Cultura & Humor jovens desempregados

Publicado em 1 de maio de 2014 | por Jeffrey Tucker

Um conselho aos jovens desempregados

Estamos no quinto ano de um mercado de trabalho bem irregular para os jovens. Os últimos números de desemprego mostram, mais uma vez, que eles estão fora das recentes melhoras. Nem mesmo o boom dos empregos temporários os incluem.

Os Estados Unidos tem uma das taxas de desemprego mais altas entre jovens de 20-26 anos do mundo. Aproximadamente metade do exército de desempregados dos EUA está abaixo dos 34 anos. Para aqueles que estão empregados, há uma grande diferença entre o que se espera receber de salário e a realidade do contracheque que é exatamente o que você esperaria em um mundo pós-boom. Uma pesquisa feita pela agência Accenture mostra que mais de 41% dos recentes graduados dos EUA estão desiludidos, subempregados, e não estão utilizando seus conhecimentos adquiridos na universidade em seus empregos.

A nova geração encara desafios que a maioria das pessoas vivas nunca viram. Essa situação requer novas estratégias de adaptação.

O que se segue, então, é minha carta de conselho aos trabalhadores jovens.

Caro Jovem Trabalhador,

Mesmo se não existisse estagnação econômica, você estaria enfrentando um mercado difícil. Isso porque você está entrando no mercado de trabalho praticamente sem nada a oferecer. Nossa sociedade tempos atrás decidiu que era melhor para você sentar em uma mesa por 16 anos em vez de ganhar experiência real de trabalho no mercado que o ajudaria a ser contratado mais tarde.

Mesmo se fosse legal para você trabalhar quando você já é capaz de fazê-lo – a partir da idade de 12 ou 13 – o governo impôs leis de salário mínimo que tiram o valor de seu trabalho no mercado. Então dizem a você que se ficar no colégio, você ganhará um emprego ótimo, com um alto salário logo após a faculdade. Então do nada parece que os empregadores não estão interessados em você. Você está começando a sentir que os empregadores acham que você tem poucas habilidades no mercado e que não tem nenhuma predisposição demonstrada para produzir.

Aqui está a raiz do problema. As pessoas mentiram para você por toda a sua vida.

Quando você era criança, lhe encheram com slogans sobre igualdade para todos. O impulso a competir e vencer foi reprimido em seus jogos de infância, enquanto compartilhar e cuidar dos outros foi exaltado acima de quaisquer outros valores.

Então em algum momento – quando você tinha entre 7 e 10 anos – algo mudou. Todo o papo de compartilhar acabou e um mundo de um-come-o-outro começou. Espera-se que você consiga notas perfeitas, seja excelente em matemática e ciências, seja perfeitamente obediente, fique na escola o maior tempo possível. É dito-lhe que, se você fizer isso, tudo iria dar certo para você.

Dá certo para alguns. Mas somente uma pequena minoria de pessoas estão dispostas a tanta conformidade e aprendizado mecânico. E mesmo para essas pessoas, nem todos conseguem o que fora prometido. E para o resto, não há planos à vista. Espera-se que aqueles que falham em algum momento superem por conta própria de algum jeito.

Como conseguimos chegar nisso? Tudo se resume ao trabalho remunerado. E há a barreira que você encara agora. Você tem o desejo e está olhando para alguma instituição que valoriza o que você tem a contribuir. Mas você não consegue encontrar o que está lhe faltando.

Considere isso: Por que qualquer empresa contrata um empregado? As empresas contratam baseadas na crença de que a companhia irá fazer mais dinheiro com o empregado do que sem ele. A empresa paga, você faz seu trabalho e, como resultado, há maiores ganhos do que fosse o contrário.

Mas pense bem no que isso significa. Significa que você tem que adicionar mais valor do que você tira. Para cada dólar que você ganha, você tem que tornar possível para a empresa ganhar um dólar e mais algo extra. Essa tarefa não é fácil. Empresas tem custos a cobrir além do seu salário. Por exemplo, o governo ordena que as empresas sejam seguradas. Você tem que ser treinado. Pode haver custos do plano de saúde, também. Tem que lidar com incertezas. Tudo isso adiciona-se à responsabilidade que você põe à empresa, que se adiciona ao custo de contratar você.

O que isso significa é que você tem que ser mais valoroso do que você pensa. Por que os empregos que pagam salário mínimo são tão duros? Porque é difícil para um trabalhador inexperiente valer mais do lhe é pago. O empregador tem que extrair o máximo de valor possível da relação com você apenas para fazer essa relação acontecer de fato. Essa relação não pode acontecer de imediato pois a verdade é que você está perdendo dinheiro da companhia nos primeiros meses de emprego simplesmente porque você não é treinado. Você acaba se esforçando como um louco somente para ganhar o mínimo.

Se você já entende essa regra – que você deve adicionar mais valor que você tira – agora você sabe mais que a grande maioria dos jovens trabalhadores. E isso lhe dá uma vantagem. Enquanto todos os outros estão resmungando sobre o excesso de trabalho e o salário baixo, você já sabe por que está tendo que lutar tanto e ser feliz por isso. Você está produzindo mais para a companhia do que tirando. Fazer isso consistentemente é a maneira que você segue em frente. Na verdade, é a chave para a vida.

Mas a fim de seguir em frente, você tem que ser um jogador em primeiro lugar. Não faz bem se acomodar e esperar o trabalho certo com o salário ideal. Esqueça todas as suas expectativas. Se algo, qualquer coisa, aparece, você deve entrar imediatamente. Nenhum emprego é muito degradante, apesar do que é dito a você. O objetivo é apenas entrar no jogo. Sim, você tem expectativas de salário muito maiores, e você pode consegui-las algum dia. Mas não agora.

O primeiro passo é entrar no jogo com algum salário, somente algo, em algum lugar. O medo que tal emprego, qualquer que seja, seja de alguma forma indigno é uma fonte séria de ruína pessoal. Aqueles que estão dispostos a fazer a maioria de empregos “degradantes” são as pessoas que podem fazer uma boa vida para si. Apenas porque você encara aquele emprego como “degradante” não significa que não é valioso para os outros e, especialmente e em última análise, para você.

Você aprende algo de todo trabalho que você tem. Você aprende como interagir com outros, como um negócio funciona, como as pessoas pensam, como os patrões pensam, e como aqueles que vencem vão em frente contra aqueles que falham. Trabalho é um tempo para aprendizado, tanto quanto ou até mais que a escola.

O medo número um das pessoas é que seu trabalho irá de alguma forma definir suas vidas. Portanto, elas concluem que um emprego de caixa no Walmart irá redefinir ou idiotizar quem elas são. Essa noção é completamente falsa. Aquele trabalho é um tijolo em sua fundação.

A fim de conseguir qualquer emprego, você tem que fazer mais que deixar um currículo ou enviar um online. Você tem que sair da embalagem. Isso significa que você tem que se vender como uma commodity. Você tem que comercializar a si mesmo (e marketing é o aspecto menos valorizado e ainda assim mais crucial de todos os atos comerciais). Isso não é degradante; é uma oportunidade. Descobrir tudo o que você puder sobre a companhia e seus produtos. Depois de solicitar o emprego, você precisar voltar várias vezes, encontrar os gerentes, encontrar os donos, tudo com o objetivo de mostrá-los quanto de valor você irá adicionar à empresa deles.

Nesse novo emrpego, o sucesso não é difícil, mas requer disciplina. Apenas siga algumas regras simples. Nunca se atrase. Faça primeiro o que quer que seja que seu supervisor imediato fale para você fazer. Faça mais rápido e minuciosamente do que ele ou ela espera. Quando o trabalho está feito, faça algumas coisas inesperadas que adicionem valor ao meio. Nunca reclame. Nunca fofoque. Nunca participe das políticas da empresa. Seja um empregado modelo. Esse é o caminho rumo ao sucesso.

Não é apenas sobre adicionar valor à empresa. É sobre adicionar valor a si mesmo. A era digital tem nos dado todos os tipos de ferramentas incríveis para acumular capital pessoal. Ter uma conta no LinkedIn e anexar seu emprego a uma identidade pessoal. Começar a botar pra funcionar essa rede essencial. Essa rede é algo que irá crescer ao longo da sua vida, começando agora e durando até o fim. Pode ser a mercadoria mais valiosa que você tem além de seu próprio caráter e suas habilidades. Tenha posse de sua experiência de trabalho e faça o seu próprio caminho.

Enquanto estiver fazendo todo esse excelente trabalho, você precisa estar pensando sobre dois possíveis caminhos adiante, cada um deles igualmente viável: progredir nessa mesma empresa ou mudar para outra empresa. Você deve ir para onde é melhor para você. Nunca pare de olhar para seu próximo emprego. Isso é verdade agora e sempre será com o passar de sua vida.

Um grande erro que as pessoas cometem é se envolver emocionalmente em uma instituição. A lei encoraja essa atitude ao amarrar todos os tipos de vantagens ao emprego status quo você tem atualmente. Você tem plano de saúde, tempo livre, melhores horários, e é sempre mais fácil ficar com o que é certo. Fazer isso é um erro. O progresso vem através de rompimentos, e algumas vezes você tem que romper a si mesmo para fazer esse progresso acontecer.

Estar disposto a renunciar a segurança de um emprego para a incerteza de outro dá a você uma beira. A pessoa média ao seu lado irá sacrificar cada princípio e cada verdade por essa sensação de segurança. As pessoas, com poucas exceções, sentem medo da incerteza de um futuro incerto mais que a conhecida segurança de um conhecido status quo. Eles abrirão mão de todo direito e um pouco de suas almas pela promessa de segurança (seja por meio de um pagamento ou de um policial armado), mesmo ao ponto da miséria pessoal ou através da obediência a um déspota cruel (seja ele um chefe ou um ditador). Você pode se livrar dessa tendência, mas requer coragem, tomada de riscos, e um ato consciente de desafiar o convencional.

Você sempre deve pensar de si mesmo como uma unidade produtiva que está sempre no mercado de trabalho. Você pode ir de instituição para instituição, sempre melhorando suas habilidades e portanto seus salários. Nunca fique com medo de tentar algo novo ou mergulhar em um novo ambiente de trabalho.

Uma administração de finanças inteligente é crucial. Nunca viva no nível que corresponda à sua renda. Seu padrão de vida, ao invés, deve corresponder sua próxima-melhor oportunidade de emprego, aquela que você busca ou aquela que você pode pegar na próxima vez. Se você se apegar a essa prática – e requer disciplina – você será livre para escolher onde trabalhar e assumir maiores riscos. Você também irá desenvolver um abafamento de que algo possa dar errado.

Ao mesmo tempo, deve haver vantagens ao se manter em um lugar, mesmo se todos os outros ao seu lado estão movendo-se de lá pra cá. Mesmo se isso acontecer, você ainda deve pensar de si mesmo como um ser no mercado. Você governa a si mesmo. Não sinta-se obrigado a ninguém, mas entenda também que ninguém deve a você um meio de vida. Essa é a única forma de fazer julgamentos claros sobre seu caminho na carreira.

Em todo emprego, você irá aprender tanto sobre ética humana, psicologia, emoções e comportamento. A maioria do que você irá aprender será esclarecedor e encorajador. Parte disso, entretanto, não é bonito e pode surgir como um choque para você.

Primeiro, você irá descobrir que as pessoas em geral são extremamente relutantes em admitir erros. As pessoas irão defender uma opinião ou uma ação até o fim, mesmo se cada pedaço de lógica e evidência esteja contra. Desculpas sinceras e admissões de erro genuínas são as coisas mais raras nesse mundo. Não há razão de forma alguma em exigir desculpas ou em ficar ressentido quando eles não admitem o erro. Apenas siga em frente. Você não deve esperar que seja sempre recompensado por estar certo. Pelo contrário, as pessoas geralmente ficarão ressentidas e tentarão te deixar pra baixo.

Como você lida com esse problema? Não fique frustrado. Não busque por justiça. Aceita a realidade por aquilo que ela é. Se um emprego não está funcionando, siga em frente. Se você for demitido, não busque vingança. Raiva e ressentimento não trazem absolutamente nada. Mantenha um olho no objetivo de avanço profissional e pessoal, e pense em tudo que possa interromper seu caminho como uma forma de diversão e uma distração.

Segundo, todos queremos acreditar que fazer um bom trabalho e tornar-se excelente em algo irá gerar uma recompensa pessoal. Isso nem sempre (ou mesmo geralmente) é verdade. Excelência o torna um alvo de inveja daqueles em volta que falharam por comparação. Excelência geralmente pode prejudicar suas expectativas de sucesso. A meritocracia existe, e mesmo prevalece, mas é conseguida através de sua própria iniciativa, e nunca é garantida livremente por algum indivíduo ou instituição. Todo o progresso pessoal e social aparece porque você sozinho se esforçou através das tentativas de todos ao redor de você de parar-lhe.

Terceiro, as pessoas tendem a possuir uma tendência de status quo e preferirem seguir ordens e instruções; a maioria das pessoas não consegue imaginar como o mundo ao torno deles pode ser diferente através da iniciativa e da mudança. E você pode treinar a si mesmo para imaginar um mundo que ainda não existe – exercitar o uso da imaginação e da criatividade em um âmbito comercial – você pode tornar-se a mais pessoa mais valiosa do lugar. Você pode estar entre aqueles que podem ser reais empreendedores. Você pode até mesmo mudar o mundo.

À medida que você desenvolve o uso desses talentos, e eles tornam-se ainda mais valiosos para aqueles em volta, lembre-se que você não é infalível. O mercado de trabalho pune o orgulho e a arrogância e recompensa a humildade e o espírito de aprendizado. Seja feliz por seu sucesso, mas nunca pare de aprender. Há sempre mais a conhecer porque o mundo está sempre mudando, e nenhum de nós pode saber tudo. A chave para prosperar nessa vida é estar preparado para não apenas mudar com isso mas ficar na frente da mudança e controlá-la.

Daqui em diante, com o desemprego e com poucas perspectivas adiante, seu futuro pode parecer sem esperanças. Essa percepção não é verdadeira. Há barreiras, sem dúvida, mas elas estão lá para ser ultrapassadas por você e somente por você. O mundo não funciona da maneira que lhe falaram que funciona quando você era criança. Lide com isso e comece a se envolver na realidade acerca de você agora da maneira que ela é, usando inteligência, astúcia e charme. Você é o tomador de decisão, e o seu sucesso ou fracasso em última instância depende das decisões que você toma.

De várias formas, você é uma vítima de um sistema que conspirou contra você. Mas você não irá a lugar nenhum agindo como uma vítima. Você não precisa ser uma vítima. Você tem livre arbítrio e a habilidade de autonomia; de fato, você possui o direito humano de escolher. Hoje é o dia de começar a exercitá-lo.

|| Tradução de Robson Silva. Revisão de Ivanildo Terceiro. Original em inglês


Sobre o autor

Jeffrey Tucker

É o presidente da Laissez-Faire Books e consultor editorial do mises.org. É também autor dos livros It's a Jetsons World: Private Miracles and Public Crimes e Bourbon for Breakfast: Living Outside the Statist Quo.



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