Cultura & Humor Lysander Spooner

Publicado em 19 de janeiro de 2014 | por Adriel Santana

“12 Anos de Escravidão” e a Luta Abolicionista de Lysander Spooner

Hoje é um dia muito especial para os libertários: há 206 anos, especificamente em 19 de janeiro de 1808, nascia nos EUA um dos mais importantes e notáveis teóricos da filosofia libertária, o jurista Lysander Spooner. Ele ficou famoso não apenas por suas contribuições ao anarquismo individualista, como também por seu intenso envolvimento no movimento abolicionista em seu país. Em suas obras Unconstitutionality of slavery e A defense for fugitive slaves, Spooner expõe uma argumentação tão poderosa que abala todos os fundamentos legais e (i)morais da escravidão.  De fato, a trajetória intelectual de Spooner permite afirmar que sua luta contra a escravidão dos negros nos EUA acabou por levá-lo a sua luta contra outro tipo de escravidão, a dos indivíduos de uma nação por seu governo.

O aniversário desse ano de Spooner possui um motivo em especial para ser lembrado: a indicação do filme “12 Anos de Escravidão“ (12 Years a Slave) aos prêmios de noves categorias do Oscar 2014, a mais importante premiação cinematográfica do mundo. Para quem não conhece a história, o filme é uma adaptação da obra autobiográfica homônima escrita pelo americano Solomon Northup, um homem negro nascido livre que residia no Estado de Nova Iorque, que foi sequestrado e vendido como escravo para trabalhar nas plantações do estado da Louisiana, onde permaneceu durante 12 anos.

Além de ser um excelente filme com um elenco afinadíssimo, a chocante história expõe todos os males aos quais os escravos sofriam nas mãos dos seus “donos”. Se no ano passado, “Django Livre” (Django Unchained), o faroeste do diretor Quentin Tarantino, também tratou sobre a escravidão, sendo também indicado ao Oscar de Melhor Filme, dessa vez o impacto para o público do que se vê na tela durante as duas horas de duração é maior por sabermos se tratar de uma história real.

article-2424697-1BB2629C000005DC-746_634x445

Um dos pilares do libertarianismo é a noção de autopropriedade, a ideia de que você é dono de seu próprio corpo e que ninguém tem o direito de se apossar dele ou usá-lo como meio para atender aos fins de outros. Em suma, a defesa da autopropriedade é condição necessária para que um indivíduo possa ser considerado livre. Afinal, se não sou proprietário do meu corpo, então não sou livre para poder atingir os objetivos que tracei para minha vida. Evidentemente, a noção de autopropriedade também é ampliada para o direito de propriedade sobre os meios externos, dado que sem estes não é possível nem subsistir nem utilizar-se dos recursos existentes para “buscar a felicidade”.

Solomon Northup aprendeu a importância da defesa dessa ideia da forma mais dolorosa possível. Não surpreendentemente, assim que conquistou sua liberdade após 12 anos de escravidão, ele integrou as fileiras do movimento abolicionista, colaborando ativamente com a fuga de escravos dos estados do sul dos EUA e ensinando em vários estados sobre a fundamental defesa da liberdade individual.

Northup e Spooner, cada um com sua história e meios a sua disposição, lutaram para que nenhuma pessoa tivesse que se submeter as vontades e ordens de outros sem seu consentimento. A luta contra a escravidão é uma parte importantíssima da história do libertarianismo. A luta contra a escravidão imposta pelo Estado aos seus cidadãos também. A primeira, apesar de ainda persistir em rincões ao redor do mundo, já foi vencida em todos os fronts da batalha. Já a segunda ainda está apenas começando. De qualquer forma, a luta pela liberdade e o indivíduo continuará enquanto existirem pessoas dispostas a levantar essas bandeiras. Devemos apenas lembrar que para muitos essa foi mais do que a batalha por um ideal, mas uma batalha pela posse de si mesmo.

Feliz aniversário de 206 anos, Lysander Spooner!


Sobre o autor

Adriel Santana

Formado em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Articulista do Instituto Liberal e do site Liberzone. Colaborador, entre 2010 e 2012, do blog cultural Série Maníacos.



Voltar ao Topo ↑