Economia dilma vaiada

Publicado em 16 de janeiro de 2014 | por Paul L. Poirot

O mito que o governo pode fazer melhor porque não precisa lucrar

Como qualquer aluno de economia sabe, se existem dois ou mais produtores de alguma coisa ofertando em um mercado qualquer, o produtor cujos custos de produção forem menores tem maior probabilidade de lucrar com seu trabalho. E aquele cujos custos de produção forem maiores somente vão equilibrar a receita ou mesmo ter prejuízo como resultado da venda.

No mercado da maior parte dos bens e serviços, a competição por consumidores tendem a manter os preços baixos. Cada vendedor tem de se equiparar ou vencer a concorrência em relação ao preço se espera vender suas mercadorias. Então, aquele que conseguir produzir e vender um item de forma mais eficiente tem melhor chance de atrair consumidores e lucrar. O lucro, em outras palavras, não é algo que o produtor adiciona arbitrariamente a seus custos para chegar a um preço de venda. O preço de venda é determinado pela competição; e o lucro, se existir, é ganho através do corte de custos e de uma operação eficiente.

Agora, pode ser que existam alguns poucos compradores de coisas – tão pequenas é a sua demanda – que nenhum produtor poderia possivelmente produzir e vender para eles. Quer dizer, não existe produção empresarial de nada sem lucro. Se isso acontecer, algum entusiasta de tal produto irá se pronunciar, recomendando que o governo o produza, argumentando que o governo pode fabricá-lo por um valor menor, pela simples razão de que ele não precisa lucrar!

As duras realidades da vida são de que se os consumidores realmente querem alguma coisa, o preço que estão dispostos a pagar será alto o suficiente para permitir a um ou mais produtores produzir e vender o item com lucro. Mas se não existem consumidores demandando um item, não haverá produção a não ser que o governo force alguém a fazer e vender com prejuízo, ou force alguém a subsidiar sua produção ou comprá-lo a um preço maior do que ele livremente iria pagar.

Vamos supor que existe uma demanda por cacarecos, e que o preço é alto o suficiente para permitir o lucro a um ou mais produtores. Em todas as probabilidades, existirá um ou talvez vários produtores de cacarecos só equilibrando ou até mesmo tendo prejuízo ao invés de lucro. A produção total é suficiente para satisfazer a demanda de mercado com, vamos dizer, um dólar por cacareco. E se o governo começar a produzir cacarecos sem lucrar nessa situação, e o preço cair? Imediatamente, os produtores menores eficientes falirão. Mas os operadores privados mais eficientes podem ser capazes de vender a um preço menor e ainda lucrar.

De qualquer forma, os operadores que estão lucrando em qualquer negócio não são aqueles que mantem os preços altos. É o produtor com o maior custo, de lucro marginal, cujos custos de produção devem ser cobertos pelo preço de mercado de forma a suscitar sua produção limitada e então equilibrar oferta e demanda a um preço. E que o produtor marginal, de alto custo, é sempre o primeiro a ser excluído quando o governo entra no negócio.

Não existe evidência que qualquer governo jamais lucrou em qualquer empreendimento comercial. Isso quer meramente dizer que a atividade econômica não está dentro da competência do governo. Realmente, é impossível dizer quais são os custos verdadeiros de produção sempre que a força governamental é substituída pela interação de oferta e demanda no livre mercado. Uma coisa é certa: qualquer pagador de imposto que acredita que seus impostos são muito altos não está em condições de argumentar que o governo pode produzir quaisquer coisas mais baratas!

// Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Adriel Santana. | Artigo Original


Sobre o autor

Paul L. Poirot

Paul L. Poirot foi um editor da revista The Freeman - publicação da Foundation for Economic Education (FEE) - a partir do início pouco da revista, em 1955, até sua aposentadoria em 1987.



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