Trabalho trabalho manual

Publicado em 21 de abril de 2014 | por C. W. Anderson

Todo empregado tem direito a um salário justo

Ser “justo” na determinação de salários é uma norma da boa administração, uma “demanda” dos líderes sindicais. Mas correndo o risco de parecer “injusto”, vamos examinar a crença de que “todo o empregado tem direito a um salário justo”.

Suponha, por exemplo, que um homem é contratado para produzir copos de alumínio. Trabalhando somente com ferramentas de mão como martelos e corta-tubos, ele é capaz de cortar e dobrar dois copos por hora – 16 em um dia de 8 horas.

A uma quadra de distância, um homem usando uma prensa, e outros equipamentos de produção em massa,  produz 320 copos  de alumínio de alta qualidade por dia. Qual é o “salário justo” para cada um?  O trabalhador qualificado que forja copos com ferramentas manuais e o homem que produz em massa 20 vezes a taxa do primeiro merecem receber a mesma quantia?

Se um defensor dos “salários justos” começa com a suposição de que dois dólares por hora é um salário justo para o homem que utiliza ferramentas manuais, é claro que cada copo deve ser vendido por não menos de um dólar – somente para cobrir os custos laborais. Mas cobrar tal preço para copos feitos à mão obviamente está fora de questão se copos superiores da fábrica concorrente são oferecidos, vamos dizer, por 25 centavos cada.

Se a escolha dos consumidores será determinada pelo preço dos copos, então, parece que esse trabalhador manual – pelo trabalho que está fazendo – pode não ser capaz de ganhar mais do que alguns centavos por hora. Se ele pressionasse por mais junto ao seu patrão, ele estaria obviamente pavimentando o seu caminho para o desemprego. Isso, é claro, dar-lhe-ia a alternativa de procurar emprego em outro lugar; provavelmente na fábrica altamente mecanizada da outra quadra.

Dentro de uma economia de livre concorrência, parece razoável que qualquer pessoa deveria ser livre para escolher entre várias oportunidades de emprego disponíveis. Contudo, se todas as partes interessadas – incluindo empresários e consumidores – devem ser igualmente livres para escolher, então está claro de que o emprego pode não arbitrariamente estipular seu próprio “salário justo” e  exigir um trabalho remunerado naquele valor.

Tampouco pode um empregador manter de modo arbitrário por um tempo considerável um “salário justo” que é mais alto ou baixo do que é indicado pela situação competitiva. Se ele tentar pagar mais do que é justificado pela produtividade de seus homens e ferramentas, ele irá à falência. E se ele pagar muito menos do que o nível prevalente naquela área, seus funcionários pedirão demissão.

Se a liberdade de escolha deve ser respeitada, então, o único “salário justo” é um determinado puramente pelo processo voluntário de barganha competitiva no livre mercado.

Um indivíduo pode lamentar as péssimas condições dos pobres companheiros na fábrica não mecanizada; como usarão suas habilidades? Realmente, é triste que lhe falte o equipamento moderno para tornar seus esforços mais produtivos. No entanto, sugerir que ele deveria receber mais do que é refletido no preço que os consumidores voluntariamente pagarão pelos copos é rejeitar o ideal da economia livre e competitiva, afastando-se da liberdade e aceitando a filosofia marxista.

Na verdade se estaria afirmando que a necessidade, e não a produtividade e a escolha dos consumidores, determina os salários; e que, uma vez que uma pessoa começa a trabalhar em certo emprego, ele tem um direito adquirido naquele emprego: o de receber mais do que merece. Ele pode censurar a decisão dos consumidores no mercado se rejeitarem o produto caro de um empregado muito habilidoso, mas o único arranjo substituto é negar o direito de escolha do consumidor através da lei, forçando ele ou outros contribuintes a subsidiar um trabalhador em particular. Ninguém pode ter o direito a tal “salário justo” puramente arbitrário, a não ser que outrem seja forçado a pagá-lo.

Assim, um “salário justo” não é algo estático o qual pode ser escolhido ao acaso, de forma arbitrária. Não é uma quantia fixa para todos os empregados, mas uma cifra que varia de indivíduo para indivíduo, em cada situação. A força física e a capacidade técnica de um empregado podem ser fatores muito importantes; mas dessa simples explanação é claro que nenhuma delas, tampouco as necessidades humanas, pode ser os únicos determinantes dos salários. O fator especial mais importante – assumindo que a escolha do produto seja feita pelos consumidores – é a produtividade a qual precede o investimento em ferramental. Quando essa verdade é reconhecida, ela totalmente acaba com a ideia falaciosa / mentirosa do direito a um “salário justo”.

// Tradução de Matheus Pacini. | Artigo Original


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