Economia pricegouging

Publicado em 20 de novembro de 2014 | por Jacob Goldstein

Porque os economistas amam a manipulação de preços e porque ela é tão rara

 [N.T.] Este artigo foi escrito durante a passagem do Ciclone tropical Sandy pela cidade de Nova York, nos EUA.

Eu estou entocado no meu apartamento no Brooklyn agora com minha esposa e nossas filhas pequenas. Mesmo se perdêssemos a energia e ficássemos trancados aqui por alguns dias, nós ficaremos bem; como milhões de outras pessoas ao longo da Costa Leste, nesse final de semana, nós estocamos manteiga de amendoim, biscoitos, leite em pó, água engarrafada, e feijão, tomates e atum enlatados.

Os preços de todas essas coisas foram os mesmos de sempre. Mas se o mercado tivesse dobrado ou mesmo triplicado os preços normais como resposta ao tumulto pré-furacão, nós teríamos comprado a comida da mesma forma, dado que não tínhamos tempo para comparar preços.

No que concerne à maioria dos economistas, seria totalmente razoável para um mercado aumentar os preços no dia anterior ao furacão. Na verdade, isso que supostamente deve acontecer. Se os preços não subirem quando a demanda aumentar, haverá escassez. Para um economista, prateleiras vazias num mercado são evidências que os preços estão muito baixos.

Em um famoso estudo, o Prêmio Nobel Daniel Kahneman e seus coautores fizeram diversas perguntas a pessoas normais sobre precificação e justiça. Uma questão descreveu uma loja de ferragens que aumenta o preço de pás de neve de US$ 15 a US$ 20 na manhã posterior a uma nevasca.

O preço mais alto envia um sinal ao mundo que diz: necessito de mais pás! Alguém que administra uma loja de ferragens a uma hora de distância poderia inspirar-se a colocar algumas pás no porta malas de um camionete, levando-as à cidade, reduzindo a possibilidade de escassez e, talvez, diminuindo os preços.

Contudo, não é de se admirar, 80% das pessoas entrevistadas disseram que o aumento do preço das pás depois da nevada seria injusto. Presumivelmente, aquelas pessoas também diriam que é injusto que uma loja duplica os preços de comidas enlatadas no dia anterior ao furacão.

As pessoas levam tão a sério tal fato que aprovaram leis de controle e manipulação de preços em diversos estados, impedindo comerciantes de aumentar preços durante furacões e outros desastres naturais. Hoje, governadores e outros oficiais estão advertindo os comerciantes contra o controle de preços; depois que a tormenta passar, existe boa chance que ouviremos algo sobre uma pessoa que foi presa por vender geradores ou água engarrafada ou comida enlatada a preços inflacionados.

Mas essa história será a exceção. Mesmo em estados sem controle de preços, a maioria das lojas não aumentará preços por geradores ou água engarrafada ou comida enlatada. O que levanta uma questão: Por quê? Por que o preço não sobe quando a demanda aumenta? Por que não vemos mais o controle de preços?

As pessoas que Kahneman entrevistou disseram que iriam punir os negócios que aumentassem os preços de forma que parecessem injustas. Enquanto eu teria pago duas vezes o preço normal pelos alimentos ontem, eu teria me sentido roubado. Depois que a tormenta passasse, eu poderia ter começado a comprar alimentos em outro lugar.

Os negócios sabem disso. E, Kahneman argumenta, quando a teoria econômica básica entra em conflito com a percepção de justiça das pessoas, é no melhor interesse de longo prazo da empresa comportar-se de uma forma que as pessoas considerem justa.

Então quando uma loja de departamento reabre depois de um furacão, o preço do feijão enlatado irá provavelmente ser o mesmo que foi na semana passada, mesmo se existir uma fila fora da porta e prateleiras vazias dentro.

// Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Adriel Santana | Artigo original.


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