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Publicado em 30 de maio de 2013 | por Lawrence W. Reed

O conselho de Lincoln

O feriado do Dia do Presidente que marcamos a cada ano nessa época serve para nos lembrar de George Washington e Abraham Lincoln.

Dos dois homens, dou crédito a Washington tanto pela maior conquista quanto por ser melhor exemplo. Um século e meio depois da Guerra Civil, a idolatria a Lincoln ainda domina os livros de história, e até mesmo os desafios acadêmicos para o seu legado muitas vezes são desprezados como impensáveis. Seja qual for a sua avaliação da presidência de Lincoln, você provavelmente vai apreciar os sentimentos que ele expressou em uma carta, há muito esquecida, que ele escreveu a seu meio-irmão, John D. Johnston, em 2 de janeiro de 1851.

Parece que, conforme a carreira política e legislativa de Lincoln avançava, ele era muitas vezes abordado para assistir a familiares mais pobres. Ele era generoso, mas não mais do que o necessário. Quando Johnston veio a ele pedindo por mais um de vários empréstimos, Lincoln aproveitou a oportunidade para dar uma lição sobre trabalho e auto-confiança que muitos americanos podem aprender hoje.

“Querido Johnston,” Lincoln começou. “Não acho que seria o melhor cumprir com seu pedido de 80 dólares agora. Nas várias vezes que eu lhe ajudei um pouco você me disse, ‘Nós podemos nos virar muito bem agora’; mas em um tempo muito curto eu lhe encontro na mesma dificuldade. Agora, isso só pode acontecer por algum erro em sua conduta.”

Uau, você consegue imaginar isso? Responsabilizar alguém por seu comportamento! Não há nenhuma suposição automática aqui que, se você é pobre, a culpa é de outra pessoa. Incentivos importam afinal de contas.

“Você não é preguiçoso, e ainda assim você é um ocioso,” Lincoln continuou. “Tenho dúvidas se, desde que te vi, você trabalhou um dia inteiro em qualquer dia. Você não odeia trabalhar, e ainda assim você não trabalha muito, simplesmente porque não parece que você poderia obter muito por aquilo. Este hábito de perder tempo inutilmente é a própria dificuldade; é muito importante para você, e ainda mais para os seus filhos, que você quebre esse hábito “.

Lincoln faz uma proposta ao seu meio-irmão. Mais especificamente, que ele “vá trabalhar, sem medir esforços, para alguém que lhe dê dinheiro por isso.” Para cada dólar que Johnston ganhar de forma justa, Lincoln se oferece a dar outro dólar, pelo menos até um certo ponto. Ele escreve: “Agora, se você fizer isso, irá em breve quitar suas dívidas, e, o que é melhor, você terá um hábito que irá evitar que você contraia dívida novamente. Mas, se eu eliminar suas dívidas agora, no próximo ano você estaria tão afundado quanto nunca.”

A partir de sua própria experiência como subsidiador, Lincoln entendeu que se você incentiva algo, você terá mais do mesmo comportamento. Ele tinha atingido o seu limite com Johnston. Para obter o comportamento correto dele, o sistema teve de ser alterado.

Te faz pensar, não é?

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Tradução de Felipe Alessandro. Revisão por Matheus Pacini.


Sobre o autor

Lawrence W. Reed

Lawrence W. Reed é presidente da Foundation for Economic Education desde 2008. Formado em economia, já foi professor e é um prolifero palestrante



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