Armas controle de armas

Publicado em 6 de novembro de 2013 | por Sheldon Richman

A demagogia do controle de armas

Os demagogos nos ofendem porque tentam enganar nossa faculdade racional com apelos as nossas emoções. Isso praticamente resume o que os que desejam o banimento das armas fizeram desde a tragédia de Newtown.

Note como os políticos, liderados pelo presidente Obama, e as organizações que fazem lobby por políticas que restrinjam armas – as quais não teriam evitado o massacre – desavergonhadamente se aproveitam dos parentes das crianças e adultos assassinados. Pessoas decentes, é claro, não tem nada além de simpatia por aqueles que perderam  pessoas queridas, assim os arquitetos da campanha do desarmamento esperam que o sentimento irá suplantar o pensamento crítico sobre o controle de armas.

Mesmo assim, temos que lembrar que ser vítima de um ataque a tiros não torna uma pessoa autoridade em política pública ou moralidade. Isso não confere nenhum conhecimento especial sobre como evitar atentados a tiros no futuro. Toda proposta está sujeita ao escrutínio racional de qualquer um.

Se as vítimas do atentado tivessem uma compreensão superior sobre o que fazer, estaríamos numa confusão lógica. E se um sobrevivente defendesse o controle de armas e outro se opuser? Como poderíamos decidir?

No dia 16 de outubro de 1991, Suzanna Gratia Hupp foi almoçar com seus pais no Restaurante Luby em Killeen, Texas. Ela normalmente levava uma pistola escondida na sua bolsa, mas naquele dia ela deixou no carro; ela não queria arriscar perder sua nova licença de quiroprática por violar a lei que proibia que se carregasse uma arma escondida.

Infelizmente, foi também naquele dia que George Hennard adentrou com sua caminhonete pela janela do estabelecimento, abrindo fogo contra os clientes. Hupp e seus pais, como muitos outros, protegeram-se embaixo da mesa. Com Hennard sendo a única pessoa em pé, Hupp viu uma clara oportunidade de atirar nele, e tentou agarrar a sua pistola – mas não estava em sua bolsa. Seu pai tentou derrubar Hennard e foi morto. Sua mãe correu para salvar seu pai e também foi morta. Outros 21 foram mortos e 27, feridos.

Hupp está convencida que poderia ter parado Hennard se tivesse com a pistola dentro do restaurante. Mas ela obedeceu à lei, e viu seus pais morrerem. Como resultado dessa tragédia, ela se tornou uma ativista em favor de leis de porte de armas escondidas.

A questão relevante é: por que os pais das crianças de Newtown deveriam ser ouvidos, mas não Suzanna Hupp? Ambos não podem estar certos. Hupp pensa que os assassinos à mão armada são mais bem controlados através de nossa liberdade para usar armas não importa onde estivermos. Os controladores de armas pensam que a segurança requer mais restrições. A diferença é que Hupp faz uma argumentação racional, enquanto o outro lado oferece somente emoção.

Os controladores responderão que eles somente querem manter as armas longe dos criminosos pela instauração de vistorias “universais”. Contudo, na verdade, os criminosos comprarão armas no mercado negro ou as roubarão. E eles não serão impedidos por proibições vagamente definidas em relação “armas de assalto” e “rifles de precisão”. Aquelas coisas já existem em grande número e não desapareceriam com a proibição à produção. Dessa forma, as leis propostas não nos manteriam protegidos dos criminosos; em vez disso, elas nos deixariam mais inseguros por prejudicar os compradores de armas de boa índole com mais restrições e burocracia, abrindo caminho para mais controles quando os existentes falharem.

Outro exemplo de demagogia é a escoriação dos senadores que tentaram obstruir a lei de controle de armas. Eles foram acusados de algo abominável: suprimir o debate. Normalmente, é claro, a supressão do debate é condenável. Nós aprendemos através do mercado de ideias. Mas não se trata de, simplesmente, um debate livre e aberto. Um debate no Congresso tem um resultado possível não encontrado no mercado de ideias: a violação dos direitos individuais. Esse era para ser um debate sobre se os indivíduos podem ou não comprar armas sem o governo ser notificado. Mas como os indivíduos têm um direito natural de se defender sem a permissão governamental, eles têm um direito natural a participar de transações com pessoas dispostas a tal de forma a adquirir os meios para autodefesa sem a permissão governamental. Na verdade, não existe nenhum crime em meramente possuir uma arma de fogo, não importando quem seja. O real crime está somente em como a arma é usada.

O resultado é que o debate por um corpo legislativo com o poder de violar esse direito deveria ser acabado. Não tenho nenhuma dúvida de que os controladores de armas, usando de sua lógica peculiar, aplaudiriam também uma lei para suprimir a liberdade de expressão. Afinal, ideias podem ser mais perigosas do que armas.

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Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Adriel Santana.


Sobre o autor

Sheldon Richman

Sheldon Richman é um escritor político americano, acadêmico, ex-editor da revista The Freeman, atual vice presidente da Future of Freedom Foundation e editor da Future of Freedom, publicação mensal da FFF.



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