Oriente Médio Arab citizens of Israel

Publicado em 21 de julho de 2014 | por Pablo Molina

O que pensam os árabes israelenses

A quinta parte da população israelense é formada por árabes, o que converte estes na minoria mais importante do Estado judeu. O conflito territorial com os palestinos converte os árabes residentes em Israel em um corpo estranho, difícil de encaixar no esquema de confrontação entre judeus e árabes, majoritariamente de muçulmanos, como se interpreta costumeiramente as relações políticas na região.

Essa é, ao menos, a percepção geral se se escuta somente as afirmações dos partidos árabes com representação no Parlamento israelense (Knesset), Ra’am e Balad, duas agremiações que em eleições de janeiro de 2013 conseguiram, respectivamente, cinco e três deputados. O resultado eleitoral é discreto, obviamente, mas ambos se saíram melhor que o Kadima, o partido criado por Ariel Sharon em 2005, que conseguiu só duas cadeiras, quando nas eleições anteriores havia sido o mais votado.

Contudo, uma coisa é o discurso oficial dos políticos árabes, vinculado exclusivamente ao conflito palestino-israelense, e outra muito distinta é a percepção que os cidadãos árabes de Israel tem sobre seu país e de seu papel como minoria por si mesmos.

O Índice da Democracia Israelense, levantamento anual realizado pelo Israel Democracy Institute, é a melhor ferramenta para comprovar a opinião que os israelenses (judeus e não-judeus) tem sobre o funcionamento de suas instituições democráticas. No caso da população árabe, adquire interesse especial, pelas questões citadas anteriormente. Em sua edição correspondente ao ano de 2012, encontramos respostas que chamam bastante a atenção, sobretudo se se as comparamos com o discurso do establishment árabe local.

Dessa forma, o primeiro dado que chama a atenção é que 44,5% dos árabes-israelenses se mostram orgulhosos de serem israelenses (14,1% afirmam está “muitos orgulhosos”), enquanto que para os partidos árabes atuantes na Knesset, um árabe não pode jamais ser israelense, apenas, no máximo, um árabe palestino em Israel. Uma porcentagem praticamente idêntica (44%) considera adequados os usos democráticos das instituições do país (quase 8% acredita que Israel é “demasiadamente democrático”), enquanto que tão somente 11% afirma que o Estado judeu não é “suficientemente democrático”. Aqui, novamente, se registra um evidente contraste com a liderança política árabe-israelense, segundo as quais Israel não é de nenhuma maneira um país democrático.

Acostumados a uma visão sobre os assuntos públicos homólogas a do cidadão médio ocidental, os árabes israelenses valorizam muito mais a luta contra graves problemas cotidianos, como a qualidade da saúde e a educação ou o desemprego, que a guerra constante contra o “inimigo sionista” advogada na retórica de seus dirigentes políticos. Segundo o Abraham Fund, dedicado ao fomento da convivência e a igualdade entre judeus e árabes em Israel, só 12% dos árabes israelenses acreditam que a causa palestina é mais importante que solucionar os problemas que assolam o país por causa da crise econômica.

Esta desconexão das elites políticas árabes que operam em Israel com as verdadeiras preocupações de seus eleitores estaria por trás do fracasso da participação eleitoral dos árabes israelenses, que neste momento se situa em torno de 50%, muito abaixo da porcentagem de judeus que participa costumeiramente dos processos eleitorais. É o resultado inevitável de uma situação prolongada já há muito tempo, com os representantes políticos de uma minoria defendendo interesses distintos dos de sua base eleitoral, quando não diretamente opostos.

 

//Tradução de Adriel Santana. | Artigo original.


Sobre o autor

Pablo Molina

Pablo Molina é graduado em Relações Trabalhistas pela Universidad de Murcia. É colunista do jornal La Razón, diretor de conteúdo do Libertad Digital, escritor do LDTV e comentarista político do programa Es La Noche de César da esRadio e outros meios de comunicação regionais. Atualmente trabalha como colunista dos sites Libertad Digital e Instituto Juan de Mariana, e redator da revista eletrônica Libre Mercado.



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