Liberdade Cívil Fast Food

Publicado em 24 de setembro de 2014 | por Nadeem Esmail

Tributar comidas “não-saudáveis” não reduzirá a obesidade

Parece que associações de saúde estão mais uma vez pedindo por um “imposto de gordura”: impostos em comidas que alguns nutricionistas e pesquisadores não querem que comamos ou bebamos.

Infelizmente, a falta de reflexão sólida por trás da demonização de bebidas açucaradas ou menos lanches menos saudáveis não mudou, tampouco a brusca, imprecisa e injusta natureza de um imposto sobre fast food ou bebidas açucaradas.

Não importam as boas intenções, tributar determinados alimentos para nos tornar mais saudáveis continua a ser uma política pública ruim. Há vários motivos para isso, sendo o mais fundamental que tais impostos afetam todos, independente da sua cintura ou estilo de vida.

Considere o caso da canadense que corre três vezes por semana, pratica esportes regularmente, tem uma dieta balanceada e tem um condicionamento físico excelente. Se ela quer relaxar com pipoca e assistir um filme no fim de semana, ou comer uma barra de chocolate com o almoço, por que ela deveria pagar mais por isso?

Notoriamente, em 2012, 52,5% dos canadenses com 18 ou mais anos e 21,8% da juventude canadense (na faixa de 12 a 17 anos) declararam estar acima do peso ou obesos. Em outras palavras, vire essas estatísticas e uma parte considerável da população adulta e a maioria dos jovens não estão acima do peso ou obesos pelos padrões do índice de massa corpórea (a métrica comum de sobrepreso e obesidade).

Impostos sobre fast food ou bebidas açucaradas não somente falham em distinguir entre os canadenses acima do peso ou obesos e os que não são, como também são uma forma regressiva de tributação. Muitos estudos mostram que dietas com alimentação menos saudáveis são menos caras que dietas com alimentos mais saudáveis. E mais, classes socioeconômicas mais baixas tipicamente são mais dependentes de fast foods para sua nutrição. Tudo isso sugere que os impostos sobre comidas menos saudáveis/mais gordurosas terão um efeito desproporcional nos canadenses de baixa renda.

Impostos sobre fast food também não garantem reduzir o consumo calórico geral, como alguns esperam. É importante notar que o consumo de fast food (um alvo comum para o “imposto de gordura”) pode ser relativamente indiferente a mudanças de preço, porque os indivíduos podem simplesmente trocar para outros alimentos não-tributados, mas ainda assim energeticamente densos (muitas calorias por porção).

Então vem o problema de se definir quais alimentos devem ser tributados e as dificuldades no meio disso (pense nos sucos de fruta, por exemplo). Isso sem dúvida irá requerer mais burocracia: uma nova agência precisaria ser criada para determinar que tipos de comida e bebida se qualificam para o imposto e quais devem ser isentos. A proposta de que tais impostos sejam compensados com subsídios ou cortes de impostos para comidas mais saudáveis ou em outras áreas só agravam mais este problema.

Focando em apenas um gênero alimentício, como bebidas açucaradas, não necessariamente se resolve esses problemas ou os esboçados acima.

Aqueles que desejam demonizar refrigerantes precisam se contentar com uma realidade problemática: de acordo com a Statistics Canada, o consumo de refrigerantes caiu 35% no Canadá entre 1999 e 2012. Ainda assim, a obesidade subiu nesse período.

Fundamentalmente, o quanto comemos (de todos os alimentos), o quanto exercitamos, e como vivemos nossa vida, de uma forma geral (mais os fatores genéticos) determinam o número da nossa cintura. E ainda assim, a relação com a má saúde não é clara e óbvia e muitos estudos mostram como um pouco de peso extra pode ser protetor.

O consumo de comidas mais gordurosas ou menos saudáveis, quando balanceado com outras comidas e exercícios não tornará uma pessoa obesa ou com excesso de peso, tampouco necessariamente levará a uma saúde pior. Nenhuma comida ou bebida sozinha pode ser responsabilizada por ganho de peso.

Soluções demasiado simplistas para a obesidade, que demonizar uma indústria ou produto alimentício, são más políticas públicas. A realidade é que impostos sobre fast food ou bebidas açucaradas são ineficazes, instrumentos brutos que falham em reconhecer as complexas e diversas da obesidade. É hora de colocarmos essas ideias no seu lugar de direito: no cesto de lixo.

//Tradução de Luiz Rodrigo de Souza. Revisão de Adriel Santana. | Artigo Original


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