Anarquismo de Mercado polícia desonesta

Publicado em 27 de fevereiro de 2014 | por Jeffrey Tucker

O policial .vs. o ladrão na estrada

Em algum lugar de minha pasta eu tenho um envelope com uma multa que recebi de um policial depois de ser parado em uma estrada federal no Texas. Eu estava a 130 km/h em uma região onde o limite era 120 km/h.

Então, é claro, esse grande servidor do bem público tinha que me parar antes que eu colocasse em perigo as vidas de muitos outros cidadãos, inclusive aqueles que estavam andando a 135 km/h ou 144 km/h que estavam ultrapassando pela direita e pela esquerda. Eu fui pego porque – bom, provavelmente porque os outros estavam muito rápidos para serem alcançados.

Então, esse cara me pára e me informa sobre o meu mau comportamento. Ele explica que não tenho permissão para fazer o que eu estava fazendo e que, portanto, ele terá que me dar uma intimação. Contudo, ele me assegura que essa intimação não significa que eu sou necessariamente culpado. Esse é um governo de leis, não de ordens arbitrárias dadas por pessoas fortemente armadas em coletes à prova de balas, e, portanto, eu tenho um direito constitucional a um julgamento justo. Ou é isso que nos dizem com frequência.

Comecei a pressioná-lo um pouco, o que eu provavelmente não deveria ter feito a fim de não ser preso novamente. Mas não aguentei.

“Vamos dizer que eu acho que você está errado. Quer dizer, você está provavelmente certo, mas vamos supor que eu acho que você inventou tudo isso. Eu posso contestar isso na frente do juiz?”

“Sim, senhor, você poderia. Veja a data do júri”.

“E onde é o tribunal?”

“É aqui nessa comarca”.

É claro que tive que lhe explicar que eu estava indo para o aeroporto e que eu vivia a 1600 km dali. Eu perguntei se eu poderia usar o Skype ou o Google Hangout para comparecer a minha audiência.

“Me desculpe, senhor, você deve comparecer em pessoa”.

Prossegui, dizendo: “Então, eu tenho de dirigir até Atlanta, tomar um avião para Dallas, alugar um carro e dirigir 170 km em uma data particular de forma a assegurar meus direitos? Você entende que isso me custaria provavelmente dois dias de trabalho e possivelmente US$ 1000?”

“Bem”, ele disse, “como você faz para chegar no tribunal é problema seu”.

“Qual é o valor da multa?”, perguntei.

Ele disse que o custo está impresso na própria intimação. O melhor que posso dizer é que me custará cerca de US$ 135,00. Eu perguntei se, se ele estivesse no meu lugar, ele preferiria gastar US$ 135 ou US$ 1000. Ele não respondeu. Então, segui pressionando. Vamos dizer que eu passe por tudo isso e finalmente chegue na corte do Sr. Juiz e declare minha inocência. O que acontece, então?

“Nesse momento, o juiz marcará um julgamento”.

“Agora, espere um instante. Então, eu volto aqui e gasto US$ 1000,00 e então o juiz marcará um julgamento, de forma que terei de repetir toda a viagem, gastando, assim, US$ 2000,00?”

“Novamente, como você viaja e como chega aqui é problema seu”.

“E, no final das contas, eu ainda tenho de pagara a multa porque, acima de tudo, você é o policial e eu somente um chato que diz que você está errado”.

Nesse ponto, já um pouco aborrecido comigo, ele me desejou um bom dia e saiu. Eu era o idiota com a multa, e só me restou rir de mim mesmo.

Afinal, veja o que sobrou dos meus direitos. Eu posso gastar US$ 2000,00 e provavelmente 4 dias de minha vida + US$ 135,00, ou eu posso simplesmente pagar os US$ 135. Hmmm, difícil decisão! Exercer meus direitos pode ser muito caro!

Então, vamos pensar sobre essa situação por um momento. O que aconteceu comigo? Eu me senti culpado por ter colocado pessoas em perigo? A minha intimação melhorou a ordem social nos incitando a um comportamento mais seguro? Por algum motivo eu acho que isso não aconteceu.

Eu vou lhes dizer o que aconteceu de verdade: eu fui taxado, em outras palavras, eu fui roubado. Essa parece ser a principal função da força policial hoje em dia, arrecadar dinheiro para o governo. Na verdade, é algo que os próprios policiais sugeriram como uma forma de evitar cortes no seu orçamento.

De acordo com a revista Police Chief, há uma forma depois da crise de 2008 de “ajudar na sobrevivência da cidade e na manutenção ou expansão do serviço policial por meio da geração de novas fontes de receita como uma abordagem proativa para enfrentar a crise fiscal de hoje, e o futuro incerto do amanhã”.

Para entender melhor como isso funciona, eu entrevistei Justin Hanners, que deixou o serviço policial em protesto a essas táticas. É claro, eles não expressam a questão dessa forma para o público do qual planejam roubar. Somos informados que tudo isso é para nossa segurança. Lysander Spooner disse que, pelo menos, o ladrão de estrada não afirma que está me roubando para o meu bem. A polícia deveria ter, ao menos, a mesma integridade.

Agora, vamos aprofundar mais a questão. E se eu não pagar? Vou receber uma carta de cobrança dizendo que é melhor pagar e rápido, caso contrário, perderei minha carteira de motorista.

Vamos supor que eu perca a minha carteira de motorista e dirija da mesma forma. Então, eu sou parado e multado novamente. E se eu não pagar novamente e continuar dirigindo? Em algum momento, serei preso. E se eu tentar fugir quando tentarem me prender? Eu posso ser agredido. Eles podem até atirar em mim.  Eu posso até morrer.

Tudo isso parece exagero, não? Pena de morte por andar alguns km/h a mais do que o limite de velocidade. Mas se você pensar a respeito, todas as leis são impostas dessa forma, até as últimas consequências. Mesmo a lei que parece mais inócua faz-se cumprir através da agressão não somente contra a propriedade, mas contra a própria vida. Daí porque a lei, a legislação e a regulação são tão perigosas. Em nome da paz e da ordem, eles verdadeiramente se utilizam da ameaça da violência sobre todos nós.

Desculpe, oficial, eu não me sinto protegido por você.

// Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Terceiro. | Artigo Original

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Sobre o autor

Jeffrey Tucker

É o presidente da Laissez-Faire Books e consultor editorial do mises.org. É também autor dos livros It's a Jetsons World: Private Miracles and Public Crimes e Bourbon for Breakfast: Living Outside the Statist Quo.



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