Bleeding Heart diversidade

Publicado em 10 de março de 2014 | por Steven Horwitz

Diversidade e o livre mercado

Adivinhe o que diversifica a humanidade

Uma das causas mais defendidas nas universidades e em outros lugares é a “diversidade”. Diz-se que diversificar a força de trabalho, o corpo estudantil, a reitoria, etc. criará melhores resultados para todas as partes interessadas. O desejo de fazer com que essas entidades “se pareçam mais com os Estados Unidos” vive quase incontestado como uma meta a ser alcançada.

Eu não quero contestar tal afirmação, nem desejo questionar se a melhor ou única medida para medir a diversidade em um ambiente é como as pessoas “se parecem” (em oposição a, digamos, como elas “pensam”). Em vez disso, quero sugerir que se os defensores da diversidade realmente estão falando sério, eles deveriam apoiar os mercados mais do que normalmente apoiam.

Os mercados dependem tanto da diversidade preexistente, quanto conseguem aumentá-la se deixados livres. Vamos ver um pouco de economia básica. Mercados são baseados em trocas, e trocas requerem propriedade privada. O que faz trocar nossa propriedade privada – incluindo o poder sobre nosso trabalho – tão produtivo é que todos nós temos habilidade e talentos distintos que nos permitem especializar-se na produção de algumas coisas, mas não em outras. É a diversidade daquelas habilidades e talentos que são responsáveis pela produtividade dos mercados.

Mesmo nos primórdios da humanidade, a possibilidade da troca assegurou que as pessoas que eram boas na produção de alimentos ajudassem aquelas que eram boas em outras coisas, mas não em produzir comida. O tecelão que faz roupas beneficia a comunidade da mesma forma. Contudo, essas trocas mutualmente benéficas seriam mais fáceis num mundo onde a propriedade privada é protegida e a moeda é utilizada. Os economistas chamam esse processo de especialização por “vantagem comparativa”. É só outra palavra para “diversidade”.

E, mais importante, a vantagem comparativa aponta que mesmo uma pessoa que não é tão boa quanto as outras em nada pode ainda encontrar uma coisa que ele ou ela é comparativamente melhor e, assim, contribuir para o aumento da riqueza social. O mercado pode acomodar não somente diferentes tipos de habilidades, mas também diferentes níveis de habilidade. Em um verdadeiro livre mercado, qualquer pessoa que produz algo de valor a outrem pode encontrar um lugar ao Sol. Ludwig von Mises expandiu esse insight para todas as formas de cooperação humana, nomeando-o de “Lei da Associação”: onde as pessoas especializam-se na produção e troca para conseguir o que desejam, elas criarão interdependências entre si que são formas de associação e cooperação as quais definem o que significa ser uma “sociedade”. A especialização e a troca não nos isolam e atomizam; elas nos permitem tirar vantagem de nossa diversidade para benefício de todos.

Essa característica da troca em um mercado foi energicamente expressa pelo rabino britânico Jonathan Sachs, que escreveu: “É por meio da troca que a diferença torna-se uma benção, não uma maldição”. A diversidade humana é o que faz a troca “funcionar” como um processo de geração de riqueza.

Criando diversidade

No entanto, essa é só uma parte da história. Os mercados não somente tiram vantagem da diversidade preexistente; eles também são essenciais na criação de mais diversidade. Se uma pessoa considera a diversidade como sendo algo somente referente à raça ou etnia, então vale a pena notar que a riqueza que os mercados tornaram possível permitiu aos seres humanos interagir, tanto pessoal como eletronicamente, com uma variedade maior de outros humanos do que antes. A diversidade da humanidade na qual mesmo os americanos mais pobres, mais geograficamente isolados são expostos pessoal e eletronicamente assemelha-se ao que ocorreu há várias gerações com os seus ancestrais. As amizades e casamentos entre raças e etnias, sem mencionar as relações profissionais, são muito mais comuns graças a diminuição de custos para se conhecer novas pessoas ao redor do mundo que o mercado promoveu.

Conforme os mercados criam mais riqueza, o trabalho torna-se cada vez mais especializado, a qual é outra forma pela qual os mercados levam a maior diversidade ao longo de outras dimensões. A variedade de empregos que as pessoas têm hoje é muito maior do que 100 anos atrás, gerando não somente mais riqueza, mas também mais oportunidades para encontrar pessoas que são “diferentes” de alguma forma fundamental. Pense em todos os empregos que existem hoje que não existiam um século atrás. Aquele número é muito maior do que o número de empregos que desapareceram naquele tempo. O aumento da especialização, é claro, significa maior confiança na troca, o que, por sua vez, torna-os crescentemente interdependentes.

Se aqueles que buscam maior diversidade no ambiente de trabalho, sala de aula ou numa reitoria estão fazendo isso porque pensam que o aumento da diversidade é bom, que o aumento da interdependência é positivo, que o aumento das interações com aqueles que são diferentes é bom, eles deveriam devotar pelo menos igual atenção à liberação dos mercado como política de governo. No decorrer da história humana nada contribui mais para a diversificação da humanidade e o aproveitamento de seus benefícios do que o mercado.

// Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Terceiro. | Artigo Original

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Thomas Sowell – Diversidade

Especialização e trocas


Sobre o autor

Steven Horwitz

Steven Horwitz é professor de economia na St. Lawrence University e autor do livro Microfoundations and Macroeconomics: An Austrian Perspective.



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