor da liberdade e do mercado do que os nativos num aspecto vital: eles são a favor das fronteiras abertas.

Contudo, no final das contas, talvez seja melhor responder ao questionamento sobre as externalidades políticas com outra pergunta:

“Se você apoia o livre mercado e a liberdade, como você pode opor-se à deportação de toda a geração estatista?”. Eleitores nativos com menos de 30 anos são mais hostis aos mercados e à liberdade do que jamais foram os imigrantes. Por que não, simplesmente, expulsá-los? Parte de sua resposta, espero, é que a deportação em massa seria um crime muito maior contra os mercados e a liberdade do que qualquer coisa que os eleitores com menos de 30 anos deverão conseguir. Minha posição, em uma frase, é parecida: as restrições à imigração são um crime muito maior contra os mercados e a liberdade do que qualquer coisa que os imigrantes eleitores deverão conseguir.

// Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Otavio Ziglia. | Artigo Original


Sobre o autor

Bryan Caplan

Bryan Caplan é professor de economia na George Mason University e autor dos livros "The Myth of the Rational Voter: Why Democracies Choose Bad Policies " e "Selfish Reasons to Have More Kids". Atualmente está escrevendo o seu novo livro, "The Case Against Education" e para o blog EconLog.



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