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VIII Diário do Intervencionismo

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Bem vindo a 1984! A polícia da língua acabou de ser instituída no Brasil. Ao menos o processo já começou, no estado do Rio Grande do Sul. Agora para os políticos em brasileira resolverem voltar com os seus projetos, não custa nada. Não é Aldo Rebelo? Segue a notícia abaixo que já é suficiente para entender a bizarrice dessa medida.

A Assembleia Legislativa aprovou, na tarde desta terça, por 26 votos a 24, o projeto que estabelece a obrigatoriedade da tradução de expressões ou palavras estrangeiras para a língua portuguesa sempre que houver no idioma uma palavra ou expressão equivalente. A proposta, do deputado Raul Carrion (PCdoB), seguirá agora para a sanção do governador Tarso Genro. 

O projeto foi aprovado com duas emendas. Uma, do próprio Carrion, que exclui os nomes próprios dessa determinação, e outra, do deputado Carlos Gomes (PRB), que determina que todos os órgãos, instituições, empresas e fundações públicas poderão priorizar na redação de seus documentos oficiais, sítios virtuais, materiais de propaganda e publicidade, ou qualquer outra forma de relação institucional através da palavra escrita, a utilização da língua portuguesa.

Fonte: Correio do Povo.

VII Diário do Intervencionismo

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Agora é a vez do transporte público. Segue a matéria do Terra sobre a nova lei aprovada em um município do Espírito Santo.

Um projeto de lei que dá direito ao pagamento de meia passagem para quem viaja em pé no ônibus foi aprovado por unanimidade na noite de terça-feira na Câmara do município de Vila Velha, na Grande Vitória. O projeto é assinado pelo vereador Ozias Zizi. A passagem em Vila Velha custa R$ 2,30.

"Queremos diferenciar os passageiros que viajam sentados dos que fazem o trajeto em pé nos ônibus. Não é justo todos pagarem a mesma tarifa", disse o autor do projeto. Vereador e presidente da Casa, Ivan Carlini apresentou uma emenda ao projeto que determina que os passageiros não poderão mais viajar em pé nos ônibus do município. As medidas têm causado polêmica na cidade. Agora, o prefeito Neucimar Fraga tem 15 dias para acatar ou vetar o projeto.

Se essa lei for aprovada com as emendas propostas, irá acontecer o mesmo que ocorreu com os cinemas. Quem pagava um valor baixo vai passar a pagar um valor muito mais alto e quem vai pagar "meia", vai acabar pagando quase o mesmo valor de antes. Isso sem contar na dificuldade de implementação de tal sistema, porque como vão considerar quem só fica sentado metade da viagem ou outros períodos de tempo indeterminados?

A solução para abaixar as tarifas e fazer justiça não é tentar administrar concessões via legislação, mas separar completamente o estado do setor de transportes.

 

Al Jazeera nos Estados Unidos

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Os levantes no norte da África e no Oriente Médio deram grande alento à al Jazeera, a rede de televisão sediada em Doha, Qatar. Até recentemente os estadunidenses não queriam nenhuma proximidade com a estação; ela simplesmente era demasiado facilmente associada a Oriente Médio e a muçulmanos, o que obviamente leva facilmente a pensar em terroristas e "terroristas"; e certamente qualquer estadunidense de boa família sabia que aquela estação não poderia ser tão imparcial quanto CBS, CNN, NPR ou Fox News. A estação tinha motivo para ser paranoica acerca de seu escritório nos Estados Unidos, terra de dez milhões de malucos (não poucos deles em cargos públicos). Ela ocupa seis andares num prédio de escritórios no centro de Washington, DC, mas o nome dela não aparece no painel de ocupantes do edifício.

Todavia, a mídia majoritária dos Estados Unidos agora cita a al Jazeera em Inglês e mostra sequências noticiosas dela. Muitos progressistas, inclusive eu, criaram o hábito de assistir à estação de preferência à mídia majoritária dos Estados Unidos. Em geral, as notícias têm mais substância, os entrevistados são em sua maioria mais ou menos progressistas, e não há comerciais. Entretanto, quanto mais assisto mais percebo que os apresentadores e correspondentes da estação não se mostram tão imbuídos da perspectiva progressista quanto deveriam.

Caso pertinente entre muitos que eu poderia citar: Em 12 de março o correspondente da al Jazeera Roger Wilkinson informava acerca do julgamento, em Cuba, de Alan Gross, o estadunidense preso depois de ter distribuído equipamento eletrônico a cidadãos cubanos. Gross entrou em Cuba como turista, mas estava lá, em realidade, a serviço da Alternativas de Desenvolvimento Incorporações (DAI), empreiteira privada a serviço da Agência para Desenvolvimento Internacional (AID), divisão do Departamento de Estado. Gross era, pois, agente secreto de governo estrangeiro não registrado como tal. Wilkinson relatou essa história altamente controvertida com toda a candura e distorção típicas da mídia majoritária dos Estados Unidos. Mencionou, de passagem, que o governo cubano tenta controlar a Internet. O que poderá alguém concluir, a partir daí, senão que as autoridades cubanas tentam ocultar certas informações de seus cidadãos? Exatamente como a mídia majoritária dos Estados Unidos, Wilkinson não deu exemplos de quaisquer sites da Internet bloqueados pelo governo cubano; pelo simples motivo, talvez, de não existirem. Qual é a terrível verdade de que os cubanos poderiam ficar cientes caso tivessem acesso pleno à Internet? Ironicamente, são o governo dos Estados Unidos e as multinacionais estadunidenses que coíbem esse acesso, por motivos políticos e mediante atribuir a seus serviços preços acima das possibilidades de Cuba. Eis porque Cuba e Venezuela estão construindo suas próprias conexões de cabos submarinos.

Wilkinson falou do programa da AID de "promoção da democracia", mas não deu nenhum indício de que, no mundo da AID e das organizações privadas que mantêm contratos com ela — inclusive a empregadora de Gross — essa expressão é código significando "mudança de regime". A AID há muito tempo vem desempenhando papel subversivo nos assuntos mundiais. Eis o que declara John Gilligan, Diretor da AID na administração Carter:

"Em certo momento, muitos escritórios regionais da AID estavam infiltrados de alto a baixo de pessoal da CIA. A ideia era plantar agentes secretos em todo tipo de atividade que tínhamos no exterior, de governo, voluntária, religiosa, de todo tipo."9

A AID tem sido apenas uma dentre muitas instituições empregadas pelos Estados Unidos durante mais de 50 anos para subverter a revolução cubana. Devido a isso é que podemos formular a seguinte equação: Os Estados Unidos estão para o governo cubano como a al Qaeda está para o governo estadunidense. As leis de Cuba referentes a atividades tipicamente desenvolvidas por entidades do tipo de AID e DAI refletem essa história. Não é paranoia. É autopreservação. Discutir um caso como o de Alan Gross sem considerar essa equação é falta séria em jornalismo e em análise política.

Esperemos que o caso de Gross sirva para abrandar a natureza dos esforços de "promoção da democracia" em Cuba.

A política de Washington — e portanto a política da Inglaterra — em relação a Cuba sempre derivou principalmente de desejo de impedir que a ilha se torne bom exemplo para o Terceiro Mundo de alternativa ao capitalismo. Os líderes ocidentais, todavia, em verdade não entendem, ou não se importam, com o que pode motivar pessoas como os líderes cubanos e seus seguidores. Eis aqui um dos telegramas do Wikileaks relativos a Embaixadas dos Estados Unidos de 25 de março de 2009 — William Hague, então Membro Conservador do Parlamento Britânico e Secretário do Exterior Paralelo, dando à embaixada dos Estados Unidos em Londres relato de sua então recente visita a Cuba: Hague "disse estar levemente surpreso de a liderança cubana não parecer rumar para modelo mais chinês de abertura econômica; ela ainda se mostrava formada de 'revolucionários românticos'." Em sua conversa com o Ministro cubano do Exterior Bruno Rodríguez "a discussão dirigiu-se para ideologia política, durante a qual Hague comentou que as pessoas na Inglaterra estavam mais interessadas em fazer compras do que em ideologia." [Minha nossa, que defesa magnífica do estilo ocidental de vida. Rule Britannia! God Bless America!] Hague em seguida informou que "Rodriguez pareceu desdenhoso a respeito e disse que as pessoas só precisam fazer compras para comprar comida e alguns bons livros."

Última atualização em Qua, 06 de Abril de 2011 16:37

Os Maus Elementos

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Já escrevi, em muitas ocasiões, acerca dos IOD dos Estados Unidos — Inimigos Oficialmente Declarados: Mahmoud Ahmadinejad, Hugo Chávez, Fidel Castro, Daniel Ortega, Hasan Nasrallah, Moammar Gaddafi e outros. Uma vez que o governo dos Estados Unidos da América deixe claro um líder estrangeiro específico não ser um dos Bons Moços, não acreditar que os Estados Unidos são uma dádiva para o gênero humano, e não estar a fim de permitir que seu país se torne obediente estado cliente, a mídia majoritária dos Estados Unidos invariavelmente pega a deixa e se desdobra para denegrir o sujeito em toda oportunidade. (Se algum leitor souber de qualquer exceção e essa regra interesso-me em ouvir dele a respeito.)

Juan Forero há muito tempo é correspondente latino-americano doWashington Post. Também da National Public Radio. Eu costumava mandar cartas para oPost destacando como Forero distorcia os fatos cada vez que escrevia acerca de Hugo Chávez, erros de omissão acoplados a erros de comissão. Nenhuma dessas cartas foi impressa e, pois, comecei a mandar minhas missivas diretamente para Forero. Uma vez em verdade ele respondeu, dizendo que (de certo modo) concordava comigo acerca do ponto que eu suscitara e deixou implícito que tentaria evitar erros similares no futuro. Realmente detectei alguma melhora depois daquela ocasião, por curto período, e então tudo voltou a ser como dantes. Durante a atual turbulência na Líbia ele escreveu: "Chavez disse que 'era grande mentira' a de as forças de Gaddafi terem atacado civis." 7

Ora bem, quão estúpido consegue Hugo Chávez achar que o mundo é? Todos vimos e lemos acerca dos ataques de Gaddafi contra civis.

Ocorre, porém, que, se acharmos o original em espanhol, veremos um quadro mais completo e diferente. De acordo com a notícia em espanhol da United Press International (UPI), Chávez disse que a luta na Líbia era uma guerra civil e os atacados não eram pois simplesmente manifestantes ou civis; eles estavam do outro lado na guerra civil; isto é, eram combatentes. 8

Notas

7. Washington Post, March 7, 2011

8. UPI Reporte LatAm, March 4, 2011 (email me for the text)

VI Diário do Intervencionismo

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Do Jornal do Comércio:

Uma nova recomendação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) proíbe que comerciantes vendam bebidas alcoólicas a pessoas que já apresentem sinais de embriaguez, na cidade de Quipapá, Zona da Mata Sul do Estado. Nos bares do município, a medida veio para disciplinar a população, visando dimunuir o consumo de álcool e as consequências que isso causa.

Caso essa proibição seja contrariada, o comerciante será autuado em flagrante pela Polícia Militar e encaminhado até a delegacia de polícia, onde as medidas cabíveis serão tomadas pelos responsáveis.

Agora responda rapidamente. Quem vai definir quando a pessoa está embrigada? Será obrigado utilizar bafômetro nos clientes agora? Pois é. Essa é mais uma lei de políticos moralistas que não tem a menos noção de realidade.

Nesse momento, a proibição está valendo só em uma região do interior do nordeste, mas não está tão ruim que não possa piorar, então fiquem de olho no restante dos políticos ou vamos chegar em uma situação como alguns estados nos eua, que não se pode nem mesmo beber na rua.

Fonte: JC.

 

Querido Deus, por favor livre-nos do Sacro Império Republicano

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Glenn Beck, Sarah Palin, Mike Huckabee, John Boehner e muitos outros Republicanos amiúde têm dificuldade de falar acerca de questões domésticas ou externas sem trazer a religião para o cenário. O Líder da Câmara John Boehner, por exemplo, em recente palestra na Conferência Nacional dos Radialistas Religiosos, declarou que a dívida nacional dos Estados Unidos é um "risco moral." O Washington Post (5 de março de 2011) registra que "Boehner deixou claro esta crise fiscal requerer as pessoas caírem de joelhos."

O Deputado Joe Barton do Texas justificou sua oposição ao controle dos gases do efeito estufa porque "não se pode regulamentar Deus."

O Senador Jon Kyl, do Arizona, acusou o Líder Democrático no Senado, Harry Reid, de "desrespeitar um dos dois mais sagrados feriados para os cristãos" ao cogitar de manter o Congresso em sessão durante o Natal.

O Deputado Steve King de Iowa comparou os Democratas a Pôncio Pilatos, a antiga autoridade romana que sentenciou Jesus à crucifixão.4

E o Senador pela Carolina do Sul Jim DeMint declarou recentemente que "quanto maior se torna o governo, menor se torna Deus. ... Os Estados Unidos funcionam, a liberdade funciona, quando as pessoas têm aquele giroscópio interno que provém da crença em Deus e da fé bíblica. No momento em que tiramos isso, perdemos a capacidade de viver como pessoas livres sem os controles externos de um governo autoritário. Já disse isso frequentemente e acredito nisso –– quanto maior se torna o governo, menor se torna Deus. À medida que as pessoas se tornam mais dependentes do governo, tornam-se menos dependentes de Deus." 5

Assim, pois, em vã tentativa de trazer luzes a esse tipo de estimados membros Republicanos do Congresso, sinto-me na obrigação de destacar o seguinte:

No 4o. dia de novembro de 1796, foi concluído em Trípoli [Líbia] um "Tratado de paz e amizade entre os Estados Unidos da América e o Bey e súditos de Trípoli, na Berbéria". O artigo 11 do tratado começa do seguinte modo: "Na medida em que o governo dos Estados Unidos da América não está, em nenhum sentido, fundamentado na religião cristã ... " Note-se ademais: O Artigo VI, Secção II da Constituição dos Estados Unidos declara: "Esta Constituição, e as Leis dos Estados Unidos que serão feitas para sua Implementação; e todos os Tratados firmados, ou que venham a ser firmados, sob a Autoridade dos Estados Unidos, serão a Lei suprema do País; e os Juízes em cada Estado serão obrigados por eles, prevalecendo sobre qualquer Coisa em Contrário na Constituição ou nas Leis de qualquer Estado."

O credo dos fundadores dos Estados Unidos não era nem o cristianismo nem o secularismo, e sim a liberdade religiosa.

Depois dos ataques terroristas do 11/9, um líder talibã declarou que "Deus está do nosso lado, e se os povos do mundo tentarem incendiar o Afeganistão, Deus nos protegerá e nos ajudará." 6

"Com ou sem religião, pessoas boas farão coisas boas, e pessoas más farão más coisas. Para, porém, que pessoas boas façam coisas más — aí só com religião." — Steven Weinberg, físico ganhador de Prêmio Nobel

Notas

4. Para este e os dois exemplos anteriores, ver "A Teoria da Relatividade de Jim DeMint: 'Quanto Maior se Torna o Governo, Menor se Torna Deus'", Pense Progresso, 15 de março de 2011

5. Fox News Domingo, 19 de dezembro de 2010

6. Washington Post, 19 de setembro de 2001

Última atualização em Qui, 31 de Março de 2011 01:03

Sobre a polêmica do Jair Bolsonaro

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O assunto do momento é a "entrevista" que o deputado Jair Bolsonaro concedeu ao programa CQC. Ele conseguiu demonstrar em menos de 5 minutos o quanto ainda existe essa mentalidade estatista e contra a liberdade, que está longe de ser minoria no Brasil.

Ele disse coisas inadimissíveis, como mandar fuzilar o ex-presidente Fernando Henrique, falou contra a privatização da Vale, defendeu os presidentes mais autoritários da história do Brasil (do período da ditadura militar) e chegou ao cúmulo de ser racista. Como diz Ayn Rand, "o racismo é a forma mais baixa e mais cruelmente primitiva de coletivismo. É a noção de atribuir significado moral, social ou político à linhagem genética de um homem - é a noção de que os traços caracterizadores e intelectuais de um homem são produzidos e transmitidos por sua química corporal interna. O que quer dizer, na prática, que um homem deve ser julgado, não por sua índole ou ações, mas pelas índoles e ações de um coletivo de antepassados."

Essa atitude racista deve ser condenada com firmeza, mas o erro em todo esse estardalhaço é que querem colocá-lo na cadeia ou fazê-lo pagar uma multa por emitir uma opinião. Isso está completamente errado. Por mais que eu discorde do que uma pessoa diz, ela não deve ser punida pelo estado. Liberdade de expressão é liberdade de dizer o que quizer, sem apelar a coerção física para calar a pessoa. Esse tipo de comportamente deve ser combatido, mas de forma moral, nunca se utilizando do estado.

Para entender melhor sobre o tema, leia os artigos aqui, aqui e aqui do Walter Block, que faz parte do livro Defendendo o Indefensável (que consta para download gratuitamente na biblioteca do site).

O que aqui se faz, aqui se paga - O caso Bradesco, Vale e Governo

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Enfim saiu a notícia demostrando o que o Bradesco vai ganhar em aceitar as ingerências do governo na Vale. Para quem não sabe, tem a ver com a nova bandeira de cartões ELO. Através de uma "parceria entre Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, surge essa nova empresa. Eis ai o resultado da simbióse entre o banco Bradesco e o governo. O banco concede um favor aqui, recebe um outro ali, e assim o pagador de impostos brasileiro vai sendo assaltado e a renda vai se concentrando.

Se você tem algum comprometimente com a sua liberdade, não faça uso desses cartões, pois eles vem com as impressões digitais do estado.

Barack "Eu mataria por um prêmio da paz" Obama

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Será que alguém está contando?

Eu estou. Com a Líbia, são seis.

Seis países contra os quais Barack H. Obama iniciou guerra em seus 26 meses no cargo. (Aos que argumentam quanto a se despejar bombas em terra povoada é ato de guerra, perguntaria o que acham das bombas japonesas em Pearl Harbor.)

O primeiro presidente preto dos Estados Unidos agora invade a África.

Será que ainda sobra alguém que ache que Barack Obama representa alguma melhora em relação a George W. Bush?

Provavelmente dois tipos de pessoas ainda acham. 1) Aqueles para os quais cor é algo muito importante; 2) Aqueles muito impressionados com a capacidade de encadear sentenças gramaticalmente corretas.

Certamente não se trata, outrossim, de algo que tenha a ver com intelecto ou inteligência. Obama disse muita coisa que, se dita por Bush, teria inspirado muito virar de olhos, risinhos abafados e relatos debochados nas colunas e transmissões da mídia majoritária. Como aquela que o presidente repetiu em diversas ocasiões quando pressionado a investigar Bush e Cheney por crimes de guerra, na linha do "prefiro olhar para diante do que para trás." Imaginem um réu diante de um juiz pedindo para ser declarado inocente com base nesse tipo de raciocínio. Isso simplesmente torna irrelevantes a lei, o cumprimento da lei, o crime e a justiça.

Há também a desculpa dada por Obama para não processar as pessoas envolvidas em tortura: porque estavam cumprindo ordens. Será que esse homem "culto" nunca ouviu falar dos Julgamentos de Nuremberg, onde esse tipo de defesa foi sumariamente rejeitado? Para sempre, presumia-se.

Apenas 18 dias ante do vazamento de petróleo no Golfo Obama disse: "Vem-se a saber, aliás, que, atualmente, poços de petróleo geralmente não causam vazamento. Eles são tecnologicamente muito avançados." (Washington Post, 27 de maio de 2010) Imaginem George W. dizendo isso, e a reação posterior.

"Todas as forças que estamos vendo atuar no Egito são forças que naturalmente deverão alinhar-se conosco, deverão alinhar-se com Israel," disse Obama no início de março.2 Imaginem se Bush tivesse sugerido essa implicação — que os manifestantes árabes no Egito opondo-se a um homem recebedor de biliões de dólares em ajuda dos Estados Unidos, inclusive dos meios para reprimi-los e torturá-los, deveriam "naturalmente" estar alinhados com os Estados Unidos e — Deus nos ajude — com Israel.

Uma semana depois, em 10 de março, o porta-voz do Departamento de Estado P.J. Crowley disse a um fórum em Cambridge, Mass., que o tratamento dispensado pelo Departamento de Defesa ao herói do Wikileaks Bradley Manning numa prisão dos Marines era "ridículo, contraproducente e estúpido." No dia seguinte perguntaram a nosso presidente "geninho" o que achava do comentário de Crowley. A Grande Esperança Preta respondeu: "Na verdade perguntei ao Pentágono se os procedimentos levados a efeito em termos do confinamento dele são apropriados e atendem a nossos padrões básicos. O Pentágono assegurou-me que são."

Certo, George. Quero dizer, Barack. Bush deveria ter perguntado a Donald Rumsfeld se qualquer pessoa em custódia dos Estados Unidos estava sendo torturada em qualquer parte do mundo. Poderia em seguida ter tido uma coletiva com a imprensa, como Obama teve, para anunciar as alvíssaras — "Os Estados Unidos não torturam ninguém!"Poderíamos estar até hoje debochando dessa.

Obama encerrou sua observação com: "Não posso entrar em detalhes acerca de algumas das preocupações do Pentágono, mas parte delas diz respeito inclusive à segurança do Soldado Raso Manning." 3

Ah sim, claro, Manning está sendo torturado para o bem dele próprio. Alguém por favor me refresque a memória — será que o Georginho alguma vez desceu a ponto de usar esse absurdo em especial para desculpar o inferno dos prisioneiros de Guantánamo?

Será que Barack Obama não se incomoda com o insulto aos direitos humanos de Bradley Manning, com as ações diárias de erosão da estabilidade mental desse corajoso jovem?

A resposta a essa pergunta é Não. O presidente não se perturba com essas coisas.

Como sei disso? Porque Barack Obama não se incomoda com nada, enquanto possa exultar em ser presidente dos Estados Unidos, comer seus hamburgueres e jogar seu basquetebol. Permitam-me repetir mais uma vez o que escrevi pela primeira vez em maio de 2009:

O problema, temo cada vez mais, é esse homem não acreditar firmemente em nada, certamente não em áreas controvertidas. Ele aprendeu, há muito tempo, como assumir posições que evitam controvérsia, como expressar opiniões sem tomar partido claro, como falar eloquentemente sem na verdade dizer coisa alguma, como deixar a cabeça de seus ouvintes cheias de clichês, chavões e palavras de ordem empolgantes. E como funcionou! O que poderia acontecer agora, havendo ele atingido a presidência dos Estados Unidos, para induzi-lo a mudar seu estilo?

Lembremo-nos de que, no próprio livro dele, "A Audácia da Esperança", Obama escreveu: "Eu funciono como uma tela branca onde pessoas de posições políticas vastamente diferentes projetam seus próprios pontos de vista."

Obama é um produto de marketing. Ele é exemplo modelar do produto "Como visto na televisão".

O escritor Sam Smith escreveu recentemente que Obama é o presidente Democrático mais conservador que já tivemos. "Numa época mais antiga, haveria um nome para ele: Republicano."

Em verdade, se John McCain tivesse ganho a eleição de 2008, e em seguida feito tudo o que Obama fez, exatamente do mesmo modo, os liberais estariam furiosos com políticas tão abomináveis.

Acredito que Barack Obama é uma das piores coisas que já aconteceram à esquerda estadunidense. Os milhões de jovens que jubilosamente o apoiaram em 2008, e numerosos partidários de mais idade, precisarão de longo período de recuperação antes de se disporem a mais uma vez sacrificar seu idealismo e sua paixão no altar do ativismo político.

Se você não gosta do rumo que as coisas tomaram, da próxima vez descubra o que exatamente seu candidato quer dizer quando falar de "mudança".

A Líbia e o Sacro Triunvirato

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As palavras que eles têm grande dificuldade de pronunciar — "guerra civil".

A Líbia está envolvida numa guerra civil. Os Estados Unidos, a União Europeia e a OTAN — O Sacro Triunvirato — estão intervindo, sangrentamente, numa guerra civil. Para derrubar Moammar Gaddafi. Primeiro O Sacro Triunvirato falou de impor uma zona de voo proibido. Depois de obter apoio de entidades internacionais para esse modo de entender, começou imediatamente a fazer guerra contra as forças militares líbias, e com quem estivesse perto, diariamente. No mundo do comércio isso é chamado de "atrair o consumidor com mercadoria barata para ele em seguida ser estimulado a comprar mercadoria mais cara".

O crime de Gaddafi? Ele nunca respeitou suficientemente O Sacro Triunvirato, que não reconhece poder mais elevado do que o próprio, e manobra as Nações Unidas para seus próprios propósitos, desde que a China e a Rússia se mostrem tão sem espinha dorsal e hipócritas quanto Barack Obama. O homem que o Triunvirato permitir substitua Gaddafi será mais respeitoso.

Então, onde estão os bons moços? São os rebeldes líbios, dizem-nos. Aqueles que saem por aí assassinando e estuprando pretos africanos na suposição de eles serem todos mercenários de Gaddafi. Uma ou mais das vítimas pode ter sido, na verdade, membro de algum batalhão militar do governo líbio; ou não. Nos anos 1990, em nome da unidade pan-africana, Gaddafi abriu as fronteiras para dezenas de milhares de africanos subssaarianos viverem e trabalharem na Líbia. Isso, e mais sua mais antiga visão pan-arábica, não lhe renderam pontos junto a O Sacro Triunvirato. Os chefes corporativos têm o mesmo problema com a formação de sindicatos por seus empregados. Oh, terei já mencionado ser Gaddafi fortemente antissionista?

Alguém sabe que tipo de governo os rebeldes criarão? O Triunvirato não se faz ideia. Em que medida o novo governo incorporará influência islâmica em contraste com o atual governo secular? Que forças jihadistas poderá ele desencadear? (E essas forças realmente existem no leste da Líbia, onde os rebeldes estão concentrados.) Acabarão com grande parte do estado assistencialista que Gaddafi criou usando seu dinheiro do petróleo? Será a economia hoje dominada pelo estado privatizada? Quem acabará dono do petróleo da Líbia? Será que o novo regime continuará a investir receitas do petróleo líbio em projetos de desenvolvivento da África subsaariana? Permitirá uma base militar dos Estados Unidos e exercícios da OTAN? Cedo descobriremos que os "rebeldes" foram instigados e armados pelos serviços de inteligência do Sacro Triunvirato?

Nos anos 1990 Slobodan Milosevic da Yugoslavia foi culpado de "crimes" análogos aos de Gaddafi. O país dele era comumente chamado de "os últimos comunistas da Europa". O Sacro Triunvirato bombardeou-o, prendeu-o e deixou-o morrer na prisão. O governo líbio, deve-se notar, refere-se a si próprio como a Grande Jamahiriya Árabe Líbia do Povo. A política externa dos Estados Unidos nunca se afasta muito da Guerra Fria.

Precisamos olhar cuidadosamente para a zona de voo proibido estabelecida para o Iraque pelos Estados Unidos e o Reino Unido (falsamente asseverada por eles como tendo sido autorizada pelas Nações Unidas) começando no início dos anos 1990 e durando mais de uma década. Era na verdade uma licença para bombardeios muito frequentes e matança de cidadãos iraquianos; amaciando o país para a invasão iminente. A zona de voo proibido mais a força de invasão na Líbia estão matando pessoas todos os dias sem fim à vista, amaciando o país para mudança de regime. Quem no universo pode confrontar O Sacro Triunvirato? Terá a história inteira do mundo visto alguma vez tal poderio e tal arrogância?

E, a propósito, pela décima vez, Gaddafi não promoveu a explosão de bomba no voo 103 da PanAm em 1988.1 Por favor informem isso a seus escritores progressistas favoritos.

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