Socialismo desigualdade

Publicado em 6 de maio de 2014 | por Terree P. Summer

Vendendo inveja

Como os governos promovem o pior de nós para redistribuir riquezas

O alarde atual com relação à desigualdade tem um toque clássico de clichê. Por um lado, é uma das estratégias mais antigas dos estatistas. Contudo, é uma manobra bem trabalhada pelos governos em todos os lugares. A ideia é apelar para os sentimentos seculares de inveja e culpa que estão presentes em praticamente todas as pessoas: por que alguns deveriam ter mais do que outros? É justo que algumas pessoas ou países possuam rendas e riquezas maiores enquanto outros passam por dificuldades?

A história está repleta de exemplos de inveja induzida por políticos de forma a tentar justificar a redistribuição. Aqueles que fomentaram a Revolução Russa no início do século XX seduziram o proletariado com a propriedade dos ricos. Hitler incitou a população a invejar os judeus, muitos dos quais eram bem sucedidos na Europa, para conseguir construir seu império nacional-socialista. Miquel Faria, no seu livro Cuba in Revolution: Escape from a Lost Paradise, afirma que “como em todos os regimes socialistas, Castro usa a inveja, o ódio de classes e a luta de classes”. Muito semelhante ao regime Peronista na Argentina.

Essa estratégia coloca uns contra outros, permitindo aos políticos despertar uma reação instintiva para ganhar poder. É uma tática efetiva e a retórica da desigualdade permanece um disfarce efetivo, daí a razão pela qual os políticos repetem-na diariamente. Mas as políticas que perpetuam acabarão empobrecendo qualquer país.

A redistribuição da riqueza inevitavelmente rouba a liberdade de todas as pessoas. A igualdade nunca é alcançada; a riqueza é, na sua maioria, revertida às pessoas atualmente no poder, que administram e obtém apoio político por meio de programas redistributivos. As massas permanecem pobres; as pessoas no poder, os supostos defensores dos pobres e oprimidos, pelo tempo que puderem, permanecem lutando para abocanhar sua cota “justa” de riqueza. Esse processo foi verificado algum tempo atrás por Helmut Schoeck, no seu livro de 1966, Inveja: Uma Teoria do Comportamento Social.

De acordo com Schoeck, “os movimentos revolucionários nas repúblicas Sul-Americanas, o bolchevismo na Rússia, os populistas ressentidos nos Estados Unidos (os democratas atuais), todos foram apoiados por aqueles círculos que claramente seriam os primeiros a ter vantagens imediatas no nivelamento da sociedade. Mas sem exceção, e às vezes no decorrer de algumas décadas, a nova casta dominante torna-se a burguesia ou a plutocracia”. Inevitavelmente, aqueles que promovem a inveja como um meio de nivelamento, no final se tornam a mesma classe que previamente desprezavam.

A história nos mostrou que o resultado de tentar alcançar a igualdade de renda é que você produz uma sociedade onde todos conjuntamente serão pobres. Ludwig von Mises, em Socialism, escreveu:

A maioria das pessoas que demandam o maior nível de igualdade de renda possível não percebem que o que desejam seria somente alcançado sacrificando-se outros objetivos. Eles imaginam que a soma das rendas permanecerá inalterada e que tudo que precisam fazer é distribui-la de forma mais equânime em comparação ao que ocorre por meio da ordem social baseada na propriedade privada… Deve ficar claro, contudo, que essa ideia se apoia em um erro grave. Mostrou-se que, não importa a forma pela qual se contemple a igualdade de renda, ela deve sempre e necessariamente levar a uma redução considerável da renda total nacional e, portanto, da renda média. Pois, nós temos então que decidir se somos favoráveis à distribuição equânime de renda sob um nível inferior de renda média, ou desigualdade de rendas sob um nível superior de renda média.  [grifo meu]

Países europeus se voltaram ao socialismo e ao nivelamento de forma vigorosa durante o século XX, em parte com o objetivo de reduzir a igualdade de renda das monarquias, nas quais somente alguns poucos possuíam riqueza e o resto vivia na pobreza. Mas qual tem sido o resultado? De acordo com Richard Florida, co-fundador e editor do The Atlantic Cities, Nos Estados Unidos reside cerca de 1/3 dos mais ricos (60,65 milhões), enquanto a Europa é morada de (54,50 milhões)”. Os números reais não são muito diferentes. Em 2012, 24% (120 milhões de pessoal), das 500 milhões que vivem na União Europeia foram listadas como em risco de pobreza. No mesmo ano, a taxa de pobreza dos Estados Unidos (sendo 318 milhões de habitantes) foi de 15%, aproximadamente, 46,5 milhões de pessoas. As políticas socialistas que tentam nivelar as condições econômicas entre as pessoas fracassam repetidamente. Como Winston Churchill afirmou, “o socialismo é a filosofia do fracasso, o credo da ignorância e o evangelho da inveja” e “sua vantagem é a igual distribuição das misérias”.

Uma sociedade que encoraja a inveja de forma a “equilibrar o jogo” para seus cidadãos é uma sociedade que irá se autodestruir. Programas de transferência de renda (redistributivos, em geral) que requerem altos impostos e controle sobre os indivíduos podem levar à estagnação de uma economia e, até mesmo, ao seu colapso. Existe algo particularmente sórdido com relação aos políticos que brincam com nossos sentimentos (de inveja), É um jogo de poder e controle e pode levar as pessoas a justificar o uso da violência com o intuito de tomar a propriedade alheia. Os cidadãos de todos os países deveriam aprender a reconhecer as tentativas de manipulação de políticos utilizando-se da inveja. Somente quando aprendermos a aspirar e admirar, e não invejar, aqueles que são economicamente mais prósperos, é que veremos nossas economias florescerem.

// Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Terceiro | Artigo Original


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