Segurança abuso infantil

Publicado em 25 de setembro de 2014 | por Art Carden

Como a economia pode nos ajudar a reduzir o abuso infantil?

A última moda dos “ativistas de Facebook” a entrar no meu feed de notícias solicitava que eu fizesse o seguinte:

“Mude a foto do seu perfil do Facebook para um desenho animado de sua infância. O objetivo? Não ver uma face humana no Facebook até segunda-feira, 6 de dezembro de 2013. Junte-se à luta contra o abuso infantil e copie, cole no seu status para convidar seus amigos a fazer o mesmo”.

Meu primeiro pensamento quando sou encorajado a fazer coisas como essa é que elas são basicamente um exercício de expressão emocional que não contribuirá em nada para a resolução do problema. Acima de tudo, qual ser humano decente não é contra o abuso infantil?

E ainda assim tais atualizações fazem-me pensar sobre certas questões e como achar soluções. O que nós podemos realmente fazer para reduzir o abuso infantil?

Além de algumas propostas óbvias como trabalhar para ver os abusadores julgados no máximo rigor da lei, criar ambientes seguros em nossas escolas, igrejas e comunidades, existem algumas mudanças adicionais que podemos fazer de forma a reduzir a violência contra as crianças. A economia pode nos ajudar a identificar algumas mudanças de políticas alternativas (e, por isso, quase certamente politicamente impossíveis) que provavelmente reduziriam o problema. Aqui seguem algumas:

Eliminar as restrições governamentais à pornografia e à prostituição.

É sério. Essa proposta é provavelmente contraproducente, pois muitos de nós fomos informados que esses negócios são indesejáveis (desagradáveis) porque criam externalidades sociais (negativas) e poderiam ser um local de criação de predadores sexuais. Depois de lidar com nossas reações emotivas, contudo, um olhar frio e calculista sobre a teoria e a evidência sugere que a pornografia, a prostituição e os clubes de strip-tease são prováveis substitutos aos crimes sexuais. Indubitavelmente, as pessoas contestarão que devemos lutar contra a pornografia, prostituição, e clubes de strip-tease devido à alta correlação entre o uso da pornografia e da inclinação a crimes sexuais. Eles inferirão que a pornografia é a “raiz” dos crimes sexuais, no entanto, isso confunde correlação e causalidade. As estatísticas sugerem que a pornografia é, na verdade, uma substituta aos crimes sexuais. Fazer cumprir tais proibições também demanda recursos que são mais bem usados na condenação de criminosos violentos. Como nossa experiência histórica em proibições ao álcool, sexo e drogas ensina, tornar algo ilegal quase sempre leva tal setor para a obscuridade e, de fato, pioram os problemas que as proibições supostamente deveriam resolver.

Remover as barreiras formais à produção e a distribuição de filmes e videogames violentos.

A regulação e a proibição a filmes e videogames violentos tratam os sintomas dos problemas sociais, mas não as doenças fundamentais, e essa é ainda outra área na qual a lei das consequências involuntárias é sumamente relevante. Eu não estou a par da evidência sistemática sobre a relação entre videogames violentos e a violência real, mas o artigo “Does movie violence increase violent crime?” (“A violência dos filmes aumenta o crime violento?”) de Gordon Dahl e Stefano DellaVigna, mostram que os filmes violentos na verdade servem como escape a violência real.

Remover as barreiras à adoção.

Pelo que foi descrito por um casal de amigos, adotar uma criança é um processo desnecessariamente difícil. As barreiras à adoção significam que existe um desacordo/desalinhamento entre as pessoas que querem adotar e as pessoas que tem filhos que não querem (e que estão, assim, mais dispostas a abusar ou desprezar). Portanto, processos de adoção mais simples significariam, em tese, menos abuso infantil, menos abortos e menos sequestros de menores.

Saber quais riscos são realmente motivo de preocupação.

Um dos melhores livros sobre paternidade e maternidade que li é o Free-Range Kids de Lenore Skenazy. Em um livro que agrada meu coração de economista – e contrário à crença popular, os economistas têm sim coração (corações moles, sim) – Skenazy aponta o quanto improvável são muitas das coisas com as quais os pais se preocupam. Não é por menos que muitos de nós tendemos a…

Vigiar constantemente os filhos uns dos outros.

Nós visitamos regularmente o Museu das Crianças de Memphis. Além da segurança vigilante, os patronos do museu procuram cuidar de todas as crianças no museu, não somente as suas.

Você pode considerar as propostas acima repugnantes, mas a economia força-nos a ser claros e honestos sobre nossos objetivos e os conflitos de escolha importantes neles envolvidos. O fato é que a prostituição, a pornografia e os filmes e videogames violentos competem com o abuso infantil como válvula de escape para as tendências violentas de algumas pessoas. O abuso infantil é um problema horrível, e é algo que não pode e não deve ser tolerado. Nós podemos fazer mais – muito mais – do que simplesmente se sentir mal sobre a questão. Com algumas pequenas mudanças de políticas, nós podemos reduzir consideravelmente essa grande tragédia.

//Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Adriel Santana. | Artigo Original


Sobre o autor

Art Carden

Art Carden é professor-assistente de economia e finanças no Rhode Island College em Memphis, Tenessee, além de ser membro adjunto do Independent Institute, localizado em Oakland, Califórnia. Seus papers podem ser encontrados na sua página no Social Science Research Network. Ele também escreve regularmente nos blogs Division of Labour e The Beacon.



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