Economia professor raimundo e o salário ó

Publicado em 7 de maio de 2014 | por Dean Russel

Salários altos criam empregos?

Você provavelmente deve ouvir isso em todo lugar: os salários devem ser mantidos altos de maneira a aumentar o poder de compra dos assalariados, sendo que, em decorrência disso, eles podem comprar os produtos que eles produziram nas fábricas, mantendo toda a mão-de-obra ocupada e evitando crises.

Na teoria e na prática, o clichê dos “altos salários e gastos” confunde a questão de duas formas. Em primeiro lugar, apesar da divisão da renda industrial entre os assalariados e os acionistas (que ganham dividendos), aquela renda será gasta de uma forma ou outra para mais bens e serviços. Então, a questão não são “os gastos” propriamente, mas sim quem gasta e com o quê. Em segundo lugar, é o investimento em capital (que também é “gasto”) que constrói as fábricas e provem os empregos que fazem parte dessa discussão.

Na verdade, quando ocorre um aumento na porcentagem da renda industrial total direcionada aos salários, é também provável que ocorra um aumento no desemprego. Assim que funciona: quando uma companhia tem prejuízo ou apura lucros pequenos, uma maior porcentagem da renda disponível para ser distribuída obviamente vai para as mãos dos empregados, em detrimento dos patrões. Durante tais recessões e depressões, os proprietários recebem pouco ou nada; os empregados às vezes recebem tudo. Por incrível que pareça. é precisamente durante esses períodos de prejuízo ou pequenos lucros que o desemprego é elevado.

O Departamento do Comércio (Survey of Current Business series – tradução livre, Relatório sobre a Situação dos Negócios) irá confirmar o seguinte: quando a porcentagem da renda nacional indo para o capital é maior do que o normal (isto é, quando os lucros industriais estão acima da média), os empregos são abundantes e o desemprego é comparativamente baixo. Esta correlação entre altos lucros e mais empregos deveria ser óbvia para todo mundo, dado que você pode facilmente deduzi-la do fato que as companhias falem e fecham as portas quando existem prejuízos ou lucros insuficientes. Mas por alguma razão desconhecida, a relação direta e observável entre os empregos na indústria e os lucros é sempre negada pelos líderes sindicais e os oficiais do governo.

Desde 1930 e dada a nossa política governamental deliberada de manter salários acima dos níveis do livre mercado, o desemprego em tempos de paz tornou-se nosso problema econômico mais persistente. E milhões de trabalhadores norte-americanos ainda estão desempregados hoje em dia, apesar do maior poder de compra (e consumo) de nossa história. Ainda assim, grande parte dos líderes sindicais e legisladores afirmam que eles irão corrigir a situação por meio do aumento de salários em detrimento dos lucros!

Todo o “poder de compra” do mundo não pode criar nem mesmo um emprego permanente em uma economia onde o retorno do capital é negligível ou basicamente nada. Isto é, se todos os trabalhadores do mundo tivessem o dobro de dinheiro que gastam hoje, nenhum emprego iria consequentemente ser criado ao menos que os proprietários das fábricas acreditassem que poderiam lucrar de forma satisfatória. É o atual e antecipado retorno sobre o capital, não o poder de compra do consumidor como tal, que gera o investimento em novas construções e máquinas, e a resultante criação de maior produção e mais empregos. Então, leis e políticas sindicais coercivas que aumentam os salários em detrimento dos lucros não criam empregos; elas os destroem.

// Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Juliano Torres | Artigo Original


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