Trabalho Parabéns! Nós aumentamos o salário mínimo

Publicado em 17 de janeiro de 2014 | por Sheldon Richman

O salário mínimo prejudica os mais vulneráveis

Lágrimas de crocodilo estão novamente sendo derramadas em relação aos pobres. No Discurso sobre o Estado da União, o presidente Obama propôs aumentar o salário mínimo de 7.25 para 9 dólares à hora. Um debate está acontecendo entre aqueles que apoiam a proposta e aqueles que favorecem a manutenção do valor atual. Mas existem boas razões – pelo bem dos pobres – para repelir todas as leis de salários mínimo.

Os salários não são estipulados por leis, mesmo na economia norte-americana, a qual é severamente distorcida por privilégios governamentais. Os salários, em vez disso, são determinados pela oferta e demanda. Se o preço do trabalho não especializado aumenta, por que os empregadores não comprariam menos? Nenhum empregador poderia pagar um trabalhador mais do que o valor que ele produz para a empresa. É por isso que a teoria econômica e a observação empírica informa-nos que um salário mínimo decretado por lei destrói empregos, rebaixa a qualidade de outros empregos e evita que novos empregos sejam criados.

As vítimas são as pessoas mais vulneráveis na sociedade: os trabalhadores não especializados. Grande parte é composta de jovens (muitos da classe média) sem experiência laboral. Poucas pessoas acima de 24 anos recebem o valor do salário mínimo, e aqueles que conseguem progridem rapidamente. Os jovens desesperadamente necessitam daquele primeiro emprego para obter a experiência e comportamento, e, é claro, renda, mas os políticos “progressistas”, sabendo ou não, favorecem políticas que destroem esses “primeiros empregos”. Lembre-se: as leis de salário mínimo não geram empregos; elas proíbem empregos que pagam pouco.

Os defensores do salário mínimo deveriam explicar o porquê acreditam que a competição entre empregadores já não aumentou os salários dos trabalhadores não especializados de modo a refletir sua produtividade. Como alguém pode saber que um mínimo de US$ 9,00/hora não irá gerar a demissão desses trabalhadores despreparados, pois sua empregabilidade torna-se mais onerosa? Ninguém pode saber isso porque somente o processo de mercado pode gerar e revelar tal informação. Não obstante, “progressistas” estão dispostos a brincar com as vidas das pessoas que já estão vulneráveis de todo o jeito.

Anos atrás, a juventude despreparada limpava para-brisas e verificava óleo nos postos de combustíveis, mostrava os lugares em cinemas, e empacotava nos supermercados. Muitos desses tipos de emprego desapareceram com o aumento do salário mínimo. O desemprego juvenil, especialmente entre os negros, tem sido escandaloso desde então.

Se os defensores do salário mínimo realmente se preocupassem com pessoas de baixa qualificação e renda, eles apoiariam a eliminação das inúmeras barreiras governamentais ao empreendedorismo e à formação de pequenos negócios, prejudicando os trabalhadores. Entre elas, estão: o licenciamento profissional, restrições aos camelôs, o zoneamento, tornando mais difícil a todos que vivem no limite começar negócios modestos e contratar pessoas em situação similar.

Não é coincidência que essas barreiras governamentais ao auto-emprego existem: empresas estabelecidas, as quais são sempre bem conectadas à elite governamental, não gostam da competição livre que floresceria a partir da abordagem laissez-faire, pois ameaça diretamente sua dominância.

O fracasso no combate a essas intervenções pró-pobreza indica que ou os supostos representantes dos pobres são ignorantes no que tange à economia ou são simplesmente falsos. Não nos esqueçamos de que os maiores apoiadores do salário mínimo são os líderes sindicais, cujos membros possuem rendas muito acima do mínimo. Antes de assumirmos que o motivo é humanitário, vale lembrar que tal legislação foi primeiramente proposta anos atrás por pessoas que queriam livrar-se da concorrência – particularmente de negros e mulheres – do mercado.

O economista Russ Roberts aponta outra consequência negativa do salário mínimo: ele “encoraja a exploração” dos trabalhadores por meio da criação “de um exército reserva de desempregados”, dado que o mínimo legislado cria um excedente de trabalho. Roberts escreve:

 Antes do salário mínimo, um empregador cruel e egoísta teria que orientar seus empregados ou treina-los ou ser bom para eles apesar de sua natureza. Agora, ele não precisa mais. Ele ainda pode conseguir trabalhadores para a sua empresa. De forma ainda mais cruel, o salário mínimo encoraja os trabalhadores a explorarem a si próprios. Eles trabalham mais e aguentam mais abusos do chefe porque o salário mínimo reduz as alternativas disponíveis.

É assim que os trabalhadores menos capacitados deveriam ser tratados? Por quanto tempo os chamados progressistas podem escapar fingindo que se preocupam com os pobres quando eles continuam a apoiar medidas que encorajam a exploração dos mesmos e a pobreza continuada?

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Sobre o autor

Sheldon Richman

Sheldon Richman é um escritor político americano, acadêmico, ex-editor da revista The Freeman, atual vice presidente da Future of Freedom Foundation e editor da Future of Freedom, publicação mensal da FFF.



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