Liberdade Econômica social_security

Publicado em 23 de abril de 2013 | por Paul L. Poirot

As pessoas morreriam de fome se não fosse a previdência social?

Apesar da previdência social compulsória existir nesta terra há pouco mais de uma geração, muitas pessoas estão convencidas que elas não conseguiriam progredir sem ela. Indagar sobre a natureza ética do programa é atrair a pergunta: “Você deixaria eles morrerem de fome?”.

Milhões de americanos tem idade o bastante para lembrar-se do que acontecia antes do Social Security Act ser sancionado em 1935, mas onde está qualquer um deles que jamais assistiu um ser humano morrendo de fome?  Não, nós não “deixaríamos eles morrerem de fome”.  Alguém teria de trabalhar duro, em segredo, para morrer de fome neste país! Então por que tantas pessoas acreditam que, sem os benefícios da seguridade social, muitas pessoas passariam fome?

A previdência social parte da questionável premissa que a utilidade de um homem acaba aos 65 anos. Supõe-se que ele estará sem nenhuma poupança e sem capacidade de continuar a ganhar a vida. Se essa premissa estivesse correta, seria fácil ver como a fome se instalaria entre os mais idosos. Se eles não servem para nada, quem quer se incomodar em tomar conta dos velhinhos!

Aglomerar pessoas em grupos e tirar conclusões sobre cada grupo – pessoas com mais de 65 anos iriam passar fome senão existisse previdência social – é um procedimento padrão dos socialistas. Uma conclusão socialista tirada a partir da premissa apresentada é que pais de família com menos de 65 anos, pela força da lei tem que respeitar e cuidar dos mais velhos. Essa conclusão repousa nas falsas suposições feitas por aqueles que têm tão pouco auto respeito que eles não podem acreditar em ninguém mais como um indivíduo. Eles acreditam em coerção e, portanto concluem que o governo tem a resposta para todos os problemas.

Para aqueles com pouca fé, é necessário explicar de novo e de novo e de novo que o governo não produz nada e só pode distribuir o que ela tira de indivíduos produtivos através de impostos. “O povo” são – primeiro, último e sempre – indivíduos, alguns mais economicamente criativos que outros, mas cada um merecedor de respeito como um ser humano. Tributar os ganhos e a poupança de um homem, para outros propósitos que não sejam os de defendê-lo, é reduzir a capacidade e o incentivo dele de tomar conta de si mesmo e de outros, tornando-o parte escravo de outros e, portanto, menos humano. Além disso, ele também é escravizado e degradado por aqueles que tanto se voluntariam quanto são obrigados a olharem para o poder de tributação do governo para viver.

A escravidão já foi tentada nos Estados Unidos, infelizmente, e uma das maiores razões para esse sistema ter falhado foi porque ele era, e é, um sistema improdutivo: ele deixa as pessoas passarem fome. Ele também degrada moralmente tanto o escravo quanto o mestre. Ainda assim, está sendo dito que sem um imposto para a previdência social compulsória colocado sobre os jovens e fortes, os mais velhos entre nós iriam passar fome ou até mesmo morrer de fome! Nós somos convidados a tentar, de novo, um sistema de semiescravidão – com mestres benevolentes, é claro. Bom, esses socialistas estão completamente errados. As premissas deles são falsas. Pode se contar com seres humanos livres para cuidarem deles mesmos e dos semelhantes, voluntariamente.

O que deveria preocupar todos nós é que, se nós persistirmos com a falsa premissa da ideia da seguridade social (socialismo), muitos americanos vão passar fome – não somente fome física, mas moralmente e espiritualmente também.

O principal argumento contra a previdência social é no domínio moral. Dar os frutos do trabalho de um grupo ou de um indivíduo tirados deles através de coerção é um procedimento imoral, com efeito destrutivo sobre o efeito de responsabilidade pessoal de todos os envolvidos. Mas existem razões o bastante para rejeitar o programa, até mesmo de um ponto de vista estritamente utilitarista:

  1. A previdência social não é um “seguro de velhice”; é um imposto de renda regressivo, que afeta de forma mais direta os mais pobres.
  2. O tão chamado fundo da previdência social de aproximados 20 bilhões de dólares corresponde a nada mais do que um valor na contabilidade, mostrando o quanto o governo federal emprestou dele mesmo em nome da seguridade social e gastou em outros propósitos.
  3. O fato de que um indivíduo pagou os impostos da previdência por toda a vida não significa que o dinheiro contribuído foi investido na conta dele. Se ele, em algum momento, receber os benefícios da previdência social, elas vão vir de tributos coletados de outras pessoas – ou até dele mesmo – no momento.
  4. Os valores presumidamente pagos pelos empregadores em benefício do funcionário são de fato pagos pelo funcionário, tanto por uma redução no salário ou por um aumento nos preços dos bens e dos serviços.
  5. Oferecer um subsídio para aqueles que se aposentam aos 65 anos não cria uma poupança adicional para fábricas e máquinas, o que geraria empregos para os trabalhadores mais jovens. Isso aumenta a carga tributária deste último grupo.
  6. Uma pessoa que está entrando agora no sistema de previdência social, aos 20 anos, irá pagar muito mais impostos do que os benefícios prometidos a ele.

Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Terceiro || Artigo Original

 

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Sobre o autor

Paul L. Poirot

Paul L. Poirot foi um editor da revista The Freeman - publicação da Foundation for Economic Education (FEE) - a partir do início pouco da revista, em 1955, até sua aposentadoria em 1987.



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