Meio Ambiente meio ambiente

Publicado em 12 de novembro de 2013 | por David Kretzmann

O Ambientalismo Libertário

É fato que o governo não pode mudar consistentemente a forma pela qual as pessoas relacionam-se com o meio ambiente. Se você presenciar um madeireiro cortando uma árvore em sua própria propriedade, é moralmente defensável apontar uma arma para a cabeça dele, evitando que prossiga? É moralmente aceitável se um grupo coletivo, como o governo, apontar a arma para a cabeça dele? Quando você aborda a natureza do ponto de vista que somente o governo pode protegê-la, você está essencialmente cedendo à ridícula ideia de que somente por meio da força coletiva e coerciva a natureza pode ser preservada.

Isso não quer dizer que todas as pessoas no movimento ambientalista querem forçar pessoas a adotarem sua visão em relação ao planeta. Contudo, o movimento tornou-se somente arraigado a um movimento político. E mesmo assim, eles de alguma forma parecem surpresos que poucas pessoas concordam com tal crença, que você deve expandir a força governamental para manter as pessoas de acordo com o meio ambiente. A opinião segue que sem a força preventiva coletiva, “capitalistas” (de alguma forma exercendo sua liberdade, dado que indivíduos são separados do resto) supostamente destruiriam o meio ambiente e construiriam quantos hotéis, lojas e prédios com alto consumo de energia  fossem possíveis nos melhores terrenos da nação.

Uma das coisas mais frustrantes que vejo, especialmente com adolescentes e jovens adultos, é a firme crença de que a legislação governamental é a forma definitiva de gerar a mudança ambiental. Nós recebemos uma doce senhora em nossa  escola de 2º grau no outono passado para falar sobre questões como mudança climática e a retórica usual utilizada pelas organizações ambientalistas atuais. No final de sua apresentação, essa senhora tentou excitar os jovens anunciando a “Declaração de Independência Energética” (uma lista  de políticas energéticas e subsídios a serem postos em prática pelo governo) que estava para ser assinado por Barack Obama. O grupo ao qual ela representa e os movimentos ambientaismainstream têm implantado teimosamente nas suas cabeças que o nosso destino ambiental depende de um governo ou de um presidente.

Eu disse a ela claramente que, mesmo que eu não acreditasse na ciência ou racional por trás de sua apresentação, eu certamente trabalharia para reduzir o desperdício e aumentar a eficiência de minha área. Nenhuma pessoa irá retrucar, “Que se dane tudo, eu quero meu desperdício e ineficiência acima de tudo”. Existe um tremendo valor na eficiência, e a eficiência surge natural e mais eficientemente em uma sociedade livre de coerção. Incentivos para o uso eficiente não surgem da força governamental, mas sim da concorrência natural de livre mercado e da busca pelo lucro que só existem em uma sociedade laissez faire construída pela liberdade.

Ao contrário de um empreendimento no livre mercado, o governo não o convence do valor de seu produto, ele o coage a aceitar e subsidiar o produto, querendo você ou não. É absurdo que as pessoas estejam convencidas pela crença de que o mercado negligentemente destrói a natureza, caindo na armadilha que os nobres políticos conhecem o método ideal para conceder valor e conservação ao meio ambiente. O imparcial e custoso processo da intervenção governamental é a ultima coisa que necessitamos para encorajar a responsabilidade, a eficiência e a sustentabilidade. Nós necessitamos que os indivíduos usem o poder que possuem como seres humanos! Esse é um conceito-chave  com o qual provavelmente todos os libertários concordam, e é um principio que os verdadeiros ambientalistas deveriam levar consigo.

Ninguém pode argumentar contra um planeta mais limpo. O movimento ambiental ganharia apoio contínuo de indivíduos de todas as origens se descartasse as causas políticas e, em vez disse, focasse seus recursos no fornecimento de educação e contato direto com a natureza para as pessoas, assim como a utilização de recursos (como muitas organizações fizeram no passado e no presente) para aquisição de terras com a intenção de preservação. Considere quanto mais duradouros seriam os esforços de um grupo ambiental na atual aquisição de uma bela propriedade, abrindo-a ao turismo, visitas educacionais, além de explicando a importância e os benefícios da preservação. Dada a quantidade de pessoas que apoiam projetos ambientais, soluções simples e criativas como essas são dificilmente implausíveis. Em vez disso, o movimento ambientalista caiu na armadilha não-criativa que é o governo e a mudança politicamente motivada por meio da coerção.

As disciplinas atuais relacionadas ao meio ambiente nas escolas públicas são tão estéreis e sem substância que as crianças acabam tendo muito pouca experiência com a natureza. Por exemplo, minha escola introduziu uma nova matéria baseada nos jogos propostos pelo ambientalista e fundador da ONG Sharing Nature, Joseph Cornell. Nós somos treinados para guiar pequenos grupos em atividades na natureza que leva as crianças à verdadeira natureza para aprender a sentir, cheirar e observar a natureza de forma independente. Você encoraja a interação com a natureza, em vez passar a ideia de um objeto externo que somente hippies podem desfrutar. Você pensa que as crianças (e adultos) apreciarão mais a natureza quando eles divertirem-se na natureza ou quando seu professor discursa sobre aspectos políticos que as crianças provavelmente esquecerão? Em vez de utilizar o medo como um motivador para a maior intromissão do governo em nome do ambiente, considere o impacto que os ambientalistas poderiam ter se trabalhassem para desenvolver um entendimento básico e a apresentação da natureza a crianças e adultos. Não tem absolutamente nada que ver com a política ou o governo, simplesmente desperta o prazer da natureza em um nível que, nós, como indivíduos, podem apreciar e valorizar. Em resumo, seria muito mais efetivo do que fazer lobby junto a Obama ou outros oficiais do governo para promulgar mais leis para o povo norte-americano.

O principal defeito do ambientalismo mainstream é seu foco na criação de regulações massivas em escala nacional e, até mesmo, global. A história econômica básica mostra que leis caras e punições beneficiam grandes corporações que buscam dificultar a concorrência de pequenas empresas (por isso que a Dow Chemical, General Electric e outras corporações de bilhões de dólares estão entre os principais grupos fazendo lobby em prol da legislação do “cap and trade” entre outras). Com a expansão do governo, as corporações preparam-se para implementar suas burocracias favoritas. A legislação ambientais tais como a do CAP and TRADE meramente oferecem outra saída para as corporações diminuírem a concorrência menor e mais localizada. Em outras palavras, ela destrói precisamente o cenário onde os indivíduos possuem a maior influencia sobre as práticas de negócios e produtos. Legislação desse tipo oferece um monopólio de fato às corporações que podem superar os entraves jurídicos arbitrários e as regulações criadas pelos políticos e burocratas não eleitos. Por essa escala impressionante de nacionalização e globalização dos governos, os ambientalistas estão, ao mesmo tempo, destruindo o poder dos indivíduos nas suas comunidades locais.

Conceda o poder a quem ele pertence: nas mãos das pessoas. As pessoas carregam seu poder não por meio de burocracias nacionais e globais, mas em suas famílias, comunidades e ambientes locais. É mais fácil influenciar uma corporação de 50 bilhões sustentada através da legislação governamental, ou um pequeno negócio local? É mais aconselhável tentar influenciar um Congresso de 535 indivíduos que representam mais do que 300 milhões de pessoas ou se tornar ativo em um pequeno governo local que representa milhares de pessoas? Não existe dúvida que nós, como indivíduos, possuímos maior poder de influência sobre os negócios, governo e o meio ambiente numa escala local.

Esse poder e responsabilidade dos indivíduos podem somente ser adequados e sustentavelmente utilizados no nível local. A conservação e educação contínua sobre o meio ambiente devem originar-se através dos indivíduos localmente, não por meio de burocratas não eleitos no nível nacional e global. Por meio do fortalecimento dos direitos de propriedades individuais, o localismo fornece uma medida dos efeitos das responsabilidades e decisões feitas pelos indivíduos em relação a eles e suas propriedades, suas respectivas comunidades, assim como o meio ambiente. Sua missão será somente cumprida em uma sociedade livre das leis burocratizadas e do planejamento central.

O verdadeiro movimento ambientalista inicia pela experiência direta de um individuo e não pode ser promovida pela lei governamental. O verdadeiro ambientalismo e o libertarianismo originam-se da mesma fonte: o indivíduo. Ambos acreditam fortemente na liberdade individual e a responsabilidade que é consequente daquela liberdade. Com a concessão do poder total da responsabilidade aos indivíduos sobre suas próprias vidas, o meio ambiente avançará na mente das pessoas. As pessoas não se sentirão afastadas e separadas da natureza, elas estabelecerão uma conexão e obrigação diretas nas suas comunidades locais. Não são as pessoas mais responsáveis e preocupadas com a terra, ar e água que veem e usam diariamente?

Devolva a responsabilidade dos deveres ao indivíduo, não a burocracias não eleitas que prometem as maravilhas do planejamento central, e você imediatamente fornece o incentivo (por meio dos direitos de propriedade) e a habilidade para manter a propriedade limpa, engajar-se em atividades sustentáveis e preservar a qualidade ambiental. Devolver a responsabilidade ao individuo a nível local é o único método racional e duradouro para a real conservação e respeito da beleza da natureza.

***

Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Adriel Santana.


Sobre o autor

David Kretzmann

David Kretzmann é um ativista libertário e escreve para o blog wwww.davidkretzmann.com



Voltar ao Topo ↑