America Latina Venezuela

Publicado em 17 de fevereiro de 2014 | por Gustavo Coronel

Resistência não violenta sim, mas aberta e perseverante

O que estamos observando neste momento na Venezuela é um ato de resistência aberta, não violenta, por parte dos venezuelanos dignos, cansados de serem humilhados e oprimidos por uma quadrilha de ignorantes, ineptos e corruptos. Admiro e apoio estes venezuelanos que tem tomado as ruas para protestar contra a quadrilha que está no poder, uma quadrilha com vinculações com o narcotráfico, inepta no uso dos bens públicos e nas políticas públicas, além de muito corrupta.

Estou convencido de que a única alternativa digna para a Venezuela que ambiciona ser democrática, próspera e livre é tomar as ruas para acelerar a saída dessa quadrilha apodrecida do poder. Não sei quantas centenas, milhares ou milhões de venezuelanos pensam da mesma forma, mas mesmo quando ninguém mais pensava assim, seguimos agarrados a essa postura.

Protesto 1

O núcleo principal dos manifestantes é representado pelos estudantes venezuelanos, ainda que líderes democráticos como Leopoldo López, María Corina Machado, Diego Arria e Antonio Ledezma estejam plenamente identificados com este movimento de protesto, bem como organizações profissionais, empresariais e sindicais. Em resumo, uma boa parte da sociedade civil.

Apesar de afirmar que continuaríamos a apoiar este movimento de protestos abertos e não violentos ainda que não contássemos ao nosso redor com o apoio popular significativo, está evidente que este apoio existe, tanto na Venezuela como no exterior. A coragem e a decisão dos jovens manifestantes tem gerado uma tomada de posições cada vez mais crescente entre muitos venezuelanos que estavam assistindo a tudo sem participar. Porque só ação não pode estimular ação. Durante algum tempo, a inércia de nossas lideranças estimulou a inércia de quem os segue, mas o que estamos vendo neste momento é uma ação por parte dos venezuelanos que estão decididos a recuperar nossa dignidade como povo.

Se ouvem vozes que tendem a desencorajar os manifestantes, ainda que de boa fé. Argumentam estas vozes que não é possível “derrubar” um governo armado até os dentes como o desta quadrilha. Alegam que os pobres “não estão conosco”, que há que “termos paciência”. E estes argumentos que soam diferentes tem somente o propósito de desestabilizar os protestos, de garantir que tudo siga da mesma forma, permitindo que o regime que domina a Venezuela continue sendo a vergonha do mundo livre e que a população venezuelana se aproxima cada vez mais da condição de escravos de uma ideologia fracassada.

Muitas vozes estão se levantando a cada hora que se passa em apoio aos protestos e em crítica ao regime quadrilheiro: Oscar Arias, a União Europeia, John Kerry, as organizações internacionais de Direitos Humanos, acusam o regime de repressão, de homicídios, de prisões e torturas, de supressão da imprensa. Se pede a utilização da Carta Democrática Interamericana.

Protesto 2

Maduro é visto hoje em muitos lugares do mundo como um criminoso, como foi Muammar Gaddafi, como foi Saddam Hussein, como o é Bashar al-Assad. Quem o apoia está escondido atrás da “Cortina Bananeira”: Castro, Ortega, Morales, Kirchner e algumas personalidades e organizações mercenárias em vários recantos do mundo, todos quem tenham se beneficiado com o dinheiro que era nosso, dos venezuelanos.

Aqueles que se sentem desanimados devem pensar no seguinte: o regime atual está profundamente fraturado internamente. O “sátrapa” no cargo é um analfabeto ridicularizado até mesmo por seus seguidores. Seu apoio reside nos chamados “Coletivos”, grupos urbanos mafiosos, com laços estreitos com a criminalidade comum e um setor das forças armadas que tem recebido enormes somas de dinheiro e outras benesses para comprar sua lealdade, espécie de “janízaros tropicais” que podem se revoltar a qualquer momento, quando a “sátrapa” não tiver mais dinheiro para lhes dar.

O alto comando militar está ao lado do regime porque tem muitos crimes pelos quais responder e estão usando os soldados para proteger-se. Porém os soldados, que deveriam saber qual é seu dever constitucional, não tem porque fazê-lo e nem todos o farão.

Enquanto isso, há um país que está na expectativa, porque a batalha não é entre o “povo chavista” e o “povo opositor”. Na Venezuela não há uma guerra civil. Não, há uma batalha entre a máfia que está no poder e os cidadãos que estão protestando abertamente. E a cada minuto que passa as atrocidades da repressão debilita o regime e atua a favor de quem deseja viver numa Venezuela decente e digna.

Estou do lado dos protestos não-violentos, mas na rua, abertamente, sem trégua, até que a quadrilha recolha suas armas e deixe de açoitar o país, até que o último castrista tenha regressado a sua caverna e deixe de sujar nosso solo com sua presença.

//Tradução e revisão por Adriel Santana | Artigo original: http://is.gd/UgVF62


Sobre o autor

Gustavo Coronel

Gustavo Coronel é um cientista político venezuelano e ex-deputado federal pela Venezuela. Escreve para o Cato Institute, onde publicou o estudo "Corruption, Mismanagement and Abuse of Power in Hugo Chavez''s Venezuela", e no seu blog pessoal "Las Armas de Coronel".



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