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Publicado em 14 de dezembro de 2012 | por Library of Economics and Liberty

Joseph Alois Schumpeter

“Poderá sobreviver o capitalismo? Não, não o creio.” Assim começa o prólogo de Schumpeter a uma parte de seu livro Capitalismo, Socialismo e Democracia, de 1942. Poderíamos pensar, baseando-nos nessa frase, que Schumpeter era marxista. Mas a análise que levou Schumpeter a essa conclusão foi totalmente diferente daquela feita por Karl Marx. Marx acreditava que o capitalismo poderia ser destruído por seus inimigos (o proletariado), os quais o capitalismo aparentemente explorava. Marx via essa possibilidade com bons olhos. Schumpeter acreditava que o capitalismo seria destruído por seus sucessos. Previa que o capitalismo geraria uma grande classe intelectual que sobreviveria dos ataques ao sistema burguês de propriedade privada e da liberdade, tão necessários para a existência da própria classe intelectual. E, diferente de Marx, Schumpeter não estava satisfeito com a destruição do capitalismo. Ele escreveu: “Se um médico consegue prever que seu paciente morrerá logo em seguida, isso não significa que seja isso o que deseja.”

Capitalismo, Socialismo e Democracia foi mais que um prognóstico acerca do futuro do capitalismo. Foi também uma brilhante defesa do capitalismo, por estimular o empreendedorismo. De fato, Schumpeter foi um dos primeiros a esquematizar um conceito claro de empreendedorismo. Ele distinguia invenções de inovações empreendedoras. Schumpeter mostrou que os empreendedores inovam, não apenas ao viabilizar o uso das invenções, mas também ao introduzir novos meios de produção, novos produtos e novas formas de organização. Essas inovações, argumentava, necessitam de tanta habilidade e ousadia quanto o processo de invenção.

A inovação do empreendedor, argumentava Schumpeter, levava a uma onda de “destruição criativa”, já que as inovações faziam com que antigas invenções, idéias, tecnologias, equipamentos e especialidades se tornassem obsoletas. A questão, para Schumpeter, não era “como o capitalismo administra a estrutura existente, … [mas] como ele as cria e destrói.” Essa destruição criativa, acreditava, causava o progresso contínuo e melhorava os padrões de vida de todos.

Schumpeter questionava uma idéia comum, segundo a qual a competição “perfeita” seria a forma de se maximizar o bem-estar econômico. Sob essa competição perfeita, todas as indústrias produziriam os mesmos produtos, os venderiam pelo mesmo preço e teriam acesso à mesma tecnologia. Schumpeter via esse tipo de competição como algo relativamente desimportante. Ele escreveu: “[O que importa é a] competição pelo novo produto, pela nova tecnologia, por uma nova fonte de abastecimento, por um novo tipo de organização… uma competição que afete não apenas as margens de lucro e a produtividade das firmas existentes, mas também suas fundações e suas vidas.”

Baseando-se nisso, Schumpeter argumentava que algum grau de monopólio era preferível à competição perfeita. A competição pelas inovações, dizia, era uma “ameaça constante”, que “disciplina antes de atacar”. Ele citava a ALCOA como um exemplo de um monopólio que inovava constantemente para mantê-lo. Apontou que em 1929 o preço de seu produto, corrigida a inflação, tinha caído para apenas 8,8 por cento de seu valor em 1890, porém, sua produtividade tinha crescido de 30 toneladas para 103.400 toneladas.

Schumpeter nunca esclareceu completamente se acreditava que a inovação era estimulada pelo monopólio per se ou pela esperança de se obter o monopólio, como um prêmio pela inovação. A maioria dos economistas concorda com a última afirmação e, baseados nela, acreditam que as companhias deveriam ser capazes de manter seus processos de produção em segredo, ter suas marcas protegidas de violações e possuir patentes.

Schumpeter também foi um gigante no estudo da história do pensamento econômico. Sua magnum opus na área foi História da Análise Econômica, editada por sua terceira esposa, Elisabeth Boody, e publicada postumamente em 1954. Nesse livro, Schumpeter faz algumas comparações controversas entre economistas, argumentando que Adam Smith não era original, que Alfred Marshall era confuso e que Leon Walras foi o maior economista de todos os tempos.

Nascido na Áustria, sendo seus pais proprietários de uma fábrica têxtil, Schumpeter estava bem familiarizado com os negócios de sua família quando entrou na Universidade de Viena, para estudar Ciências Econômicas e Direito. Ele era um dos alunos mais promissores de Friedrich Von Wieser e Eugen Von Böhm-Bawerk, publicando, aos 28 anos, seu famoso livro Teoria do Desenvolvimento Econômico. Em 1911, Schumpeter assumiu a cadeira de Ciências Econômicas na Universidade de Graz. Foi ministro das finanças em 1919. Com a ascensão de Hitler, Schumpeter deixou a Europa e a Universidade de Bonn, onde foi professor de 1925 até 1932, e imigrou para os Estados Unidos. Naquele mesmo ano, foi convidado a lecionar em Harvard, onde permaneceu até sua aposentadoria, em 1949. Schumpeter foi presidente da American Economic Association, em 1948.


Sobre o autor

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