História self made man

Publicado em 26 de junho de 2013 | por Walter E. Williams

Livre mercado: Pró-rico ou pró-pobre?

Ouvindo os esquerdistas americanos, que agora preferem ser chamados de progressistas, alguém poderia pensar que o livre mercado beneficia o rico e prejudica o pobre, mas nada poderia estar mais longe da verdade. Primeiro, vamos definir o que é o livre mercado. Livre mercado, ou capitalismo laissez-faire, se refere a um sistema econômico onde não existe nenhuma interferência governamental, exceto para proibir e reprimir fraudes e coerção. Deveria estar claro que a nossa economia não pode ser descrita como de livre mercado porque existe uma interferência ampla do governo. Nós temos o que pode ser chamado de economia mista, a que tem tanto características de livre mercado quanto de socialismo. Se alguém é pobre ou tem poucos recursos, onde ele se dá melhor: no setor mais livre e mais aberto da nossa economia ou no setor altamente regulado e controlado? Vamos analisar.

Será que CarnegieMellonRockfeller e Guggenheim sempre foram ricos? Andrew Carnegie trabalhou como um ajudante, trocando carretéis de linha em uma fiação de algodão, 12 horas por dia, seis dias por semana, ganhando 1,20 dólares por semana. Quando jovem, John D. Rockfeller trabalhou como balconista. Meyer Guggenheim começou como um vendedor ambulante. Andrew Mellon tinha uma ajuda: o pai dele era advogado e banqueiro. Sam Walton [N do T.: fundador do Wal Mart] tirava leite das vacas da família, engarrafava e entregava o leite com o jornal para os clientes. Richard Sears era um agente de estação ferroviária. Alvah Roebuck começou a trabalhar como um relojoeiro. Juntos, eles fundaram a Seras, Roebuck and Company em 1893. John Cash Penney (fundador da loja de departamentos JCPenny) trabalhava para o mercador local de roupas e têxteis.

Não foram somente brancos que saíram da pobreza para a riqueza por meio do livre mercado. Alguns negros também conseguiram. Madam C. J. Walker, que se chamava Sarah Breedlove, dois anos após o fim da escravidão, conseguiu construir um império através do desenvolvimento e da venda de produtos para o cabelo. John H. Johnson fundou a Johnson Publishing Company, que se tornou um império internacional de mídia e de cosméticos. Existem muitos milionários negros nos tempos modernos que, como outros milionários, negros e brancos, encontram o caminho para a fortuna principalmente através do mercado aberto, competitivo e livre da nossa economia.

Mercados restritos, regulados e monopolizados são especialmente impeditivos às pessoas que são vistas como menos favorecidas, pessoas que chegam mais tarde no mercado e com pouca influência na política. Por exemplo, ser dono e operar um táxi é uma maneira de sair da pobreza. Ser taxista depende de poucas habilidades e de pouco capital. Mas na maioria das cidades, o taxista tem de comprar uma licença que custa dez mil dólares. A licença de taxi em Nova Iorque é particularmente escandalosa, necessitando que a pessoa tivesse que, em Maio de 2007, desembolsar seiscentos mil dólares para ser dono e operar um táxi. Leis que criam exigência de licenças para operar não discriminam racialmente, mas tem um efeito muito parecido.

Davis-Bacon Act, de 1931, que continua até hoje como lei, tinha a intenção de discriminar racialmente e tinha o efeito de discriminação racial. O Davis-Bacon Act é uma lei federal que obriga que os “salários vigentes” sejam pagos em todos os programas de construção financiados ou ajudados pelo governo federal e, desta forma, discrimina os empreiteiros de construção negros que não são sindicalizados e os trabalhadores negros. Durante o debate do legislativo em 1931, muitos congressistas expressavam motivos racistas nos discursos a favor da lei, como o Deputado Democrata Clayton Allgood, do Alabama, que disse “Uma menção seja feita a um empreiteiro do Alabama que foi para Nova Iorque com mão-de-obra ilegal. Isto é um fato. Os empreiteiros têm mão-de-obra negra barata que ele transporta, coloca em barracas e é esse tipo de mão-de-obra que vem competindo com a mão-de-obra branca em todo o país”. Os apoiadores do Davis-Bacon Act de hoje em dia usam uma retórica diferente, mas os efeitos de discriminação racial são os mesmos.

O mercado é um amigo de outras maneiras que não são tão apreciadas. Em bairros pobres, onde só vivem negros, alguém pode ver algumas boas roupas, boa comida e alguns bons carros, mas nenhuma escola boa. Por que não existem pelo menos algumas escolas boas? Roupas, comida e carros são distribuídos por mecanismos de mercado, enquanto as escolas são distribuídas pelo mecanismo político.


Sobre o autor

Walter E. Williams

Walter E. Williams é Professor Emérito de Economia da Universidade George Mason (Virginia, EUA) e colunista do jornal The Washington Examiner.



Voltar ao Topo ↑