Economia homeless

Publicado em 22 de outubro de 2014 | por Thomas Sowell

Mobilidade econômica

Muitas pessoas nos EUA não se surpreendem mais quando ouvem a história de alguém que veio da Coréia do Sul ou Vietnã com pouco dinheiro, e praticamente nenhum conhecimento da língua inglesa, que, não obstante, perseverou e cresceu na sociedade americana. Tampouco nos surpreende quando seus filhos destacam-se na escola e seguem para carreiras profissionais.

Ainda assim, em total negação dessas claras evidências, os chamados “cientistas sociais” conduzem estudos que concluem que os Estados Unidos não são mais uma terra de oportunidades, e que a mobilidade ascendente é um “mito”. Mesmo quando esses estudos contemplam muitos números tabulados e equações que imitam a forma exterior de ciência, frequentemente suas conclusões dependem em suposições completamente arbitrárias.

Mesmo pessoas consideradas como acadêmicos sérios frequentemente medem a mobilidade social por quantas pessoas de famílias da parte inferior da pirâmide da renda acabam nos níveis superiores. Contudo, a mobilidade social – a oportunidade para crescer – não pode ser medida somente por quanto movimento ocorre.

A oportunidade é somente um indicador do progresso econômico. Quão bem um dado individuo ou grupo aproveita-se das oportunidades existentes é outra coisa. Somente implícita (e arbitrariamente) assumindo que um fracasso em crescer deverá ter relação às barreiras sociais podemos dizer que a sociedade norte-americana não tem mais a oportunidade do movimento social ascendente.

As mesmas atitudes e comportamentos que levaram um pai a uma faixa de renda menor podem também levar um filho. Mas alguém com um conjunto diferente de atitudes e comportamentos pode crescer dramaticamente na mesma sociedade. Frequentemente, mesmo um membro da mesma família pode crescer enquanto um irmão estagna ou fica para trás.

Ironicamente, muitas das próprias pessoas que estão promovendo a ideia de que a “injustiça” da sociedade norte-americana é a razão pela qual alguns indivíduos e grupos não estão progredindo são, eles mesmos, uma grande parte da razão para a estagnação que ocorre.

O Estado de Bem Estar promovido por aqueles que insistem que é a sociedade que está mantendo essas pessoas nas faixas inferiores é desnecessário para muitas dessas pessoas de baixa renda esforçar-se – e, portanto, torna desnecessário para elas desenvolverem seu próprio potencial ao máximo.

O dogma multiculturalista que diz que uma cultura é tão boa quanto outra que coloca as pessoas em um determinado grupo cultural onde nasceram, mesmo se outras culturas ao seu redor têm características que oferecem melhores condições de crescimento.

Só falar o inglês básico em um país de língua inglesa pode aumentar as possibilidades de crescimento. Mas a celebração multiculturalista das línguas estrangeiras ou dialetos étnicos, e dos padrões culturais contraproducentes exemplificados por coisas como o “gangsta rap” [N. T: termo cunhado pela mídia para descrever um gênero do rap, que tem por característica a descrição do dia-a-dia violento dos jovens de algumas cidades], pode promover justamente a estagnação social pela qual culpam a “sociedade”.

Enquanto isso, os imigrantes e refugiados asiáticos que chegam aqui não são prejudicados ou distraídos por uma visão social contraproducente, cheia de inveja, ressentimento e paranoia, e podem progredir nessa mesma sociedade onde se diz que as oportunidades não existem.

Aqueles “cientistas sociais”, jornalistas e outros que estão comprometidos à teoria de que as barreiras sociais impedem o progresso das pessoas frequentemente citam estatísticas que mostrando que a faixa das altas rendas (rendimentos) recebe uma porção desproporcional e crescente da renda nacional.

Mas conclusões diametralmente opostas surgem em estudos que analisam indivíduos de carne e osso, a maioria dos quais avança por várias faixas de renda no decorrer do tempo. A maioria dos trabalhadores ativos norte-americanos que estavam inicialmente na faixa dos 20% com menor rendimento, saiu de lá. Mais deles acabaram na faixa dos 20% com maior rendimento do que nos 20% de menor rendimento.

As pessoas que estavam inicialmente na faixa dos 20% de menor rendimento tiveram a maior taxa de aumento nas suas rendas, enquanto aqueles que estavam inicialmente na faixa dos 20% de maior rendimento tiveram a menor. Esse fato é diretamente oposto ao padrão encontrado quando se seguiu faixas de renda no decorrer do tempo, ao invés do seguimento de indivíduos.

Grande parte da mídia faz propaganda do que está acontecendo às faixas estatísticas – especialmente aquele 1% no topo – em vez do que está acontecendo com indivíduos.

Nós deveríamos estar preocupados com o futuro econômico de seres humanos reais, e não se indignando com o destino de faixas estatísticas abstratas. Ao menos, é claro, que estejamos buscando a expansão do estado de bem-estar.


Sobre o autor

Thomas Sowell

Thomas Sowell é um economista americano, crítico social, comentarista político e autor. Ele frenquentemente escreve como um defensor da economia laissez-faire, e sua visão política pode ser geralmente classificada como libertária.



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