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Publicado em 8 de janeiro de 2014 | por Aleksandr Jogerst

Pária do Livre Mercado: reflexões de um jovem na universidade

15 de dezembro de 2012 foi um dia especial para mim. Ao meio dia, eu estava atrás de uma cortina, vestido com uma toga preta e adornado com cordões azuis e dourados, então eu caminhei confiante em direção ao centro do palco onde estava o reitor da minha universidade, me dando um aperto de mão e um diploma. Depois de três anos e meio, eu estava formado. Assim que retornei a minha cadeira para ver o restante de meus colegas, eu tive uma epifania: por dar aqueles passos, nós éramos mais valiosos aos olhos da sociedade – ao menos, é o que o senso comum indica. No decorrer da graduação, entretanto, eu tive uma visão muito mais cética.

Alguns acontecimentos e experiências. 

Meu pai começou a me conduzir nos caminhos do livre mercado e da liberdade enquanto me levava para os meus treinos hóquei quando eu tinha apenas 10 anos. Ele me encorajou a fazer parte de um grupo chamado Foundantion for Economic Education (FEE). Eu participei de três seminários de verão da FEE ao longo do segundo grau. Enquanto que o conhecimento e os materiais de leitura obtidos nos seminários tiveram um valor inestimável para o meu desenvolvimento intelectual, a maior recompensa foi  a oportunidade de formar amizades com  indivíduos que pensam como eu.

É por isso que eu escrevi esse artigo: eu queria assegurar àqueles indivíduos que apoiam a liberdade e estão na universidade que existe uma luz no fim do túnel. Eu também quero prepara-los para as provações que terão de vencer se quiserem continuar o seu curso. Vendo em retrospectiva, eu me recordo de três eventos em sala de aula que ilustram bem como os educadores mainstream reagem a argumentos baseado nos princípios da liberdade e do livre mercado.

Privilégio e Pilhagem

O primeiro ocorreu durante o meu primeiro ano. A aula tratava de um assunto genérico e focava nas diferentes escolhas de vida. Também analisamos a sociedade como um todo. Quão inócuo como possa parecer, a aula desviou-se rapidamente para um processo de demagogia contra o livre mercado e os supostos “privilegiados”. O mercado, sem a presença da regulamentação governamental, foi considerado como a fonte de desigualdade e injustiça. Nós conversamos sobre assuntos que devem ser familiares para você – meio-ambiente, economia e a“justiça” social. Todas requeriam ação governamental, ou as consequências seriam a pilhagem por parte dos privilegiados em um mundo de soma-zero.

Em uma questão particular, o professor convidou um palestrante, o qual nos mostrou um vídeo do YouTube chamado “A História das Coisas”. Para poupar seu tempo e frustração, a mensagem central é: muita produção, muito consumo, os pobres são ignorados pelos ricos, e todos nós saqueamos e poluímos o meio ambiente. Contorcendo-me em minha cadeira, eu pensei em algumas questões que tornariam meu ponto de vista claro, de forma respeitosa. O palestrante mencionou que a maioria das compras que um norte-americano faz não dura um ano. Minha questão foi, “Essa estatística considera bens duráveis vs bens não duráveis?”. Ela ficou confusa e pediu para que eu explicasse. Eu continuei, “como um estudante, minhas maiores aquisições são moradia, alimento e gasolina; nenhuma delas dura um ano”. Ela concordou, avaliou a turma, e admitiu que não sabia as questões específicas das estatísticas que o vídeo tratava.

Empreendedorismo?

A segunda história que quero relatar ocorreu nas minhas aulas de empreendedorismo. Nessa disciplina, nós focamos em estratégias de aquisições e logística. Enquanto nos apresentava uma história do The Wall Street Journal na aula, o professor nos mostrou um cenário padrão onde a demanda repentinamente dobrou. “O que você faz”, ele perguntou.

Enquanto meus colegas de modo geral concordaram que uma lista de espera deveria ser estabelecida, eu propus uma estratégia diferente. Utilizando o modelo básico de oferta e demanda da economia, eu sugeri uma estratégia de preços por camadas, que respeitaria o frequentemente esquecido valor da variável temporal: “cobre preços mais altos para aqueles que necessitam do produto agora, e ofereça o preço original para aqueles que podem esperar pela entrega”.

De um ponto de vista econômico e empresarial, essa solução faz total sentido para mim. Você cobra pela urgência porque aqueles que têm maior necessidade, pagam mais pelo produto. (Isso certamente não é um fato novo no mundo empresarial). Contudo, meus colegas de classe e meu professor discordaram. Meus colegas censuraram tal estratégia, pois seria uma forma de levar vantagem em cima do infortúnio alheio, logo, antiética. O professor declarou que “a oferta e a demanda não são relevantes”. Depois de uma curta discussão, eu conclui o argumento em prol de meu plano com uma sentença concisa.

“No curto prazo”, afirmei, “nós podemos somente aumentar preços OU racionar nossos produtos; nós não podemos aumentar a produção. Então, ou todos esperam, ou aqueles que possuem necessidade imediata precisam pagar pela urgência”. A aula terminou sem se chegar a um curso de ação definitivo, mas eu sai da sala aprendendo uma lição valiosa: pouquíssimas pessoas aprendem como combinar economia e negócios para tomar decisões confiáveis.

“Pensamento Crítico”

O terceiro exemplo vem de uma cadeira de ciência política. Foi descrita como uma disciplina com “pensamento crítico” e foi conduzida online, então eu nunca encontrei o professor ou algum dos meus colegas. Os estudantes receberam dois artigos por semana para criticar e debater. Os artigos cobriam tópicos regulares da vida universitária: documentos de identificação para votar, preconceito racial contra o presidente Obama, e assim por diante. As tarefas também incluíam alguns tópicos novos: briga de galos em Porto Rico e religião versus ciência. Os estudantes geralmente seguiam linhas partidárias nas suas contribuições ao debate. Os estudantes democratas repetiram a já conhecida retórica esquerdista, enquanto os estudantes republicanos repetiram a retórica direitista.

O teste real ocorreu na questão dos artigos. Quando solicitado a escrever um pequeno artigo tratando dos tópicos em discussão, eu defendi o governo limitado e o sistema de livre mercado nos quais há tempos acreditava. Eu escrevi pequenos ensaios sobre controle de armas, reciclagem, política externa e eventos atuais. O feedback do professor foi menos encorajador – especialmente quando as notas foram postadas. Normalmente um mecanismo desenvolvido para o crescimento, o professor usou o formato de feedback para atacar extensamente meus pontos de vista e as fontes que citei. “Aperfeiçoar” significava escrever coisas que o professor gostaria de ler. Aqui segue um exemplo do feedback real dado a um ensaio relativo ao sistema bancário controlado por um Banco Central:

Contudo, o que mais me chocou, é que por um lado, você deseja manter a virtude da economia de livre mercado e, ao mesmo tempo, descartar um dos poucos meios de controlar as ineficiências e o caráter anárquico não-racional do livre mercado. E isto é algo que você faz muito. As consequências sociais da aceitação dos resultados do jogo de mercado têm sido consistentemente rejeitadas por praticamente todo “progressista” desde a Grande Depressão. Eu não estou certo de como você pode argumentar que aquele(s) mecanismo(s) de controle sejam tão ruins. O que aconteceria sem eles? O Banco Central oferece presciência para uma força que de outra forma estaria radicalmente fora de controle.

Aí está.  Meu professor não queria admitir que meus argumentos eram válidos e que minha lógica era sólida – isto é, que eu exibi um verdadeiro “pensamento crítico”. O professor queria convencer-me não somente que o mercado poderia ser controlado, mas que deveria ser controlado.

Educação inferior

Existem inúmeros exemplos como os supracitados que vão além de minha experiência. Escolas, tanto as do fundamental e do ensino médio, como as faculdades, possuem interesses escusos em relação à um governo intervencionista, que “faz alguma coisa”. E o oposto também é verdadeiro: pense quantas burocratas dependem desses programas educacionais doutrinadores. Qualquer estudante propondo limitação estatal está em desacordo com o sistema em si e é imediatamente rejeitado. Ele ou Ela são considerados como um vírus. E a reputação – um estigma – se desenvolve, espalhando-se dentro da faculdade.

Alguns professores resolveram eliminar a discussão por completo dentro da sala de aula, confiando em slides de Power Point para ensinar suas lições. Outros professores chegam ao cúmulo de banir dispositivos de gravação sob pena de reprovação. O sistema é ajustado contra aqueles que falam em nome da liberdade. Essa realidade não deveria nos surpreender. E, é claro, os professores mais receptivos a mensagens de apoio aos mercados e de associações voluntárias são extraordinariamente raros.

Conselho para futuros estudantes

Meu conselho para os estudantes de hoje e amanhã:

  •  Considere seus colegas e professores como pedras que servirão para afiar seu raciocínio e capacidade para debates; eles são uma fonte de oportunidades em vez de desafios.
  • Coloque energia para se tornar o melhor naquilo que você estuda. Existem 35.040 horas no período de 4 anos; gaste 10.000 delas no que você faz melhor .
  • Conheça pessoas e mantenha contato. Você nunca sabe quando os seus caminhos se cruzarão novamente.
  • Aproveite todas as oportunidades. O tempo de faculdade passa rápido – mais rápido do que você pensa.


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