Ciência Política Quem você trouxe para a liberdade

Publicado em 20 de agosto de 2014 | por Lawrence W. Reed

Quem você trouxe para a liberdade hoje?

Se você participou de eventos, leu publicações ou anúncios da FEE mesmo de forma ocasional nos últimos anos, você, sem dúvida, percebeu algumas mudanças importantes. Houve uma reorganização e mudamos o foco. Ao mesmo tempo, reafirmamos os princípios de nossa fundação (1947). Estamos utilizando mais a tecnologia (internet, mídias sociais, vídeos, seminários online, etc) porque ali está grande parte do nosso público jovem e universitário. Foi dado um novo sopro de vida e entusiasmo à mensagem – tanto no conteúdo, quando na forma de divulgação.

A mudança nunca é fácil e sempre têm um custo, mas como diz o velho ditado, “quem não arrisca, não petisca”. Retornos iniciais confirmam que estamos no caminho certo, o que vem sendo reafirmado em todos os meus pronunciamentos.

No entanto, certas reações dos colaboradores da FEE impeliram-me a escrever esta mensagem. Eu me refiro aos comentários bem intencionados, todavia míopes que parafraseio aqui:

  • Eu acho que vocês deveriam utilizar o mesmo layout que o The Freeman tinha há 40 anos, quando estava entrando na faculdade.
  • Eu não utilize a internet e não assisto a vídeos. Eu só quero ler o que puder segurar em minhas mãos.
  • FEE deveria organizar mais eventos na minha vizinhança, facilitando, assim, a minha presença.

Resumindo: queremos vencer as batalhas intelectuais em prol do futuro da liberdade ou somos somente um clube que presta serviço aos seus membros? Somos monges ou missionários?

Eu não estou desprestigiando os monges. Eles servem a um propósito, suponho. Contudo, um monge não é um missionário. Ambos já estão entre os “convertidos”, por assim dizer, mas é o missionário que se sacrifica em busca de novos seguidores.

Eu tenho alguns amigos libertários, estreitamente associados a FEE por anos, que, de fato, nos imploram a fazer mais – mais artigos e publicações que atendem os seus desejos pessoais, mais eventos dos quais possam participar, etc. Com todo o respeito, essas pessoas são como o passarinho que nunca sai do ninho. Com frequência, o respeito e amizade que tenho por eles me impede de dizer o que realmente penso: “Olha, você já foi convertido. Agora, siga em frente e conquiste novos seguidores. Todo o dólar gasto com você, não será gasto na busca de novos seguidores”.

Talvez eu seja impaciente, mas quero vencer essa batalha (assim como meus colegas e o comitê executivo da FEE). É porque isso que passamos por um longo e cuidadoso processo de planejamento estratégico para identificar o componente menos atendido no mercado da liberdade. Pessoas nos seus 60 anos, que acreditam na filosofia a mais de 45 anos não estão nessa lista (se estivessem, meu nome também estaria).

Esse “pensamento de monges” não é peculiar a um grupo de patrocinadores (colaboradores) da FEE. É muito comum dentro do movimento libertário. Tal fato aparece quando a organização não muda seus métodos para alcançar novos públicos; o professor que escreve vários artigos sem preocupação se serão lidos; a pessoa que afirma grande paixão pelas ideias da liberdade, mas que não se recorda da ultima vez que tentou convencer alguém a abraçar a causa.

Se quisermos ter uma chance de garantir a liberdade para o futuro, temos que nos tornar melhores marqueteiros. Temos que abraçar a mentalidade missionária e praticar as melhores técnicas de conversão. Para nosso fundador, Leonard Read, isso significava dominar a arte da persuasão, buscar oportunidades para abrir mentes e divulgar a ideia da forma mais atraente possível. Read era um evangelista da liberdade, que buscava fazer amigos e influenciar pessoas. Em qualquer um dos 50 anos que devotou à divulgação da liberdade, ele poderia citar centenas, se não milhares de pessoas que ele despertou por meios de panfletos ou de provocações diretas e focadas à consciência.

Muitas vezes ao ano, escuto o seguinte: “tenho orgulho em dizer que ainda tenho todas as edições publicadas da The Freeman desde 1955, guardadas no sótão”. Bem, parabéns. Eu amo a devoção dessa pessoa. No entanto, tenho curiosidade por saber porque essas cópias foram diretamente para o sótão, em vez de serem distribuídas para um jovem que acabou de se convencido.

E se, em vez de 10 edições anuais da The Freeman, reduzíssemos para 5, porém enviando a cada assinante 2 revistas – uma para a sua leitura e outra para distribuição gratuita? Você poderia ser, ao mesmo tempo, um monge e um missionário. E o numero de pessoas que acreditam nos princípios da liberdade cresceria, talvez dramaticamente.

Estou pensando alto, mas você consegue entender. Talvez não seja necessário diminuir o numero de monges, contudo, o fato é que são necessários mais missionários. Pense no potencial se cada amante da liberdade estabelecer um objetivo específico para si mesmo – de forma que, no final do ano, ele possa dizer, “5 ou 10 pessoas, antes desinteressadas na liberdade, abraçaram o conceito neste ano porque eu me esforcei para acender e proteger a chama até que pudesse arder por conta própria. Eu cedi uma cópia da The Freeman e expliquei porque ele/ela deveria lê-la. Encontrei um aluno do ensino médio e a convenci a participar de um seminário da FEE. Ela disse que tal evento abriu seus olhos.” Assim que um movimento cresce e, em ultima instância, conquista mais pessoas.

O prêmio Nobel e economista austríaco, F. A. Hayek, certa vez escreveu:

nós devemos tornar a construção de uma sociedade livre novamente uma aventura intelectual, um feito de coragem… A menos que possamos tornar as fundações filosóficas de uma sociedade livre novamente uma questão intelectual, e sua implementação uma tarefa que desafia a criatividade e a imaginação de nossas mentes mais brilhantes, as perspectivas da liberdade são realmente sombrias. Mas se pudermos recuperar a crença no poder das ideias, marca do liberalismo no seu apogeu, a batalha não está perdida.

Você é um monge ou um missionário? O futuro da liberdade pode depender totalmente de qual dessas duas veneráveis ocupações você escolher.

Você pode fazer uma doação para a manuntenção do Portal Libertarianismo, inclusive em bitcoins, clicando aqui


Sobre o autor

Lawrence W. Reed

Lawrence W. Reed é presidente da Foundation for Economic Education desde 2008. Formado em economia, já foi professor e é um prolifero palestrante



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