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Publicado em 28 de março de 2014 | por Zenon Evans

Os ucranianos e o venezuelanos precisam de armas para serem livres

Os Estados Unidos não os salvarão, então é melhor que sejam capazes de se defenderem

Andrey Illarionov, do Cato Institute, em uma entrevista recente sugeriu que a Ucrânia está tentando ser “livre e independente”. Para conquistar tal objetivo, frente à uma invasão russa, é imprescindível que “os ucranianos estejam armados”. Ele argumenta que “a humanidade não desenvolveu nada melhor” do que “a posse desimpedida de armas” para assegurar que “um homem livre não se tornará escravo”.

O argumento que uma sociedade armada é uma sociedade cortês não é apenas senso comum. Uma pesquisa de 2013 abrangendo os Estados Unidos e a Europa publicada no Harvard Journal of Law & Public Policy concluiu que “nações com controle severo do porte de armas tendem a ter taxas de assassinato maiores do que as nações que permitem armas, mas elas não reduzem a violência, a qual é determinada por fatores socioculturais e econômicos básicos”.

Um estudo de 2008 por David Kopel do The Independent Institute analisou 59 países, e “os dados mostraram [...] que as nações com os maiores índices de posse de armas tendem a possuir maior liberdade política e civil, maior liberdade econômica e prosperidade, além de menos corrupção do que as outras nações.”

A Venezuela – onde as pessoas estão lutando contra um taxa de homicídios, redução das liberdades civis e uma economia em franco declínio – de forma previsível e infeliz está no lado errado dessa estatística. Subtraindo o número estratosférico de homicídios e somando uma invasão externa, a Ucrânia também está em uma situação delicada.

Os protestos começaram na Venezuela como uma resposta pacífica às condições degradantes e perigosas do país. Hoje, vinte e nove pessoas estão mortas e centenas foram feridas [N.R.: Desde que o artigo foi escrito, pedras.

Essa disparidade existe, em parte, porque Hugo Chávez proibiu a posse privada de armas de fogo em 2012, afirmando que essa era a raiz dos problemas criminais da Venezuela. A proibição assegurou o poder do regime como monopolizador violência e tornou os indivíduos obedientes à lei mais vulneráveis do que nunca.

Uma pesquisa do Instituto Small Arms destaca o fato de que “o exército e as polícias venezuelanas servem como uma importante fonte de armas ilegais”, e de acordo com o Observatory on Violence da Venezuela, a polícia assassina “milhares” de pessoas a cada ano. A invasão da Guarda Nacional à uma fábrica de papel higiênico no ano passado teria sido cômica se não fosse um sinal claro de que o país é perigoso para qualquer pessoa que não faz parte da elite no poder.

A pátria de Bolívar registrou aproximadamente 25.000 homicídios em 2013, um número maior que os 21.600 de 2012. Os venezuelanos se sentem indefesos diante de tantos crimes. Tanto a crescente taxa de homicídios quanto a frustração subsequente, a qual despertou os protestos, poderia ter sido evitada se Chávez não tivesse desarmado seu povo.

A Ucrânia tem leis severas sobre a posse de armas, o que faz com que no país apenas 6.6 em cada 100 cidadãos consigam legalmente ter em seu poder armas de fogo. Quando começaram os protestos pacíficos contra a corrupção no final do ano passado, o presidente agora deposto respondeu com maior restrição aos direitos dos cidadãos e aumento do uso da violência. Em fevereiro, as forças governamentais começaram a utilizar armas letais contra os manifestantes, os quais possuíam algumas armas, mas, em grande parte, eram apenas armas improvisadas. Cerca de 100 pessoas foram mortas e mais 1000 feridas pelas forças governamentais.

A violência não tem sido a tática preferida dos manifestantes em nenhum dos países e isso não seria diferente se fossem capazes de se defender com armas não primitivas. O que teria mudado, contudo, é a tática do governo. O governo poderia ter evitado tanto derramamento de sangue e como a NPR descreve a situação na Venezuela: “as piores violações dos direitos humanos nos últimos 15 anos”, se as forças governamentais e seus aliados considerassem seus compatriotas como iguais (em poder de fogo, se não por outra razão) em vez de alvos fáceis. Isso funcionou em certa medida na Ucrânia: pouco depois que civis tomaram um arsenal do governo, muitos policiais pararam de lutar com eles e passaram a defendê-los.

Agora que Rússia anexou uma região da Ucrânia e ainda representa uma ameaça a outras regiões do país, o argumento em prol da posse de armas somente se fortaleceu.  O novo governo da Ucrânia, liderado pela oposição, não pode efetivamente proteger o resto de seus cidadãos, porque o exército está desmantelado. E embora as pessoas estejam se alistando a recém criada força nacional, de forma a obter armas para se protegerem, isso ainda não é o bastante para garantir a segurança de todos.

É imoral negar às pessoas a possibilidade de dispor das melhores armas para sua própria defesa. Banir e restringir o porte de armas colocou a Venezuela e a Ucrânia em situações complicadas. O regime da Venezuela obviamente não tem intenção de ceder poder às pessoas que tem machucado, mas se a oposição for bem sucedida, espera-se que priorize a reversão dessa política prejudicial de banimento às armas. A Ucrânia está em uma posição diferente, e o seu povo agora possui liderança representativa. Pelo seu bem e de seus constituintes, aquele governo deve reconhecer que o direito ao porte de armas é imperativo, como Illarionov argumenta, para assegurar que o país permaneça livre.

// Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Terceiro. | Artigo Original


Sobre o autor

Zenon Evans

Zenon é editor na revista Reason



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