Feminismo mudancas

Publicado em 10 de agosto de 2014 | por Jessica Flanigan

Liberdade e feminismo

Para aqueles que estão sintonizados, a última discussão libertária levantada na internet envolve o vídeo de Julie Borowski sobre o porquê de não haver mais mulheres libertárias. Nele, ela argumenta que as mulheres não são libertárias em parte porque o libertarianismo é algo considerado idiota e mulheres se preocupam mais do que os homens em relação à aceitação. Quando eu vi o vídeo, logo de primeira, eu tive uma reação similar às de meus co-bloggers, especialmente sobre a crítica de Julie às “revistas feministas liberais (de esquerda) pró-escolha”. Eu gosto dessas revistas.

Então eu li a resposta de Julie à crítica e me tornei mais simpática à posição dela. Ela tem razão quando escreve que a pressão social contra se identificar como um libertário poderia desencorajar mulheres (ou qualquer um) a fazê-lo. Julie pensa que as mulheres são mais suscetíveis à pressão, mas uma hipótese alternativa é que a cultura libertária tende a ser mais acolhedora aos homens. Adicionalmente, em algumas indústrias existem riscos profissionais reais em ser abertamente libertário. Quando algumas pessoas escutam “libertário”, isso instantaneamente é traduzido como “imbecil” ou “idiota” em suas cabeças. Dada essa percepção, é provavelmente mais arriscado para alguém que é membro de um grupo socialmente marginalizado apartar-se do mainstream. Ainda assim, penso que Julie está correta no sentido de que mais pessoas se identificariam como libertárias se o libertarianismo fosse culturalmente mais relevante, e, então, os libertários olhassem além do Estado e falassem sobre questões sociais e culturais.

Onde Julie e eu discordamos é sobre o que libertários deveriam dizer quando nós falamos sobre questões sociais. Eu penso que libertários não podem se opor a valores culturais feministas. Libertários deveriam abraçar o feminismo. Liberdade é um ideal libertário e feminista – um ideal que poderia informar nossa política e nossa cultura. Estados não são as únicas instituições que deveriam ser mais voluntárias. Assim deveriam também ser a família e o ambiente de trabalho.

Isso é uma das razões pelas quais mulheres à esquerda do espectro político poderiam dar uma nova chance ao libertarianismo. De fato, os libertários e as feministas liberais igualitárias discordam sobre soluções aos problemas como o do sexismo. Libertários são céticos de que a violência apoiada pelo Estado é a solução para padrões privados de injustiça de gênero, mas não significa que nós endossamos o sexismo em qualquer forma. Como eu argumentei posteriormente, é consistente dizer, “A não deveria ser sexista” e também dizer “B poderia não ameaçar A de violência para que este não seja sexista”.

Qualquer um que se preocupe com a liberdade deveria opor-se tanto às formas públicas quanto privadas de opressão. Isso é a razão pela qual os libertários deveriam ser feministas e feministas deveriam ser libertários.

 

// Tradução por Valdenor Júnior. Revisão por Matheus Pacini. | Artigo original.


Sobre o autor

Jessica Flanigan

Jessica Flanigan é uma estudante concluente da Princeton University Program em Filosofia Política, e uma estudiosa na Brown University. Seu trabalho explora majoritariamente a regulação ética farmacêutica. Seu interesse é em bioética, ética da liderança, feminismo, liberalismo, ética empresarial, economia política e direito.



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