Educação bullying

Publicado em 7 de janeiro de 2015 | por Samuel Staley

Bullying, autodefesa e o imperativo libertário

O bullying está obtendo destaque crescente como questão social, marcado pela estréia recente do documentário “Bully”, mas precedido por dezenas de livros que evidenciam seus efeitos destrutivos sobre nossos filhos (veja o clássico The Outsiders de S. E. Hinton e Blubber de Judy Blume). À primeira vista, os libertários podem pensar que têm pouco a contribuir com esse debate público: bullying e intimidação são tão antigos quanto o reino animal. Com a introdução de programas anti-bullying no currículo escolar e na vida civil, examinar os papéis e responsabilidades dos indivíduos provavelmente se tornará um elemento decisivo dessas soluções. E é aqui que os libertários têm um importante, mesmo que improvável – e até agora incompreendido – papel na questão.

Sem dúvida, parte do papel libertário é oferecer perspectiva e desmascarar mitos. O editor da versão online da Reason magazine (e ex-colega) Nick Gillespie, por exemplo, iniciou uma excelente discussão online sobre o tema bullying, baseada em um artigo muito pragmático e simples no Wall Street Journal (1º de Abril, 2012), apontando as armadilhas da paternidade excessivamente protetora, que as estatísticas atuais sugerem que a violência nas escolas está na verdade caindo e que as campanhas anti-bullying estão sendo usadas para atrair mais intromissão do Estado-babá.

Contudo, não acho que seja só isso. O bullying é real, mas que seja um problema antigo, e uma abordagem libertária pode proativamente completar uma estrutura geral de resposta ao bullying e à intimidação pelo reconhecimento de que: a solução deve incluir um componente de individualismo e empoderamento; e às vezes, os tipos mais severos de bullying terão de ser tratado diretamente fora da autoridade formal escolar, da família ou mesmo da lei.

Muitas campanhas anti-bullying atuais ignoram esses elementos e, como resultado, podem ter efeitos perniciosos em uma sociedade livre, algo que descobri enquanto pesquisava para escrever meu último romance infantil com foco no tema bullying. Como pai de dois adolescentes, eu não me oponho à primeira linha de defesa tradicional e recomendei estratégias anti-bullying – procurar ajuda de pais, professores e outros adultos. Tentar resolver o problema por meio do diálogo. Às vezes, você pode simplesmente ir para outra escola. Essas são estratégias e táticas são frequentemente boas e efetivas, e na maioria dos casos, acabarão com o bullying.

Em muitos casos, todavia, confiar nos outros, particularmente adultos e figuras de autoridade formal, pode não ser o suficiente. Enquanto educadores, assistentes sociais e psicólogos podem relutar em reconhecê-lo, a ação direta, principalmente a autodefesa, pode ser a forma mais efetiva de tratar de bullies e do bullying. Além disso, ignorar as estratégias de autodefesa reforça um problema social emergente que deveria preocupar pais, adultos e legisladores: uma deferência inquestionável e acrítica à autoridade formal.

E aqui que a história muda. Bullies são predadores. Eles almejam crianças fracas, aquelas que não resistem ou escondem seu assédio físico e emocional. Os bullies mais destrutivos intimidam suas vítimas fora das proteções normais da família e das escolas. Campanhas anti-bullying têm fracassado amplamente nesse sentido, e como resultado, os programas mais formais não equipam as crianças com as ferramentas e habilidades para tratar de tipos mais extremos de bullying.

Por quê? A maioria dos currículos, especialmente os desenvolvidos pelo governo federal e escolas, é construída sob o princípio da deferência à autoridade, discurso racional, e raciocínio adulto, não autodefesa ou empoderamento individual. Não se espera que as crianças estejam treinadas ou equipadas para enfrentar bullies diretamente pela análise da natureza da ameaça ou aplicação das melhores táticas.

Como resultado, muitos currículos não tratam de uma das ferramentas mais efetivas que uma criança pode ter no seu arsenal anti-bullying: revidar. Para combater verdadeira e eficientemente o bullying, nossas crianças precisam de todas as ferramentas defensivas capazes de serem usadas de forma independente, fora da autoridade da escola, família, Igreja ou poder judiciário local. Eles precisam ser indivíduos confiantes, capazes de utilizar táticas que neutralizam a agressão e a intimidação. Isso não significa armar nossos filhos com armas, facas ou outras armas. Sugere, sim, “pensar fora da caixa” de forma a incluir treinamentos como artes marciais ou outros programas de autodefesa.

Essa estratégia tem precedentes históricos. A história das artes marciais asiáticas inclui o treinamento para autodefesa. Embora os ninjas sejam popularmente conhecidos como assassinos, o treinamento nas artes marciais era mais uma forma de dar poder a agricultores e cidadãos para se protegerem contra agressores mais bem armados como gangues, ladrões de estrada e piratas.

A deferência contínua a outras figuras de autoridade elimina defesas de última instância que permitem a uma criança se defender de um bully enfraquece o individualismo e a autoconfiança. É a habilidade de executar o último plano como uma escolha e tática de ultima instância que implicitamente constrói a fundação de uma sociedade livre. Esse é o imperativo libertário na campanha anti-bullying. Então, da próxima vez que um programa anti-bullying for proposto na sua comunidade, assegure-se de que inclui uma dose saudável de autodefesa.

// Traduzido por Matheus Pacini. Revisado por Russ da Silva | Artigo original.


Sobre o autor

Samuel Staley

Samuel R. Staley é diretor administrativo do DeVoe L. Moore Center na Faculdade de Ciências Sociais na Universidade Estadual da Flórida.



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