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Publicado em 1 de outubro de 2011 | por Daniel James Sanchez

Mises sobre a mente e o método, parte 1

Introdução

Quando o economista austríaco Thomas DiLorenzo recentemente testemunhou perante a Subcomissão da Câmara sobre a Política Monetária Nacional, o deputado William Lacy Clay tentou desconsiderar a Escola Austríaca de economia pela falta de “rigor científico”, porque ela se baseia no “raciocínio dedutivo”.

Há algo distópico em um membro do governo dizer a um intelectual com o qual discorda, em essência, “Não é verdade, senhor, que você faz parte de um grupo de pensadores que usa [com uma música assustadora de fundo ...] a lógica?” Nem mesmo os inquisidores obtusos de Sócrates, Abelardo, e Galileu teriam sido tão ousados.

Tornou-se um truque popular entre as pessoas que não estão preparadas para lidar com os argumentos econômicos reais da Escola Austríaca tentar encerrar rapidamente o debate, esperneando, como zumbis, “não científica!” sem possuírem praticamente nenhuma familiaridade, além daquilo que foram ensinadas na graduação, com até mesmo as questões epistemológicas relativas às ciências naturais, e muito menos com as ainda mais negligenciadas questões epistemológicas das ciências sociais.

Críticas metodológicas cruas como essa contra a economia bem fundamentada são antigas, anteriores à própria economia Austríaca. Antes de Carl Menger ter sequer fundado a Escola Austríaca, os membros da Escola Historicista Alemã pensaram que poderiam desacreditar os economistas clássicos não através do combate aos seus argumentos, mas simplesmente desmerecendo o empreendimento da economia teórica como um todo, por ele constituir em “abstrações inanimadas”.

Ludwig von Mises comentou que, quando confrontado com tal tipo de ataque metodológico tendencioso à validade da economia sólida bem fundamentada, pode parecer apropriado simplesmente “deixar os cães ladrarem e não prestar atenção aos seus latidos”, e para lembrar o ditado de Baruch Spinoza: “assim como a luz define a si mesma e à escuridão, também a verdade estabelece o padrão para si mesma e para a falsidade. “ [1]

Mas Mises rejeitou tal forma de agir como se estivesse “acima de tudo”, insistindo que:

“Nenhum cientista tem o direito de assumir de antemão que a desaprovação de suas teorias devam ser infundadas por causa do fato de seus críticos estarem imbuídos de paixão e parcialidade partidária. Ele é obrigado a responder a todas as críticas, sem levar em conta nenhuma das razões subjacentes a elas” [2]

Ele considerava essencial a explicar em detalhes as bases fundamentais da economia. Por esta razão, Mises dedicou uma parte significativa das suas atenções científicas aos problemas epistemológicos e metodológicos.

A seguir, vou tentar explicar de forma sistemática a epistemologia de Mises e seus desdobramentos na economia misesiana, através, principalmente, de seus tratados Ação Humana, Theory and History, e The Ultimate Foundation of Economic Science.

“A priori” e “Categorias”

Mises caracterizava a economia como uma ciência a priori. Com isso ele quer dizer que as leis econômicas antecedem e independem da experiência econômica e que não faz sentido tentar testar as leis econômicas através de experimentos, observações, estatísticas, ou de qualquer outro tipo de dado empírico.

Essa posição tende a imediatamente disparar alarmes nas pessoas inculcadas com uma versão simplista dos métodos utilizados pelas ciências naturais. Alguns chegam até a difamar essa abordagem caracterizando-a como “religiosa”, porque qualquer coisa que não é baseado em fatos empíricos deve ser “baseada na fé”. Alguém poderia se perguntar se esses críticos consideram que a geometria é algum tipo de religião, uma vez que os teoremas da geometria antecedem a, e não são baseados na, coleta de dados topográficos. (Mais será dito sobre essa comparação depois).

Tais críticos não percebem que todo o raciocínio (incluindo os raciocínios das ciências naturais) tem um aspecto a priori.

Negar isso seria pensar na mente da mesma forma, como escreveu Mises, “implícita na famosa frase de John Locke, de acordo com a qual a mente é uma folha de papel em branco sobre a qual o mundo externo escreve sua própria história. “ [3]

Pelo contrário, “a mente humana não é uma tabula rasa sobre a qual os eventos externos escrevem sua própria história.” [4]

Existe uma doutrina empiricista segundo a qual nada que não tenha passado previamente pelos sentidos está no intelecto. Como Mises observou, o filósofo Gottfried Leibniz acrescentou a ressalva essencial: “exceto o próprio intelecto”. Isto é assim pois, para que os eventos externos se tornem conhecimento, eles precisam ser processados pelo intelecto/mente. E para que a mente processe os eventos de forma significativa, ela obrigatoriamente é, como diz Mises, “equipada com um conjunto de ferramentas para a compreensão da realidade.” [5]

Mises deu crédito a Immanuel Kant por ter dado esse insight-chave: “A experiência, [Kant] ensinou, fornece apenas a matéria-prima a partir da qual a mente forma o que é chamado de conhecimento.” [6].

O “conjunto de ferramentas para a compreensão da realidade” são certas concepções inatas que a mente deve aplicar às sensações brutas para que essas sensações sejam convertidas em conhecimento real. Temos de ter essas concepções, pois todas as sensações seriam desprovidas de sentido sem a aplicação delas. E essas concepções devem ser inatas, porque não podem ser aprendidas, pois o aprendizado é a aquisição de conhecimento (interpretações providas de significado das sensações internas e externas), e a aquisição de conhecimento pressupõe a capacidade de aplicar essa “compreensão da realidade”. [7]

Kant chamou essas concepções inatas de “categorias” (um termo que Mises usou com muita frequência). Mises referia-se às “categorias” como sendo aspectos necessários da “estrutura lógica da mente humana”, [8]e como “a projeção sobre o mundo externo do tornar-se e de mudança” sobre a mente. [9]

“Todo o conhecimento é condicionado pelas categorias que precedem, temporal e logicamente, todos os dados da experiência. As categorias são a priori, elas são o equipamento mental do indivíduo o qual lhe permite pensar e – podemos acrescentar – agir.” [10]

Um exemplo primário desse “equipamento mental” são as próprias leis da lógica. A aplicação das “relações lógicas fundamentais” (por exemplo, a lei da não-contradição) é necessária para todo o raciocínio sobre verdade e falsidade, mas os próprios princípios da lógica

“não estão sujeitos à prova ou refutação. Toda tentativa de prová-los tem de pressupor a validade dos mesmos. Seria impossível explicá-los a um ser que não os possuíssem por conta própria. Os esforços para defini-los de acordo com as regras da definição devem falhar. Eles são proposições primárias que antecedem qualquer definição nominal ou real. Eles são categorias fundamentais irrevogáveis. A mente humana é completamente incapaz de conceber categorias lógicas em desacordo com eles. Não importa como eles podem aparentar para seres sobre-humanos, eles são inevitáveis e absolutamente necessários para o homem. Eles são a condição indispensável da percepção, apercepção [N. do T.: plena compreensão], e experiência.

As formas e categorias a priori do pensamento e raciocínio humano não podem ter seus antecedentes rastreados até um ponto em que elas apareçam como uma conclusão logicamente necessária. É contraditório esperar que a lógica possa ser de qualquer serventia em demonstrar a correção ou validade dos princípios fundamentais da lógica. Tudo o que pode ser dito sobre eles é que negar sua veracidade ou validade parece à mente humana ser absurdo e que o pensamento, guiado por eles, levou a modos de agir bem sucedidos.” [11]

Causalidade

Até mesmo as ciências naturais devem recorrer a categorias a priori. A simples consideração de que experiências observadas são cientificamente úteis para a descoberta de leis causais se assenta no que Mises chamava de um “pressuposto apriorístico”.

“A experiência é necessariamente de eventos passados. Ela pode ser invocada para a predição de eventos futuros apenas com o apoio do pressuposto de que uma uniformidade invariável prevalece na concatenação e sucessão dos fenômenos naturais.”

Só com este pressuposto apriorístico pode-se inferir “a partir da regularidade observada no passado, a mesma regularidade nos eventos futuros.” [12]

Além disso, como David Hume apontou em sua famosa discussão do “problema da indução”, se você diz que podemos saber que regularidades anteriores predizem regularidades posteriores, porque elas assim tem feito de forma confiável no passado, então isso é simplesmente uma petição de princípio (cometer a falácia lógica de assumir o que se está querendo provar). Isso equivaleria a assumir que a regularidade anterior (“regularidade anterior predizendo regularidade posterior no passado”) prediz uma regularidade posterior (“regularidade anterior predizendo regularidade posterior no futuro”), que é exatamente o que se está, inicialmente, tentando provar.[13]

A “categoria de causalidade” é a nossa concepção inata de que regularidades passadas predizem regularidades futuras. Essa concepção é um pré-requisito para todo o raciocínio sobre causa e efeito no mundo natural. Como escreveu Mises, concordando com Hume, não há nenhuma prova dedutiva de que a regularidade passada prediga a regularidade futura.

“Não há demonstração dedutiva possível do princípio da causalidade e o da inferência ampliativa da indução imperfeita; há apenas um refúgio para a não menos indemonstrável afirmação de que existe uma regularidade estrita dentro do conjunto de todos os fenômenos naturais. Se não nós referíssemos a essa uniformidade, todas as afirmações das ciências naturais aparentariam ser generalizações apressadas.” [14]

Não há, no entanto, outra forma imaginável de dar sentido ao mundo material, sem assumir que a regularidade passada prediga a regularidade futura. Se não nos refugiássemos na categoria de causalidade, o universo físico à nossa volta seria uma confusão de sensações sem sentido.

Não só as ciências naturais, como também a vida cotidiana, seria impossível sem a nossa concepção inata de que a regularidade passada, de fato, prediz a regularidade futura. Sem ela, nunca teríamos desenvolvido a agricultura, porque nós não teríamos razão para inferir de ciclos sazonais passados que semelhantes ciclos sazonais podem ocorrer no futuro. Sem ele, nós nunca poderíamos sequer evitar o contato com chamas, porque não teríamos razão para inferir de contatos passados a dor e os danos que o contato futuro implicaria.

“Em um mundo sem causalidade e regularidade de fenômenos, não haveria espaço para o raciocínio humano e para a ação humana. Tal mundo seria um caos no qual o homem se esforçaria inutilmente para encontrar algum guia e orientação. O homem não é sequer capaz de conceber as condições de tal universo caótico.” [15]

Teleologia e Ação

O mais importante “equipamento mental” para pensar sobre a humanidade é a “categoria da teleologia/ação”: nossa concepção inata de de propósito e comportamento propositado. Ação (comportamento propositado) é a utilização de meios para buscar um fim (com o “fim” sempre sendo “o alívio de um desconforto sentido”). [16]

Assim como o mundo natural seria uma confusão sem sentido de sensações sem a categoria da causalidade, o mundo social que nos rodeia (bem como nossa compreensão dos nossos próprios estados de espírito) seria uma confusão de sensações sem sentido se não estivéssemos equipados com a categoria da teleologia/ação. A conceito de ação em geral é, necessariamente, anterior à cognição de qualquer ação particular.

Gestos e palavras seriam movimentos e sons sem sentido, a menos que a mente fosse capaz de aplicar o conceito de “propósito” a eles. E como você poderia explicar o conceito de “propósito” para alguém que já não tivesse uma concepção inata dele, se tal explicação seriam movimentos e sons sem sentido para o seu “aluno”?

Se eu sei alguma coisa, eu sei o que é ação. Através de cada frase que eu escrevo com o propósito de comunicar a você, o leitor, eu a vivencio. E se você está olhando para estas palavras, com o propósito de as compreender, você também a está vivenciando. Se eu fosse tentar negar a realidade de propósito, meios e fins, eu me encontraria num absurdo manifesto de tentar negar a realidade de tentar.

A Vontade

De acordo com Mises, a vontade do homem não é livre no sentido metafísico (isto é, livre de causalidade):

“O conteúdo da ação humana, i.e., os fins visados e os meios escolhidos e utilizados para a consecução desses fins, é determinado pelas qualidades pessoais de cada agente homem. Cada homem é produto de uma longa linha de evolução zoológica que moldou a sua herança fisiológica. Ele nasce filho e herdeiro de seus ancestrais, e o precipitado e depósito de tudo o que seus antepassados experimentaram são o seu patrimônio biológico. Quando ele nasce, ele não entra no mundo em geral como tal, mas num certo ambiente. As qualidades biológicas, inatas e herdadas, e tudo que a vida produziu nele fazem do homem o que ele é em qualquer instante de sua peregrinação. Eles são o seu fado e destino. A vontade do homem não é “livre” no sentido metafísico do termo. Ela é determinada pelas experiências dele e por todas as influências a que ele próprio e seus ancestrais foram expostos.” [17]

Além disso, o homem não é um “deus” totalmente independente fora da “máquina” do universo.

“A liberdade da vontade  não significa que as decisões que orientam a ação do homem vem, por assim dizer, de fora para dentro do tecido do universo e acrescentam a ele algo que não possuía nenhuma relação com os, e que era independente dos, elementos que antes formavam o universo. As ações são dirigidas por ideias, e as ideias são produtos da mente humana, a qual é definitivamente uma parte do universo e cujo o poder é estritamente determinado pela totalidade da estrutura do universo.” [18]

Porém, de acordo com Mises, a vontade do homem é livre no sentido de que ele pode suprimir seus impulsos. [19]“O homem não é, como os animais, um fantoche subserviente de instintos e impulsos carnais. O homem tem o poder de suprimir desejos instintivos, ele tem uma vontade própria, ele escolhe entre fins incompatíveis. Nesse sentido, ele é uma pessoa moral; neste sentido, ele é livre “. [20]

No entanto, a noção de “vontade” é apenas uma faceta da noção de “ação”. “Ação é a vontade posta em operação.” [21]

Assim, por todos os motivos listados, a ação é uma realidade necessária para o homem, e também a vontade é uma realidade necessária. Seja ela qualificada como “livre” ou não, o homem (no que diz respeito ao próprio homem) tem uma vontade.

“Alguns filósofos são preparados para desacreditar a noção da vontade do homem como sendo uma ilusão e um auto-engano, porque o homem deve involuntariamente se comportar de acordo com as inevitáveis leis da causalidade. Eles podem estar certos ou errados do ponto de vista da causa primeira ou da causa de si [N. do T.: causa primeira = primus movens e causa de si = causa sui] No entanto, do ponto de vista humano, a ação é o fato fundamental. Nós não afirmamos que o homem é “livre” para escolher e agir. Nós meramente estabelecemos o fato de que ele escolhe e age.” [22]

As duas últimas frases parecem estar em consonância com o ditado de Arthur Schopenhauer: “Man can do what he wills, but he cannot will what he wills.” (“O homem pode fazer o que ele deseja, mas ele não pode decidir o que ele deseja”) [23]

A Praxeologia

A ação, embora seja um conceito inato, não é um conceito tão simples como de início se poderia pensar. Há, na verdade, alguns conceitos auxiliares que estão “empacotados” (implícitos) dentro do conceito de ação. O “desempacotamento” desses conceitos (tornando explícito o que está implícito na ação) é o que Mises se referia como a ciência da praxeologia (da qual a ciência econômica é uma subdisciplina). [24]

“O campo da praxeologia é a explicação da categoria da ação humana. Tudo que é necessário para a dedução de todos os teoremas praxeológica é o conhecimento da essência da ação humana. É um conhecimento que possuímos porque somos homens; nenhum ser de descendência humana que não tenha sido reduzido à mera existência vegetativa por condições patológicas carece dele. Nenhuma experiência especial é necessária para compreender esses teoremas, e nenhuma experiência, por mais rica que seja, pode revelá-los a um ser que já não soubesse a priori o que a ação humana é. A única maneira de adquirir o conhecimento sobre esses teoremas é a análise lógica do nosso conhecimento inato sobre a categoria da ação. Devemos considerar-nos a nós mesmos e refletir sobre a estrutura da ação humana. Como a lógica e a matemática, o conhecimento praxiológico está em nós; ele não vem de fora.

Todos os conceitos e teoremas da praxeologia estão implícitos na categoria da ação humana. A primeira tarefa é extraí-los e deduzi-los, expor as suas implicações e definir as condições universais da ação como tal.” [25]

Pode-se “desempacotar” as noções auxiliares contidas no conceito de ação simplesmente pensando-se em condições cuja ausência faria com que a existência de ação fosse desprovida de sentido. Por exemplo, a noção de ação sem tempo é claramente absurda, e por isso o tempo é uma implicação necessária da ação.

Um aspecto dos escritos de Mises que pode gerar potenciais confusões é que ele se refere às implicações necessárias das ações como “categorias da ação”. Assim, agora temos dois significados para “categoria da ação.” Há o conceito geral inato da ação em si mesma (que foi o primeiro significado com o qual nos deparamos), e agora há as noções auxiliares que estão empacotadas no conceito de ação.

Essas noções auxiliares são também caracterizadas como categorias, porque eles também são inatas e anteriores à experiência. Assim, podemos dizer também que o tempo é uma “categoria da ação.” A melhor maneira de distinguir entre os dois significados é manter em mente que ”a categoria da ação” refere-se a primeira definição e que ”umacategoria da ação” se refere à última.

Outras categorias auxiliares da ação incluem:

  • a existência de um ator;
  • o “desconforto sentido” pelo ator;
  • a antecipação do possível sucesso da ação pelo ator;
  • “ideias tecnológicas” ou “receitas”: planos de arranjos específicos de meios para alcançar fins;
  • um ambiente no qual existem os possíveis meios(bens) para o alcance dos fins;
  • utilidade: a relevância causal percebida dos diversos meios para a mitigação do desconforto sentido;
  • a escassez dos meios em relação aos fins aos quais poderiam potencialmente servir;
  • economização: a alocação de meios escassos para fins diversos;
  • preferência: “ranqueamento” das ações alternativas de alocação de meios escassos de acordo com as prioridades relativas dos diversos fins;
  • escolha: empreender a ação melhor “ranqueada” por causa do fim de maior prioridade a qual ela serve;
  • custo de oportunidade: a segunda ação melhor “ranqueada”, a qual é renunciada quando a ação melhor “ranqueada” é escolhida.

É importante notar que a própria categoria da causalidade é uma categoria da ação humana, pois, novamente, como Mises apontou, a ação seria impensável sem a suposição de regularidade do mundo natural. [26]

Acima estão as categorias auxiliares de toda ação. Mas a praxeologia não está limitada a proposições de generalidade tão grande como essas, caso contrário ela seria muito menos útil quanto ela de fato é.

“Tendo mostrado quais condições são necessárias para toda ação, é preciso ir mais longe e definir – é claro, de maneira formal e categorial – as condições menos gerais necessárias para modos particulares de agir.” [27]

Por exemplo, pode-se pensar sobre o modo particular de ação, “troca indireta” (obter um bem através de uma troca apenas com o propósito de trocar esse bem por um outro bem), e então pensar sobre as condições que seriam necessárias para esse modo particular . Essas condições incluiriam a existência de mais de dois atores, a existência de pelo menos três bens, etc.

“Mas o fim da ciência é conhecer a realidade”, acrescenta Mises. “Ela não é ginástica mental ou um passatempo lógico. Portanto, a praxeologia restringe suas investigações ao estudo da ação sob aquelas condições e pressupostos que estão dados na realidade. “[28]

Por exemplo, Mises não considera que a “desutilidade do trabalho” seja uma categoria da ação. [29]Ele julga a noção de trabalho sem desutilidade como sendo totalmente consistente com a noção de ação. No entanto, é um fato facilmente observado que a desutilidade do trabalho permeia o mundo real. Assim, o praxeologista, para que seus estudos sejam úteis no mundo real, deve assumir a desutilidade do trabalho em seus raciocínios. Mises enfatiza que isso não faz da praxeologia uma disciplina “empírica”.

“No entanto, essa referência à experiência não prejudica o caráter apriorístico da praxeologia e da economia. A experiência meramente faz com que a nossa curiosidade seja direcionada para certos problemas e se desvie de outros problemas. Ela nos diz o que devemos explorar, mas ela não nos diz como podemos proceder em nossa busca pelo conhecimento.” [30]

A Economia

Por exemplo, é uma questão de fato que vivemos em uma sociedade na qual os atores que produzem bens são capazes de utilizar preços, os quais são constituídos por um meio praticamente universal e basicamente comensurável de troca (dinheiro), para, através do uso da aritmética, calcular o lucro e o prejuízo para os seu negócio como um todo, e para os diversos sub-ramos da seu negócio.

Preços monetários e o cálculo econômico não são categorias de toda ação. Famílias autárquicas primitivas (assim como estados socialistas) não podem recorrer ao cálculo monetário. Mas por nós observarmos que essas categorias existem em nossa sociedade, nossa curiosidade é direcionada para os problemas que dizem respeito às mesmas.

Portanto, para que os nossos estudos nos sejam úteis no mundo real, nós restringimos muitos dos nossos raciocínios praxeológicos à subdisciplina da praxeologia conhecida como economia, ou “cataláxia”, a qual, como Mises a definiu, é o estudo da economia de mercado, i.e., “a análise daquelas ações que são conduzidas com base no cálculo monetário.” [31]Para nos engajar na ciência econômica, temos que, novamente, definir as condições necessárias para que esse “modo particular de agir” (ação calculadora), e desempacotar as implicações particulares ligadas à noção de economia de mercado.

O economista pode adicionar novos pressupostos, baseados nas condições da vida real (embora sem nunca as modelando perfeitamente), a fim de investigar as implicações necessárias dessas condições. Por exemplo, nem toda a economia de mercado concebível está sobrecarregada de controles de preços e restrições à produção. Infelizmente, a nossa está, e por isso assumimos essas condições e desempacotamos as implicações ligadas a essa noção mais complicado. Todas as leis econômicas válidas são simplesmente tais implicações tornadas explícitas.

É mais fácil aceitar leis econômicas mais amplas como verdadeiras, porque elas parecem ser “verificadas” a todo o momento na vida, pelo fato de que as condições com que elas se preocupam serem tão amplas. Mas ao nós sucessivamente adicionarmos pressupostos ao nossos experimentos mentais com o intuito de produzir leis econômicas cada vez mais específicas, surge a questão: essas proposições específicas não poderia ser refutadas pelos acontecimentos? Para entender porque essa pergunta é espúria, é útil considerar a analogia da geometria.

Primeiramente vamos refletir sobre a metodologia da geometria. Nos tempos pré-clássicos, a geometria era basicamente empírica. Por exemplo, antigos pesquisadores egípcio chamados “esticadores de corda” costumavam encontrar ângulos retos estendendo cordas com nós de forma a fazer um triângulo 3-4-5 (um triângulo com lados na proporção de 3 para 4 e 4 para 5). O princípio geométrico de que todos os triângulos 3-4-5 formam ângulos retos provavelmente foi descoberto pelos egípcios através da experiência, por simplesmente notarem, através da observação de múltiplas instâncias deles, que tais triângulos em geral tem catetos perpendiculares.

No entanto, os gregos antigos foram pioneiros na utilização de longas cadeias de inferências dedutivas para descobrir princípios geométricos (felizmente, não existia nenhum congressista Clay na Grécia Antiga para ridicularizar esse empreendimento científico dedutivo). E assim os gregos puderam descobrir o mesmo princípio (de que todos triângulos 3-4-5 formam ângulos retos) pelo raciocínio do Teorema de Pitágoras. E os gregos foram capazes de utilizar a geometria dedutiva para descobrir um grande número de princípios geométricos os quais são muito refinados para se achar através de métodos empíricos. [32]

Atualmente, o método dedutivo na geometria é universalmente aceito. Uma boa professora de geometria não vai demonstrar o teorema de Pitágoras com uma fita métrica e um monte de triângulos retângulos de plástico, exceto talvez como um exercício preliminar. Ela vai ensinar aos seus alunos a derivar o teorema a partir de premissas anteriores.

E se, na medição triângulos de plástico, um dos alunos do professor de geometria descobrir algo que não parece enquadrar-se no teorema de Pitágoras da forma como esse foi ensinado a ele pelo professor? Existem algumas explicações possíveis para tal evento.

Talvez a professora, grotescamente, não conheça ela mesma o correto Teorema de Pitágoras, ou a forma de o deduzir. Uma analogia econômica para essa situação é quando um economista teórico insere formulações viciosas (como os economistas clássicos faziam com sua teoria do valor) e raciocínios inválidos (como Keynes em grande parte de seu trabalho) na construção de um teorema econômico falso.

Talvez o aluno tenha medido a triângulos retângulos incorretamente. Isso seria análogo a um estatístico econômico recolher dados defeituosos.

Talvez o aluno não esteja sequer lidando com triângulos retângulos pra início de conversa, e dessa forma o Teorema de Pitágoras não é aplicável. Isso seria análogo a um economista tentando explicar um aumento no preço de um bem usando a teoria quantitativa da moeda quando, na verdade, a quantidade de dinheiro não se alterou, mas, ao invés disso, o preço tenha subido devido a um aumento na demanda.

Se os dados econômicos não parecem demonstrar a atuação de certos processos de mercado descritos pela teoria económica (assumindo que a teoria é sólida e que os dados estão corretos), isso indicaria que as circunstâncias devem ter sido dominadas por outros processos de mercado (também descritos pela teoria econômica pura), outro conjunto de fatores, ou pela interação de vários processos de mercado/conjuntos de fatores.

O historiador econômico utiliza dados para determinar quais as leis econômicas são mais relevantes em qualquer episódio dado. Se, por exemplo, o historiador econômico descobre dados confiáveis que mostrem que, após o aumento na oferta de um determinado bem, o preço desse bem aumentou, ao invés de cair, isso não testemunha contra a lei da oferta. Isso, ao contrário, seria uma indicação de que outros fatores relevantes estão atuando, como talvez uma queda súbita na oferta de outro bem para o qual o primeiro bem pode servir como substituto.

Qualquer que seja, em última análise, o caso, o que o aluno de geometria deveria fazer quando confrontado com dados inconciliáveis com a teoria que ele está usando? Ele deveria orgulhosamente anunciar que refutou a “ortodoxia de Pitágoras” e proclamar um novo teorema, baseado em suas medições? Ele deveria recolher uma amostra maior de conjunto de triângulos de plástico e realizar a análise estatística dos dados recolhidos?

Claro que não. Ele deveria checar a solidez do raciocínio usado na derivação do teorema, checar suas medidas e checar a aplicabilidade do teorema aos dados.

No momento em que o aluno derivou o Teorema de Pitágoras utilizando o raciocínio discursivo, ele era um geômetra. Mas no momento em que ele estava usando a geometria em conjunto com a medição para estudar triângulos de plástico, ele era um topógrafo, e não um geômetra. Embora a geometria seja indispensável para topografia, é completamente inválido tentar derivar leis geométricas a partir da topografia.

Isso é análogo à distinção crucial entre a economia e a história econômica. No momento em que um estudioso deriva teoremas econômicos usando o raciocínio discursivo, ele é um economista. Mas no momento em que ele usa a economia, juntamente com a coleta de dados, para estudar os eventos reais, ele é um historiador econômico, não um economista. Embora a economia seja indispensável para a história econômica, é completamente inválido tentar derivar leis econômicas a partir da história.

Isso não quer dizer que a topografia e a história econômica sejam indignas de esforço; longe disso, ambas são extremamente importantes.

No entanto, o melhor que a história pode fazer para um economista é fornecer ou um exemplo para ilustrar (mas não provar) um teorema econômico de forma a ajudar estudantes a entender o conceito ao lhes dar uma manifestação concreta do mesmo, ou uma pista de que talvez ele tenha realizado um raciocínio falacioso ao derivar os teoremas econômicos os quais estava utilizando. Mas mesmo nesse último caso, ele deve usar o raciocínio discursivo para capturar a falácia e, em seguida, ajustar a sua teoria de acordo com o raciocínio corrigido.

Mises utilizou a comparação frutífera com a geometria para refutar uma outra objeção popular à economia teórica:

“O raciocínio apriorístico é meramente conceitual e dedutivo. Não pode produzir nada além de tautologias e raciocínios analíticos. Todas as suas implicações derivam logicamente das premissas e nelas estão contidas. Decorre daí a objeção frequentemente feita ao apriorismo, segundo a qual este modo de pensar não pode acrescentar nada ao nosso conhecimento.

Todos os teoremas geométricos já estão contidos nos seus axiomas. O conceito de um triângulo retângulo já contém o teorema de Pitágoras. Este teorema é uma tautologia e sua dedução resulta num raciocínio analítico. Não obstante, ninguém pretenderia afirmar que a geometria em geral e o teorema de Pitágoras em particular não acrescentam nada ao nosso conhecimento. A cognição a partir de raciocínio meramente dedutivo também é criativa e abre para a nossa mente acesso a regiões antes inacessíveis. A tarefa mais importante do raciocínio apriorístico é, por um lado, revelar tudo o que se pode inferir das categorias, conceitos e premissas e, por outro, mostrar o que não se pode inferir. Sua função é tornar claro e evidente o que antes era obscuro e desconhecido.

No próprio conceito da moeda já está implícito todos os teoremas da teoria monetária. A teoria quantitativa não acrescenta nada ao nosso conhecimento que já não esteja virtualmente contido no conceito de moeda. Essa teoria não faz mais do que transformar, desenvolver e revelar conhecimento; analisa apenas, sendo, portanto tautológica como o teorema de Pitágoras em relação ao conceito de triângulo retângulo. No entanto, ninguém negaria o valor cognitivo da teoria quantitativa. Só poderá ignorá-la aquele que não estiver familiarizado com o raciocínio econômico. Uma longa série de fracassos na solução de problemas, que deveriam ter sido abordados sob a luz da teoria quantitativa, atesta bem que não foi tarefa fácil atingir o presente estágio de conhecimento.

Não é deficiência do sistema o fato de a ciência apriorística não nos proporcionar uma percepção total da realidade. Seus conceitos e teoremas são ferramentas mentais que facilitam o acesso a uma melhor compreensão da realidade; é claro que não é em si mesma a totalidade do conhecimento factual sobre todas as coisas. A teoria, por um lado, e a compreensão da vida e da realidade instável por outro, não estão em oposição. Sem a teoria, sem uma ciência apriorística da ação humana, não é possível compreender a realidade da ação humana.”[33]

Outro erro similar que os críticos cometem, é que eles se confundem sobre o sentido no qual os teoremas da economia são tautologias. Quando Mises diz que a teoria quantitativa da moeda, assim como o teorema de Pitágoras, é uma tautologia, ele está usando a definição técnica de “tautologia”, da forma que ela é usada no campo da lógica: “uma afirmação que é verdade por necessidade ou por virtude de sua forma lógica.”

Ele não está usando a definição do dia-a-dia que surgiu para o termo: “dizer a mesma coisa duas vezes com palavras diferentes,” como em “solteiros são homens adultos não casados.” Esse último tipo de tautologia pleonástica é realmente estéril (ver minha discussão sobre o “axioma da ação” na nota 24), porque ela não nos diz nada que já não fosse previamente conhecido. Mas, como Mises explicou acima, o primeiro tipo de tautologia é incrivelmente proveitoso para expandir o conhecimento de alguém que ainda não conheça todas as implicações da premissa.

Notas

[1]Ludwig von Mises, Ação Humana (AH),Introdução, § 2.

[2] Ibidem.

[3]Mises, The Ultimate Foundation of Economic Science (UFES), cap.;1.8.9

[4]Mises, AH, cap.3.1.2.

[5] Ibidem.

[6]UFES, cap.;1.8.9

[7]Meu uso do termo “inato” refere-se a caracterização de Mises da mente, como sendo já “equipada” com esses conceitos antes da utilização deles na compreensão da realidade. Ele não deve ser entendido como implicando “inerentes”, no sentido de eles estarem presentes no momento do nascimento. No entanto, pode ser que a nossa constituição genética (que por si só está presente no momento do nascimento) seja de tal forma que nós temos a capacidade biológica de desenvolver esses conceitos. “O homem adquiriu esses instrumentos, i.e., a estrutura lógica da sua mente, no decorrer de sua evolução de uma ameba até o seu estado atual.” AH, cap.3.1.2. Para uma reunião de Kant e Darwin na vasta mente de Mises, consultar “Hypothesis about the Origin of A Priori Categories” na UFES, cap.;1.8.9 No entanto, independentemente de como esses conceitos se formam, o ponto é, novamente, que eles não podem ser formados a partir da aquisição de conhecimento (interpretações significativas de sensações externas e internas), pois a capacidade de aplicar estes conceitos é um pré-requisito do conhecimento.

[8]UFES, cap.;1.8.9

[9]AH, cap.3.1.2.

[10]UFES, cap.;1.8.9

[11]Mises, Theory and History (TH), Introdução.

[12]TH, cap.14.

[13]David Hume, Investigação Acerca do Entendimento Humano, secção IV. “Porque todas as inferências provenientes da experiência supõem, como seu fundamento, que o futuro se assemelhará ao passado, que poderes semelhantes estarão conjugados com qualidades sensíveis semelhantes. Se subsistir qual­quer dúvida de que o curso da natureza pode mudar e que o passado não pode servir de modelo ao futuro, toda experiência se tornaria inútil e não geraria nenhuma inferência ou conclusão. É inconcebível, portanto, que nenhum argumento tirado da experiência possa provar a semelhança do passado ao futuro, já que estes argumentos se baseiam na suposição daquela semelhança.”

[14]TH, Introdução.

[15]AH, cap.;1.8.9

[16]AH, cap.4.2122).

[17]AH, cap.2 º, § 6.

[18]UFES, cap.3.1.2.

[19]Eu argumentaria, porém, que todos os atos de supressão de certos impulsos são, eles próprios, impelidos por outros impulsos, e que o “impulso” é, praxeologicamente falando, idêntico ao “desconforto sentido”, que origina toda a ação.

[20]UFES, cap.3.1.2.

[21]AH, cap.;1.8.9

[22]AH, cap.6 º, § 1.

[23]Arthur Schopenhauer, Prize Essay On The Freedom Of The Will.

[24]Muitos seguidores de Mises têm caracterizado a praxeologia como deduções de um “axioma da ação.” E alguns dizem que esse “axioma da ação” é “os homens agem” ou “ação é comportamento propositado.” É importante notar que Mises nunca usou o termo “axioma da ação.” Mises usou “homens” basicamente como um sinônimo de “atores”. Assim, dizer “os homens agem” é o mesmo que dizer “seres agentes são seres agentes.” Além disso, “o comportamento propositado” não significa nada mais e nada menos do que “ação”. Portanto, dizer “ação é o comportamento propositado” é o mesmo que dizer “ação é ação.” Assim, ambos os “axiomas” são pleonásticos, e nada de útil pode ser deduzido a partir deles. A praxeologia é o desempacotamento das implicações de um conceito, não de uma proposição. A praxeologia decorre do conceito que nós pensamos quando ouvimos apalavra ”ação” sozinha (ou qualquer de suas traduções ou sinônimos), e não a partir da proposição ”a ação é comportamento propositado.” Quando Mises escreveu “A ação é comportamento proposital”, ele apresentou “comportamento propositado” como um substituto esclarecedor para “ação”, para caso os leitores estivessem pensando em um outro significado da palavra “ação”, e não como uma segunda metade de uma proposição não-pleonástica a partir da qual se poderia derivar teoremas. Mises derivou a praxeologia da categoria a priorida ação, e não do “axioma da ação”. As proposições que são implicação imediatas da categoria da ação podem ser considerados axiomas (e.g., “A ação sempre envolve a passagem do tempo”), porque elas de fato são proposições e, portanto, podem ser usadas para a edificação deduções. Mas substantivos (“ação”) e pleonasmos (“ação é a ação”) não podem ser usados para tal.

[25]AH, cap.2 º, § 10.

[26]O próprio David Hume parecia implicar que a causalidade é uma implicação necessária da ação quando ele escreveu que, sem o pressuposto da regularidade “nós nunca deveríamos ter sido capazes de adaptar meio a fim, ou empregar nossos poderes naturais, quer para a produção de um bem, quer para evitar um mal. “ Investigação Acerca do Entendimento Humano, Seção V. Na verdade, longe de ser um “pré-positivista”, como ele é geralmente retratado, Hume postulou que a nossa própria noção de causa e efeito é derivada de nossa compreensão da vontade e da ação: “Um ato de vontade produz o movimento em nossos membros, ou cria uma nova ideia em nossa imaginação. Essa influência da vontade nós conhecemos através da consciência. Assim, nós adquirimos a ideia de poder ou energia; e estamos certos, de que nós mesmos e todos os outros seres somos dotados de poder. Essa idéia, então, é uma idéia de reflexão, uma vez que decorre da reflexão sobre as operações da nossa própria mente, e sobre o comando que é exercido pela vontade, tanto sobre os órgãos do corpo quanto das faculdades da alma “. Ibid., Seção VII.

[27]AH, cap.2 º, § 10.

[28] Ibidem.

[29] Ibidem.

[30] Ibidem.

[31]AH, cap.14, § 1.

[32]Embora as semelhanças entre a geometria e a economia sejam instrutivas, existem diferenças importantes entre as naturezas priori das duas, discutidas por Mises em UFES, ”Some Preliminary Observations Concerning Praxeology Instead of an Introduction,”, Section 4. Outra discussão importante sobre apriorismo da geometria está em UFES, Cap. 1.10… 1.

[33]AH, cap.2 º, § 3.

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Tradução de Gabriel Oliva.


Sobre o autor

Daniel James Sanchez

Daniel J. Sanchez é editor do site Mises.org e diretor da Mises Academy.



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