Bleeding Heart fronteiras

Publicado em 9 de abril de 2014 | por Michael Strong

O cartel responsável pela pobreza global

Uma das inconsistências mais profundas no pensamento moral da esquerda igualitária mainstream reside em considerar que condomínios fechados são ruins, porque eles são exclusivos, enquanto os estados-nação são bons, a despeito do fato de que eles são exclusivos. Se a exclusividade de condomínios de pequena escala é ruim, porque a exclusividade de condomínios fechados em uma escala muito maior poderia ser boa de alguma forma? Essa perversidade moral mostra apenas o quão profundamente o paradigma do estado-nação distorce nossa visão moral.

comunidade cercada

Isso não é a fronteira Estados Unidos-Canadá, mas poderia ser!

Eu poderia ser um dos poucos libertários que gostaria parcialmente das nações escandinavas, se somente elas pudesse largar mão de sua presunção moral e reconhecer que elas não são mais moralmente sublimes do que condomínios fechados. Se nós autorizássemos os mórmons a delimitar fronteiras ao redor de Utah e manter a “ralé” fora, eles poderiam criar algo parecido com a Suécia – Mórmons são comprometidos a ajudar outros mórmons quando estes estão com pouca sorte. Eu vejo suecos como um clã de pessoas que querem ajudar outros suecos e manter não-suecos fora tanto quanto possível. Apenas que este clã tem seu próprio estado-nação, enquanto os mórmons não o têm. Se nós autorizássemos empreendedorismo em matéria de governo, através de secessão, zonas livres, cidades modelo, ou cidades no oceano, então eu consigo imaginar vários clãs vindo a possuir seus próprios estado-nação/condomínios fechados, e muitos deles teriam programas de “bem-estar social” muito generosos.

A maneira mais rápida de, no presente, fazer os mais pobres do planeta ficarem em melhor situação é dar a eles acesso às nações desenvolvidas – autorizá-los a imigrar. Um mexicano desqualificado pode ganhar dez vezes mais por dia nos Estados Unidos que no México, e, enquanto alguns custos de vida sejam mais altos, alguns são realmente mais baixos aqui. Não há nenhum programa de transferência de qualquer tipo que possa prover uma tão grande melhora no padrão de vida, e tão depressa, quanto a imigração consegue. Até que nós possamos criar um mundo de empreendedorismo governamental, fronteiras abertas devem ser a prioridade número um para todos aqueles comprometidos com o princípio rawlsiano de fazer “que aqueles em pior situação fiquem em melhor situação”.

 (De fato, filósofos morais utilitários podem ser apenas sem noção; em um debate entre o famoso filósofo moral Peter Singer e o economista Tyler Cowen, quando Cowen trouxe a imigração como uma questão moral e explicou o porquê, Singer foi forçado a reconhecer que isso soava como uma questão moral importante, mas uma que ele nunca tinha pensado sobre. Aqui está um homem que escreveu dezenas de livros sobre filosofia moral, um dos filósofos morais mais famosos dos dias atuais, sendo que o livro discutido foi o mais recente livro de Singer acerca do fim da pobreza global, e ele nunca sequer pensou sobre a questão da imigração!)

Mas imigração é tão efetiva em aumentar riqueza somente porque nós temos um cartel juridicamente vinculativo sobre a criação de novos sistemas legais. Normalmente nós somos moralmente indignados com monopólios e cartéis, porque eles usam seu poder de monopólio para restringir o produto e aumentar o preço; é um jogo de poder puro sem nenhuma justificação moral de qualquer tipo – “Nós iremos enganá-lo, porque nós temos poder para fazê-lo”.

Mas no caso dos estados-nação, há apenas aproximadamente 200 soberanias legalmente autorizadas, um clube cuja entrada é controlada por uma pequena “cabala” dos estados-nação mais poderosos, e raramente novos Estados são autorizados a existir. Um Estado-nação privado, com fins lucrativos, não importa o quão efetivo em melhorar a vida de seus cidadãos, não teria a menor chance de receber o reconhecimento diplomático com o clima da opinião pública atual.

A pobreza global é causada por acesso restrito aos sistemas legais de alta qualidade. Na medida em que há obstáculos à replicação de sistemas legais de alta qualidade, o sistema de governança global está agindo como um cartel que restringe entrada. Então cerca de quatro bilhões de pessoas estão ferradas porque as pessoas no topo gostam do sistema da maneira como ele é, e todos os rawlsianos acadêmicos (faça-me saber se você descobrir mesmo uma única exceção) cegamente apoiam esse sistema que desgraça os quatro bilhões de pessoas mais pobres do mundo. Por seu próprio padrão moral, eles são cúmplices do maior crime moral da Terra.

Na medida em que novas Cidades Livres (talvez como as zonas livres autônomas) surjam, elas aumentaram a oferta de sistemas legais de alta qualidade e reduzirão o poder do cartel gradualmente. Se nós tivéssemos uma indústria global de desenvolvedores de Cidades Livres, então seria permitido que criássemos novas entidades soberanas, e essas corporações competitivas responderiam à demanda do mercado por sistemas legais e infraestrutura de mais alta qualidade, de modo que o poder do cartel diminuiria. Não somente a pobreza seria dramaticamente reduzida, mas versões de mais alta qualidade de todos os serviços atualmente providos pelos membros do cartel se tornariam disponíveis, e a qualidade de vida da maioria da humanidade poderia melhorar. Isso é obviamente a direção que todo rawlsiano consciente deveria apoiar.

Isso é a razão de eu me referir ao movimento pelo empreendedorismo em matéria de governos, sem ironia, como o movimento mais progressista do planeta. Ou, para coloca-lo de outra maneira, Nozick foi o Rawlsiano definitivo.


Sobre o autor

Michael Strong

CEO da Flow, Inc., e o autor de “Be The Solution: How Entepreneurs and Conscious Capitalists Can Solve All The World’s Problems.



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