Inovação & PI startup2

Publicado em 16 de setembro de 2012 | por Bryan Caplan

Um ponto pelas Cidades Startup

Gates Foundation,

Qualquer um sério sobre reduzir a pobreza mundial deve se atentar para um fato chave muito simples: redistribuição dos ricos para os pobres não tem resolvido e não pode resolver mais do que uma pequena fração do problema. Mesmo se você pudesse perfeitamente equalizar a renda nas nações do terceiro mundo com nenhum efeito na produção, os cidadãos do terceiro mundo permaneceriam na pobreza. Pegue o caso de Bangladesh. Com um PIB de U$256B e uma população de 164M, equalização daria no melhor dos casos a casa cidadão uma renda de U$1561 por ano – algo como U$4 por dia. Os países não saem da pobreza através do compartilhamento da produção de forma igualitária. Eles saem da pobreza através do aumento da produção – o que os economistas chamam de “crescimento econômico”.

A primeira vista, aumentar a produção parece extremamente devagar e difícil, requer décadas de investimento em educação, infraestrutura, reforma política, e quem sabe o que mais. Mas há uma forma fácil para as pessoas do terceiro mundo aumentarem drasticamente sua produção do dia pra noite: se mudar para o primeiro mundo. “O prêmio da localização”, um importante artigo de Michael Clemens, Claudio Montenegro e Lant Pritchett, do “Centro Pelo Desenvolvimento Global?” oferece as mais precisas estimativas dos benefícios da migração. Eles descobriram que o efeito do país de residência sobre a renda diminui os efeitos combinados da educação ruim, saúde ruim, hábitos de trabalho ruim, e todos os outros defeitos comumente atribuídos a mão de obra do terceiro mundo. Mantendo as características dos trabalhadores fixas, movendo um haitiano do Haiti pros Estados Unidos aumenta seu salário cerca de 10 vezes – um ganho de 900%. A lição: os trabalhadores do terceiro mundo são menos produtivos do que os do primeiro mundo basicamente porque eles vivem em países disfuncionais.

A melhor solução para a pobreza global, por consequência, é o primeiro mundo permitir níveis altíssimos de imigração. Infelizmente, apesar do nível baixo absoluto (a imigração anual nos Estados Unidos é bem abaixo de 1% da sua população), imigração é atualmente extremamente impopular. Para o futuro próximo, fronteiras mais livres – sem mencionar fronteiras realmente livres – parecem impossíveis politicamente. O desafio, então, é encontrar um substituto próximo para a livre imigração do terceiro mundo para o primeiro. Isso é o desafio da proposta cada dia mais influente das Cidades Startup de Paul Romer.

 

O ponto das Cidades Startup é de criar pacificamente bolsões de governança de alta qualidade do primeiro mundo no coração do terceiro mundo. Como Persuadindo os governos do terceiro mundo a criar novas cidades autogovernáveis isenta da maioria das leis existentes. Essas novas cidades poder ser governadas por lei estrangeira, e administrada por governos externos – ou até mesmo por uma corporação. Enquanto as especificações são intencionalmente flexíveis, há três blocos no núcleo de qualquer cidade modelo:

  1. Um pedaço de terra desocupado do tamanho de uma cidade, provido voluntário por um governo.
  2. Um estatuto que especifica as regras que vão governar a nova cidade.
  3. A liberdade de moradores, investidores e empregados entrar e sair.

O sucesso de Hong Kong é uma inspiração primordial. No início do domínio britânico, a área que agora é Hong Kong era praticamente inabitada. Mas ela tinha uma diferença com o resto da China: regras britânicas – escritas e não escritas, protegida por um tratado de 99 anos com o governo chinês. Enquanto o resto da China sofreu com ciclos de caos e tirania, Hong Kong aproveitou de regras estáveis e pro-crescimento. Investidores estrangeiros julgaram de forma correta que lá era um local seguro e com potencial para se investir. Chineses ambiciosos julgaram de forma correta que lá era um lugar convidativo para viver e trabalhar. E graças ao tratado de 99 anos, até mesmo o ditador comunista Mao Zedong tolerou relutantemente a independência de Hong Kong. Na época que Hong Kong voltou para o domínio do continente, ela não era somente um país de primeiro mundo, mas um modelo para o resto da China copiar.

Em princípio, os países de terceiro mundo podem colocar o preconceito nacionalista de lado e “importar” as regras escritas e não escritas que fizeram o ocidente rico. Mas isso é extremamente difícil. Colocando de lado a intensa oposição populista, é difícil transplantar as instituições de um país para o outro – especialmente quando enfrenta luta de interesses em cada passo do caminho. Isso é verdadeiro no mundo dos negócios também. Competidores frequentemente tentam e falham em imitar as “melhores práticas” das empresas na liderança. A cultura corporativa é notoriamente teimosa. Nos negócios e na política, o sucesso frequentemente requer um ambiente neutro. É mais fácil abrir um novo WalMart do que fazer a logística do Kmart melhor. Defensores das Cidades Startup argumentam que é também fácil trazer “gestão estrangeira” para fazer uma nova cidade funcionar do que reformar os atuais países que não funcionam.

Como o exemplo de Hong Kong sugere, as Cidades Startup tem benefícios diretos e indiretos.

Diretamente, cada Cidades Startup permitiria a milhões de pessoas melhorar suas vidas pela integração a economia mundial. Críticos dizem que isso não passa de uma ilusão. Se os empreendedores nativos que construíram Hong Kong estivessem presos na China continental, a maioria teria desperdiçado suas vidas em empresas sem sentido em comunas maoístas ou entrando para a elite comunista. Hong Kong deu a eles oportunidade de usar seus talentos que de outra forma teriam sido desperdiçados.

Indiretamente, cada Cidades Startup é um farol. Hong Kong brilhou claramente o suficiente para convencer até mesmo a elite comunista chinesa dogmática que a propriedade privada, o investimento estrangeiro e integração econômica com a economia mundial foram o caminho certo. Cidades Startup seriam laboratórios para o desenvolvimento. Modelos de sucesso poderiam ser “copiados e colados” em uma questão de anos, não décadas. E em última análise, elas deveram até mesmo envergonhar o próprio governo nacional que terá que abraçar políticas transparentes de crescimento.

O conceito das Cidades Startup é ideal para o apoio da Gates Foundation. Qualquer filantropia que busca vencer a pobreza global deve dar as Cidades Startup uma audiência justa, mas a Gates Foundation é miais do que somente outra organização filantrópica. A Gates Foundation se destaca pela inovação, empreendedorismo e políticas baseada em evidências. Muitos dos seus princípios guiadores criam uma afinidade natural com o conceito das Cidades Startup  especialmente o Princípio #5 (“Nosso foco… prioriza algumas das questões mais negligenciadas.”), #6 (“Nós identificamos um ponto de intervenção e aplicamos nossos esforços contra a teoria da mudança.”), #7 (“Nós tomamos ricos, fazemos grandes apostas e nos movemos com urgência. Nós estamos nisso pelo longo prazo.”) e #11 (“Entregar resultados com os recursos que nós temos – e procurar e compartilhar informações sobre esses resultados.”) As cidades modelo é uma das poucas propostas intelectualmente sérias na mesa pra reduzir drasticamente a pobreza mundial. Uma “grande aposta” da Gates patrocinando e dando credibilidade nessa “questão negligenciada” poderia facilmente criar um círculo virtuoso.

Outra vantagem das Cidades Startup é que não há virtualmente perdas. Uma Cidades Startup começa em uma terra vazia. Ela pode somente crescer por migração voluntária de trabalhadores e investidores. Se ninguém escolher se mudar, não é pior do que se a cidade modelo nunca tivesse existido. Se os esforços para começar uma cidade modelo falharem, ao menos eles não terão atrapalhado as muitas pessoas que eles tinham intenção de ajudar.

Em contraste, os caminhos que a Gates Foundation pretende atualmente perseguir parecem piores do que não fazer nada. Criar capacidade das organizações trabalhar na base com os pobres urbanos e integrar a voz dos pobres no processo de planejamento parece compassivo. Mas elas podem facilmente retardar o único processo de redução da pobreza que realmente funciona: crescimento econômico. Meu primeiro livro, “O Mito do Eleitor Racional: Porque Democracias Escolhem Políticas Ruins” (Princeton University Press 2007) descobriu que o analfabetismo econômico é especialmente nítido entre os menos educados. Eles são especialmente a perceber a economia como um jogo de soma zero, de temer a interação econômica com estrangeiros, e de ingenuamente focar em consumo do que na produção. Francamente, vozes como essa precisam influenciar menos nas políticas, não mais.

Se você quer aprender o que beneficia os pobres no mundo todo, não peça a eles para tornarem-se cientistas sociais amadores. Veja como eles votam com seus pés. Construa Cidades Startup e os pobres do mundo virão.

Tradução de Juliano Torres | Artigo Original


Sobre o autor

Bryan Caplan

Bryan Caplan é professor de economia na George Mason University e autor dos livros "The Myth of the Rational Voter: Why Democracies Choose Bad Policies " e "Selfish Reasons to Have More Kids". Atualmente está escrevendo o seu novo livro, "The Case Against Education" e para o blog EconLog.



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