Religião individualismo

Publicado em 11 de julho de 2014 | por Edmund A. Opitz

Em defesa do indivíduo

O autor, por nove anos, ministro presbiteriano, outrora dirigiu o Programa de Conferências para a Mobilização Espiritual, focado na explanação da filosofia libertária para pastores e leigos. Muitas questões similares foram feitas no decorrer das conferências, e a experiência sugeriu formas para esclarecer alguns mal entendidos. O diálogo que segue é uma reconstrução de muitas conversas.

A: Pelo que entendi, sua filosofia representa uma posição de individualismo extremo. Eu não concordo com essa posição; eu não creio que o indivíduo tenha qualquer direito de ignorar a sociedade ou outras pessoas. Minha posição é análoga a do apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios: “nós somos membros uns dos outros”.

B: Tentarei explicar-lhe algo sobre nossa posição, e então você poderá decidir se ela representa o que você rotula de “individualismo extremo”. Não é fácil definir uma palavra como ‘individualismo’. É, na verdade, outra daquelas palavras cujo significado foi totalmente distorcido. Você parece falar do individualismo como uma doutrina que força um homem a ignorar a sociedade. É esse o seu entendimento?

A: É, praticamente isso. Um individualista é alguém que insiste em viver sua própria vida, da forma que lhe parece adequada; ele não sente obrigação de ajudar a outrem, e diz que não se importa com o que faz o resto das pessoas.

B: Você propôs várias descrições sobre individualistas e individualismo. Não estou certo de que sejam consistentes entre si. Tratando-as em ordem, você mencionou primeiro o direito a ignorar a sociedade ou outras pessoas.

A: Isso não é parte do credo individualista?

B: É parte do credo de todos os homens livres! É concebível, porém certamente incomum, que um homem queira se afastar da humanidade, vivendo isolado. Na história do Cristianismo, existem muitos exemplos: dos eremitas do deserto egípcio ao que chamamos de comunidades de solitários como os cartusianos modernos. E existem eremitas seculares que se isolam nas florestas por razões particulares que são de difícil compreensão para nós. Se você declara que um homem não tem direito a fazê-lo – que ele tem um direito de ignorar a sociedade – então você deve acreditar que aqueles que fazem parte do que se constitui a ‘sociedade’ têm o direito de usar a coerção sobre esse individuo relutante para forçá-lo a ficar.  Você acredita que uma pessoa que deseja escolher outra companhia que não a nossa, como no caso de Thoreau em Walden, deveria ser tratado como um soldado desertor, perseguido, trazido de volta acorrentado, preso e julgado por sua traição?

A: Não, não é isso que eu quis dizer.

B: Contudo, se um homem não tem o direito de ignorar a sociedade, a inferência lógica é que a sociedade deve exercer seu direito de frustrar qualquer esforço de ele ignorar a sociedade.

A: Minhas palavras não foram bem escolhidas. Eu certamente não quero estar na posição de comparar a sociedade a um exército no qual os homens devem ser mantidos à força mesmo se  têm desejo de abandonar. Eu foco em encorajar os homens a reconhecer suas obrigações para com outros homens.

B: Bem, essa é uma questão totalmente distinta. Usar a coerção para forçar um homem a se associar com pessoas levanta problemas de um tipo; usar a persuasão para ajudar uma pessoa a perceber suas obrigações perante as outras levanta questões de outro tipo. Mesmo quando se usa a persuasão, você não deve invadir a privacidade do outro, mas sim respeitar o direito universal do outro escolher seus amigos, sua igreja, seu clube, as pessoas que convidará para sua casa, as pessoas as quais permitirá usar suas máquinas e instalações caso ele tenha uma fábrica, os professores que seleciona para educar seus filhos, o médico que escolhe para trata-lo quando está doente e assim por diante. Um homem tem o direito de viver sua vida como escolher, de acordo com sua vontade e sua consciência. Contudo, ele não tem direito a viver à custa de qualquer outra pessoa.

A: Isso é o que eu tinha em mente; o individualismo é a doutrina na qual alguns homens têm um direito, se assim lhe convier, a viver à custa dos outros.

B: Se essa é a definição atual de individualismo, então essa palavra, assim como o que ocorreu com ‘liberalismo’, sofreu uma completa mudança. Antigamente, o individualismo significava a filosofia na qual cada pessoa, independente de raça, credo ou educação, tem o direito a seguir as sugestões de sua consciência, contanto que permitisse que todas as outras pessoas disfrutassem do mesmo direito. Ela se aproxima da segunda definição que você ofereceu: “um individualista é quem insiste viver sua vida da forma que quiser”. No entanto, essa definição deixa de fora uma cláusula importante: que todas as pessoas devem ter o mesmo direito.

A: Essa cláusula oferece uma compreensão distinta da questão.

B: Realmente. Nós honramos os homens que escolheram obedecer aos ditames da sua consciência em vez do comportamento normal de seus conterrâneos, quando foram forçados a escolher. Citando as palavras de São Pedro “Nós devemos obedecer a Deus e não aos homens”. Martinho Lutero disse, “nenhum homem pode controlar minha consciência”. Quando um homem é levado a concluir que as sugestões de sua consciência aproximam-se da voz de Deus mais do que as máximas morais de seus conterrâneos, então a maioria de nós concordaria que ele deve seguir sua própria consciência; e isso significa viver sua própria vida, da forma que lhe convier.

Mas isso é completamente separado do resto de nossa definição. Um homem pode, ao mesmo tempo, viver sua própria vida e sentir uma forte obrigação de ajudar outras pessoas. Não somente alguns homens sentem-nas como obrigações compatíveis, mas também as sentem como uma mesma obrigação com duas partes.

A: Talvez o individualismo seja um rótulo incorreto para o que tenho em mente. Como você o define, a filosofia do individualismo não parece ruim. Eu gosto da ideia de o homem seguir sua própria consciência desde que respeite o direito de outrem fazer o mesmo.  No entanto, mesmo tal fato não parece destacar suficientemente o aspecto social da pessoa. Eu penso que as pessoas se realizam em sociedade, e que você, com sua ênfase no governo limitado e sua análise da ação política, fracassa em enfatizar a importância da vida social.

B: Se fracassamos em enfatizar a importância da vida social, não é porque fracassamos em reconhecer a importância da vida social. A limitação do governo não é um fim em si; é um meio para um fim, e o fim é o enriquecimento da vida pessoal e social das pessoas. Limitar o escopo do governo expande o escopo da sociedade, aumentando a esfera das atividades criativas. Você observou que as pessoas encontram realização na sociedade, e penso que sua observação é verdadeira. Mesmo aqueles que escolhem na maturidade serem ermitões levam consigo na sua solidão a herança social que adquiriu de sua família e comunidade. A sociedade é o terreno propício para as pessoas; a pessoa é o fruto saboroso dele. A sociedade, então, é um meio; a pessoa é o fim.

A: Você parece sugerir que se os seres humanos somente limitassem o governo, então o resultado automático seria uma sociedade civilizada com super-homens dela emergindo. Devo estar exagerando, você poderia esclarecer melhor?

B: Limite o governo entre os moradores da ilha Andaman e você não produzirá um Dante, um Bach ou um santo, não na geração atual, pelo menos. O que o futuro reserva, nenhum homem pode dizer. A qualidade das habilidades sociais e pessoais que as pessoas podem trazer para uma associação determina o nível que tal sociedade alcançará. A mera limitação do governo não produz habilidades “do nada” de forma imediata. Mas seja qual for o potencial nas pessoas, elas o maximizarão se impedimentos artificiais forem retirados do caminho.

Mesmo entre os ocidentais, com uma rica herança social e um nível comparativamente alto de civilização, não existe uma escada que nos conduz ao auge da realização pessoal. Na literatura religiosa, o que é chamado de redenção, salvação ou renascer não é uma realização automática; é algo que requer esforço incansável de parte do indivíduo.

Essas são questões de preocupação central para leigos e religiosos, e alguns deles estão lidando com elas de forma competente. Além disso, em nosso tempo, os psicólogos estão se preocupando com problemas sociais e pessoais que dizem respeito a essa área. Contudo, apesar do trabalho especializado dessas pessoas, observamos que o comportamento antissocial está aumentando, assim como a desorganização social. Certamente, uma forma de reverter essa tendência é por meio da melhor compreensão de uma filosofia que manteria o governo, isto é, a violência legal ou a ameaça de violência, limitada a sua função específica. É a intrusão da violência legal sobre áreas da sociedade onde o governo não tem função a qual tem prejudicado algumas das nossas habilidades sociais, estabelecendo restrições arbitrárias aos outros.

A: Antes de prosseguirmos, gostaria que você dissesse algo sobre as características de um governo propriamente limitado. Quais são as funções mínimas do governo no seu ponto de vista?

B: Posso lhe dar uma resposta em poucas palavras: o governo é o agente de coerção da sociedade, e sua função específica é defender a vida, a liberdade e a propriedade de cada indivíduo. Eu acredito que essa resposta é simples, mas precisa; mas o seu entendimento, tal como o entendimento de uma fórmula química, requer um pouco de esforço. Essa resposta e a sua questão possuem inumeráveis implicações, e a exploração dessas implicações é do que trata a teoria política.

A: Eu vejo que haveria muitas implicações, mas não quero me desviar do tópico que despertou essa conversa particular. Você se recorda que eu estava preocupado pelo que considero seu individualismo extremo. Eu posso ter de retificar minha posição de alguma forma porque você parece compartilhar uma preocupação com relação ao enriquecimento da vida em sociedade, ou vida social como você a chama. No entanto, naquilo que você acabou de dizer sobre o governo, me parece que você tem uma concepção completamente insocial do governo. Você limitaria o governo à defesa do indivíduo; eu não vejo porque o governo não pode ser usado de forma positiva para alcançar objetivos sociais. Fiquei impressionado pelo que certo teólogo disse nesse sentido. Ele disse que os cristãos deveriam regozijar-se “que, pelo mecanismo do governo, podemos alimentar os famintos, vestir os despidos, e amar nossos irmãos de forma prática”. Essa me parece a aplicação prática do cristianismo à ordem social.

B: Eu não estou certo sobre quão cristã, nem quão prática tal ideia é, sinceramente. Ninguém pode exercer a responsabilidade pessoal de outra pessoa por ela; e é difícil torcer as palavras de Jesus, “sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”, de forma que diga que os homens deveriam erigir um mecanismo político elaborado para lhes absolver da obrigação que é inerente ao homem: o de amar o seu próximo. No que diz respeito à natureza prática da ideia de que o governo pode garantir a segurança pela promessa de quantidade mínima de alimento, roupas e abrigo – considere o fato de que o governo propriamente dito não possui alimento, roupas ou abrigo para distribuição. O governo não pode dar nada a ninguém sem, primeiro, privar alguém do que é seu de direito.

A: Esse trecho particular do Evangelho que você cita parece realçar a responsabilidade pessoal, e você poderia, indubitavelmente, encontrar muitos outros textos que reforçam tal ideia. Mas, acima de tudo, Paulo estava mais próximo do que nós daquela realidade, e disse: “nós somos membros uns dos outros”.

B: Você considera essa observação de Paulo como uma verdade geral sobre a humanidade, ou isso se aplica somente às igrejas primitivas? É certamente verdade que essas primeiras comunidades cristãs eram unidas pela lealdade comum a Jesus.

A: Eu penso que a observação, “nós somos membros uns dos outros” aplicado às igrejas primitivas; contudo, elas também contem uma verdade mais ampla. Ela tem uma aplicação à condição geral de toda a humanidade.

B: Eu também acredito que essa observação se aplica à situação humana. Os homens possuem um aspecto genuinamente social. Contudo, os homens possuem dois outros aspectos: o pessoal e o antissocial. Existem certos aspectos sobre cada um de nós que são inegavelmente individuais. Ninguém pode digerir a comida por nós, nem fazer circular o sangue por nós. Ninguém pode pensar, desejar ou acreditar por nós. Em cada um de nós existe uma alma individual. Um dos grandes praticantes da meditação nos disse, “buscar a Deus é se aprofundar em si mesmo. Pois quem busca, entra e vai além de si mesmo, verdadeiramente busca a Deus”. Existem certas coisas que ninguém pode fazer por nós, somente nós mesmos. No entanto, não somos nômades que se desenvolvem dentro de uma caverna insulada do contato social. Nascemos dentro de uma família e uma comunidade.

Uma imensa herança social é colocada a nossa disposição – um tesouro que foi acumulado por meio das contribuições de um grande número de indivíduos, alguns famosos e outros desconhecidos. Conhecimento, sabedoria, habilidades e as formas pelas quais podemos nos beneficiar desse tesouro são entregues a nós. O problema aqui não é análogo ao racionamento de uma quantidade X de bens a um número Y de pessoas; é análogo a manter um canal aberto para que a torrente espiritual acumulada nas gerações anteriores possa fluir livremente, sendo enriquecida por meio do entendimento e da ação dessa geração, e passada adiante, intermitentemente. A diminuição da liberdade política é comparável à obstrução desse canal; a liberdade é a remoção de quaisquer obstruções a esse fluxo.

E somos seres sociais em outro aspecto. As outras pessoas são as coisas mais maravilhosas na criação; associamo-nos a elas para nosso deleite, instrução, diversão e prazer. Nossas mentes são incitadas pelas mentes de nossos amigos, e nós incitamos as mentes deles e de pessoas que nem conhecemos. Nós nos fortalecemos quando outros nos encorajam, e nos deprimimos quando nos criticam. Mesmo que sejamos capazes de seguirmos adiante por conta própria se nossa consciência assim demandar, é de nossa natureza o convívio em comunidade e amizade. Não existe maneira de expressar matematicamente a diferença entre um indivíduo isolado – e duas pessoas unidas por um laço de lealdade. G. K. Chesterton expressou bem esse ponto. Escrevendo sobre um de seus personagens:

do início ao fim de sua provação, seu principal terror tinha sido o isolamento, e não existem palavras para descrever o abismo entre o isolamento e ter um aliado. Podemos conceder aos matemáticos que quatro é 2×2. Mas 2 não é 1×1; 2 é 2 mil x 1.  

O relato não está completo, entretanto, se mencionarmos somente os aspectos privados e sociais da personalidade. Cada um de nós possui um lado antissocial; o qual, a maioria de nós, consegue refrear na maioria das vezes. O pior de tudo é que algumas expressões de nossa natureza antissocial disfrutam de aprovação social! Uma faceta de nossa natureza antissocial é nosso desejo de obter uma posição politicamente privilegiada para nós mesmos à custa dos outros, disfarçando-a sob o véu do politicamente correto e fortalecendo-a com religião, costumes e tradições. Existe uma tendência em cada um de nós de economizar nossa energia, satisfazer nossas necessidades e desejos com o mínimo de esforço. Isso significa, frequentemente, que satisfazemos nossas necessidades e desejos como o fazem os parasitas. É tão forte essa tendência que corrompe e perverte até nossos ideais mais elevados.

Nós abraçamos a ideia da liberdade, e a invertemos para significar a liberdade de alguns explorarem outros. Apoiamos da boca pra fora a ideia da igualdade, e agimos como se alguns homens fossem mais iguais do que os outros. Falamos favoravelmente da justiça, e aprovamos a injustiça na lei. Abraçamos a religião que diz que nenhum homem está fora do alcance do amor e do poder de Deus, e então o institucionalizamos para provar que estamos perto o suficiente de Deus para brincar de Deus com as nações estrangeiras.

Esse pode parecer um sermão muito distante da consideração da natureza do funcionamento do governo. No entanto, como Irving Babbitt destacou: “o problema político se tornará um problema filosófico, e o problema filosófico será quase indissoluvelmente ligado, no fim das contas, ao problema religioso”. Temos de chegar a um entendimento sobre o que o homem é antes que possamos discutir a questão do lugar que a ação política e o governo em si deveriam ocupar nos assuntos do homem. Nós somos sociais; nós somos membros uns dos outros. Se isso é verdade, resulta que não temos de ser coagidos a nos tornar sociais.

A: Eu acompanho seu pensamento; afinal, não podemos ter que ser forçados a ser o que somos.

B: Contudo, pouco tempo atrás você estava defendendo que o governo fosse usado de forma positiva para alcançar objetivos sociais. Isso resta na premissa de que o homem não é social, que não alcançaria os objetivos sociais sem as intervenções coercivas do governo para guiar seus passos. Na verdade, a premissa de toda variedade de coletivismo, seja o socialismo, o comunismo, o estatismo de bem estar, ou o evangelho social, é que a natureza  do homem o impede de atuar socialmente a não ser que a violência ou a ameaça de violência, disfarçada como legalidade, seja usada. A premissa é que o homem é associal ou mesmo antissocial, e que ele deve ser censurado e oprimido até que haja “de acordo”.

Eu concedo que a liberdade não prenunciaria a Utopia, porque as façanhas sociais do homem são limitadas por sua natureza. Ele é um pecador, e é sempre tentado a negar sua finitude em um esforço para mandar na vida dos outros. Contudo, devo perguntar, se somos membros uns dos outros, como alguns membros podem se apropriar da prerrogativa de controlar outros membros?

A: Para o momento, pelo menos, até que possa pensar em alguns argumentos, eu posso ver alguns problemas com a ideia de que o governo é a instituição correta para o cumprimento dos fins sociais. Mas qual é, então, o papel do governo?

B: Se os homens são naturalmente sociais assim como individuais, sua engenhosidade e energias criativas lhes levarão a formas de associação onde esperam encontram felicidade e realização – assim como naquelas associações as quais lhes permitem satisfazer suas necessidades básicas, de forma pacífica, com o menor gasto de energia. O governo é a ferramenta social de coerção. É basicamente a forma pela qual nós provisionalmente concedemos o direito ao uso da coerção sobre membros da sociedade sob condições especiais.

A: Se, por coerção, você se refere à violência física em si ou a ameaça de violência, você admite a necessidade de ação social com o direito ao uso da coerção?

B: A resposta é sim para ambas as questões. Como todas ou quase todas as pessoas possuem um lado antissocial, o qual, em algumas delas é refletido como um comportamento público, a saber, assassinato, roubo, fraude ou difamação, nós precisamos de uma instituição para lidar com esse aspecto da natureza humana. Vimos que não podemos tornar os homens sociais pela força; eles são sociais por natureza. Contudo, onde o lado antissocial se manifesta como violência direcionada por um membro da sociedade contra o outro, então, precisamos de uma instituição social com força suficiente para neutralizar ou impedir a violência privada. Essa instituição, executando suas devidas funções, age como uma restrição a atos antissociais, agressivos, invasivos e criminosos. Restringe o agressor pela força, se outros meios não são efeitos; e concedem paz às vítimas de agressão.

A: Pelo que entendo, os indivíduos cuidariam de suas necessidades pessoais e sociais por conta própria ou juntos e o governo não se meteria. A necessidade da instituição do governo depende do fato de que existe um lado antissocial da natureza humana. Funções governamentais dentro da esfera devida, restringindo o comportamento antissocial. É isso?

B: Correto! A isso que me refiro por governo limitado. Eu posso adicionar que restringir o comportamento antissocial será provavelmente um trabalho de longo prazo, e extremamente complexo. Não é sempre fácil dizer quem é o agressor e quem é a vítima, mas a experiência oferece um grande conjunto de leis para dar assistência nesses casos.

A: Portanto, o governo limitado é estruturado para defender o indivíduo e, de outra maneira, deixá-lo em paz.

B: Correto! Gostaria que você notasse que o conceito de governo limitado depende da premissa que o indivíduo, todo o indivíduo, merece ser defendido. É um conceito secundário, derivado do conceito religioso primário de dignidade da pessoa. O conceito do valor da pessoa é, pelo menos para nós do Ocidente, uma herança do Cristianismo, oriundo dos ensinamentos de Jesus. Para reforçar o consenso geral sobre Jesus e o verdadeiro individualismo, permitam-me citar uma passagem de um dos livros de Kenneth Scott LaTourette:

Embora Jesus tivesse muito a dizer sobre o Reino de Deus, e nisso deveria ter significado, se não uma estrutura social visível, pelo menos a relação entre os homens, ele estava profunda e principalmente interessado nos indivíduos e viu a sociedade, os costumes e as instituições somente no seu efeito sobre os indivíduos [...] ele declarou que tinha vindo para salvar o que tinha se perdido, e ele se referia, indubitavelmente, aos indivíduos.


Sobre o autor

Edmund A. Opitz

O reverendo Edmund A. Opitz foi um ministro congregacional que por décadas lutou pela causa de uma sociedade livre. Por 37 anos, foi membro da staff e teólogo na Foundation for Economic Education. Na década de 50, foi parte da Mobilização Espiritual, uma organização que publicou a revista Fé e Liberdade, que teve entre seus articulistas Murray Rothbard e Henry Hazllit.



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