Inovação & PI Homem na lua

Publicado em 21 de julho de 2014 | por David Friedman

Sem o governo, como chegaríamos à Lua?

[ Trecho retirado do livro "As Engrenagens da Liberdade", você pode obter uma cópia gratuitamente aqui.] 

Desde o Apollo 11, a oposição ao programa espacial veio quase que inteiramente de críticos de esquerda, argumentando que ele consome recursos que são muito necessários aqui na Terra. Poucos objetaram ao Sputnik. Talvez eles rejeitem não o programa espacial em si, mas a vitória dos Estados Unidos, assim como muitos se opõem não às intervenções no Vietnã, mas ao lado que escolhemos.

Enquanto isso, a maioria dos conservadores parece ter aceitado, e até adotado, o programa espacial, e com ele, a ideia de que a exploração do espaço somente pode ser realizada pelas mãos do governo. Essa ideia é falsa. Se não houvesse tanta pressa, seria possível não somente levar o homem à Lua, mas lucrar no processo.

Mas como? Talvez com um programa de televisão. O pouso do homem na Lua teve uma audiência de 400 milhões de pessoas. Com a TV paga, toda essa audiência poderia ter sido traduzida em bilhões de dólares pela série de episódios que compreenderia a trajetória de ida, o pouso e o retorno. Se um telespectador, em média, assistisse a 20 horas de programação, bastaria cobrar 25 centavos por hora pelo maior espetáculo fora da Terra.

Depois do pouso, todos, da Columbia Gas à Stouffers Foods, tentaram ganhar o crédito. Pois bem, eles poderiam ter sido cobrados por esse privilégio. Nos Estados Unidos, os gastos com propaganda somam, no total, 20 bilhões de dólares. Que empresa não daria 10% desse orçamento para participar da maior notícia desde a crucificação?

As pedras coletadas na lua, depois de estudadas, poderiam ter sido leiloadas, assim como selos carimbados na lua. Os astronautas também poderiam ter proclamado como sendo deles as terras contidas num raio de 150 quilômetros do local de pouso e vendido-as. Certamente muitas pessoas gostariam de possuir, legalmente, um território na Lua. E que tal outdoors na lua, com direito a uma pequena taxa de transporte e instalação?

Seria essa uma visão maléfica e comercializada que só um capitalista sujo, completamente pervertido pela ganância, aprovaria? Bem, a alternativa foi utilizar o dinheiro arrecadado pelo governo através de impostos, tirando uma média de 500 dólares de cada família sem lhes dar escolha, praticamente apontando uma arma para a cabeça de cada um. Será que isso é melhor que vender os valores comerciais do programa para os consumidores que desejassem? Capitalistas gananciosos ganham dinheiro pelo comércio. Bons esquerdistas roubam.

Um capitalista ganancioso poderia ter vendido o pouso na Lua por uma quantia superior a 5 bilhões de dólares. O governo gastou 24 bilhões para chegar até lá. O governo gasta pelo menos o dobro para fazer algo, quando comparado à iniciativa privada, que poderia ter gasto menos de 12 bilhões no programa Apollo.

Mas o Apollo foi um programa feito às pressas. Com um pouco mais de calma, ele teria custado muito menos. Enquanto esperávamos, o crescimento econômico aumentaria o “preço” da Lua e o progresso tecnológico cortaria os custos para se chegar lá. Poderíamos ter alcançado o objetivo, com lucros, por volta dos anos 70.

A bandeira americana, na Lua ou em qualquer outro lugar, é inútil, exceto enquanto símbolo, um símbolo do homem atingindo seus objetivos por meio da associação voluntária, cooperando por trocas mútuas em uma sociedade livre. Capitalismo. Não há honra nenhuma em gastar bilhões de dólares dos impostos para fincar um reles pedaço de metal pintado na Lua.

POSFÁCIO: A lei de Friedman

Leitores céticos podem querer evidências da afirmação de que qualquer governo gasto o dobro do que o normal para se fazer qualquer coisa. Um exemplo prático são as empresas de correios; nos Estados Unidos, empresas privadas lucram entregando correspondências de terceira classe pela metade do que o governo cobra e tem prejuízo. Outro exemplo é economia estatal da Rússia, que investia duas vezes o seu PIB, relativo aos Estados Unidos, para chegar ao mesmo crescimento econômico. O Japão investia, por meio da iniciativa privada, a mesma taxa da Rússia e cresce o dobro.

Quando este texto foi escrito (em 1973), a ideia de um programa espacial privado era o tipo de coisa que somente escritores de ficção científica e libertários extremos levavam a sério. Hoje, é a política oficial do governo.


Sobre o autor

David Friedman

David Friedman é economista, Ph.D em Física pela Universidade de Chicago e professor de Direito na Universidade de Santa Clara, Califórnia. Filho do economista prêmio nobel Milton Friedman, é autor dos livros "The Machinery of Freedom", "Price Theory: An Intermediate Text, Law's Order", "Hidden Order: The Economics of Everyday Life" e "Future Imperfect:Technology and Freedom in an Uncertain World."



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